Uma decisão liminar recentemente concedida pelo Poder Judiciário trouxe um recado claro e direto que interessa a toda a sociedade maranhense: segurança pública exige profissionalismo, planejamento e gestão responsável. Não se trata de uma discussão corporativa ou restrita à Polícia Civil. Trata-se de um marco que aponta para a necessidade de abandonar práticas improvisadas e amadoras que, há anos, comprometem a eficiência do combate à criminalidade no Maranhão.
A decisão judicial estabelece a obrigação de atuação organizada da Polícia Civil, com definição de fluxos, programação de atividades, planejamento operacional e respeito a critérios técnicos. Em outras palavras, o Judiciário reconhece que não é aceitável que uma instituição responsável pela investigação criminal funcione à base do improviso, da informalidade ou de soluções emergenciais permanentes.
Esse ponto é central para compreender por que os índices de criminalidade no Maranhão insistem em não cair, mesmo diante de investimentos relevantes realizados pelo Governo do Estado. Recursos financeiros, reformas de prédios e aquisição de equipamentos são importantes, mas não produzem resultados sozinhos. Sem gestão profissional, sem planejamento e sem valorização da inteligência investigativa, o dinheiro público perde grande parte de sua eficácia.
A liminar deixa claro que segurança pública não se faz com voluntarismo, nem com decisões desarticuladas. Exige método, previsibilidade, responsabilidade institucional e respeito às funções técnicas da Polícia Civil. Quando essas premissas são ignoradas, o resultado é conhecido: investigações fragilizadas, baixa taxa de elucidação de crimes e sensação permanente de insegurança para a população.
A atuação da Adepol ao provocar o Judiciário demonstra preocupação não apenas com a corporação, mas com o modelo de segurança pública oferecido à sociedade. Ao buscar uma decisão que imponha planejamento e organização, a entidade aponta o óbvio que, muitas vezes, é negligenciado: sem profissionalismo na gestão, não há política de segurança pública que funcione.
Mais do que um ato jurídico, a decisão representa um freio institucional ao amadorismo. É um chamado à responsabilidade para que a Polícia Civil atue como deve atuar: com planejamento, técnica, inteligência e compromisso com resultados. Quem ganha com isso não é apenas a instituição, mas o cidadão maranhense, que espera — e tem direito — a uma segurança pública eficiente, séria e orientada por critérios profissionais.
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