Idoso condenado por racismo que não quis ser atendido por delegado negro vai pagar 2 salários mínimos

Raimundo Rufino pegou um ano de reclusão e teve a pena convertida em prestação pecuniária pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco. Idoso se recursou a ser atendido pelo delegado Samuel Mendes, que é negro, dentro da Delegacia da 2ª Regional em abril de 2023. O idoso Raimundo Rufino, de 69 anos, que […]

Por Editoria Delegados

Delegado Samuel Mendes foi vítima de racismo dentro da delegacia da 2ª Regional — Foto: Arquivo pessoal

Raimundo Rufino pegou um ano de reclusão e teve a pena convertida em prestação pecuniária pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco. Idoso se recursou a ser atendido pelo delegado Samuel Mendes, que é negro, dentro da Delegacia da 2ª Regional em abril de 2023.

O idoso Raimundo Rufino, de 69 anos, que não aceitou ser atendido pelo delegado Samuel Mendes e pediu um “delegado branco”, foi condenado por racismo no último dia 20. O réu pegou um ano de reclusão, contudo, o juiz Danniel Bomfim, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco, converteu a pena à prestação pecuniária no valor de dois salários mínimos.

Raimundo Rufino pegou um ano de reclusão e teve a pena convertida em prestação de pecuniária — Foto: Asscom/Polícia Civil

“O réu deverá iniciar o cumprimento da pena privativa de liberdade anteriormente dosada em regime aberto. Por força do que dispõem o Art. 44 e seguintes do Código Penal, converte-se a pena privativa de liberdade em restritiva de direitos, isto porque a condenação fora inferior a quatro anos de reclusão e por não ter sido o crime cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, o que por certo admite como suficiente essa substituição, fazendo jus então, a referida substituição, obrigando-se, por consequência, à prestação pecuniária no valor de dois salários mínimos”, diz parte da decisão.

O idoso foi denunciado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) em junho do ano passado. Conforme a denúncia do MP-AC, no dia 3 de janeiro de 2023, o idoso procurou a Delegacia de Polícia Civil da 2ª Regional, no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, no Segundo Distrito de Rio Branco, para um atendimento e quando foi apresentado ao delegado de polícia teria feito comentários racistas.

Na época, Modesto Rufino, filho do idoso, disse ao g1 que a família não tinha conhecimento da tramitação do processo e alegou que o pai não era racista.

Ainda na denúncia, o MP-AC destacou que o delegado vítima estava trabalhando no dia e informou ao idoso que ele era quem faria o atendimento, o acompanhando até a entrada de sua sala. Foi então, segundo a denúncia, que o idoso perguntou: “onde está o delegado?”. Neste momento, a vítima informou novamente que era o delegado responsável pelo atendimento. Assim, o denunciado se recusou a entrar na sala e disse: “não, mas eu queria ser atendido por um delegado branco”.

O MP-AC informou ainda que, ao ser ouvido em sede policial, o idoso disse que não era verdadeira a acusação e que no dia dos fatos foi até a delegacia e a policial que fez o registro o encaminhou até “um homem negro com barba” e que em nenhum momento falou que queria ser atendido por um delegado branco.

Raimundo Rufino tinha ido na Delegacia de Polícia Civil da 2ª Regional registrar um boletim de ocorrência contra uma vizinha que o estava ameaçando. Ele foi preso por racismo ao recusar ser atendido pelo delegado Samuel Mendes.

Em audiência de custódia, a juíza de direito Andréa da Silva Brito concedeu a liberdade provisória a ele, determinando medida cautelar de comparecimento mensal em juízo para justificar suas atividades e, comprovação de residência fixa.

Na época da prisão, o filho do idoso, Modesto Rufino alegou que o pai não é racista, tem problemas de audição e faz tratamento psiquiátrico no Hospital de Saúde Mental do estado (Hosmac). Ele alegou, na época, que o pai, ao pedir um “delegado branco”, se referia a um colega de Samuel Mendes.

Na delegacia, o idoso disse que possui dificuldades em ouvir após a Covid-19. “Se eu soubesse que Samuel Mendes fosse delegado não teria nenhum problema em ser atendido por ele”, afirmou o parente.

“Ele já tinha ido outras vezes lá [na delegacia] e conversado com um delegado, que ele não se lembrava o nome, mas, por isso o chama de delegado branco. Ele sempre ia com esse delegado, que o escutava, era uma forma de psicólogo. Meu pai não é racista e não entrou no gabinete porque não era o delegado que ele queria”, disse na época.

Porém, diferente do que disse o filho, o idoso alegou em depoimento que foi a primeira vez que foi até aquela delegacia e que não conhecia ninguém. Raimundo Rufino também tem outros processos relacionados à violência doméstica.

Em entrevista ao g1 após o ocorrido, o delegado relatou que, mesmo com 19 anos de atuação na Segurança Pública, nunca tinha passado por uma situação dessa.

“É algo que pega de surpresa, ainda mais nesses tempos atuais em que as pessoas cada vez mais estão informadas. A tendência é diminuir e não ser de forma tão implícita. Fiquei sem ação, depois fui alinhar as ideias”, lamentou.

O delegado recebeu notas de apoio, tanto da direção da Polícia Civil, como a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB-AC) e Associação dos Delegados de Polícia Civil do Acre (Adepol-AC).

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

Veja mais

“Carnaval Policial”: aplicativo indispensável para policiais no período carnavalesco

Plataforma estratégica com atualização diária, inteligência artificial exclusiva e soluções jurídicas integradas para fortalecer a atuação policial em todo o Brasil

Após operação policial, delegado Charles Pessoa toma café da manhã ao som de marchinhas de Carnaval

(PI) Trabalho incansável, compromisso público e valorização cultural marcam atuação da Polícia Civil do Piauí

“Valorização da Polícia Civil tem de ser real, não mero palanque político”, critica Sindicato dos Delegados

(SP) Diretoria do triênio 2026/2029 tomou posse, nessa segunda-feira (9/2), em sessão solene, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp); promessas do Governo do Estado para a classe,

“Policial, você está me abordando só porque eu sou gay?” | decisões jurídicas policiais

Ativismo de conveniência, preconceito sexual internalizado e a atuação policial frente à alegação infundada de discriminação. Limites do Questionamento Jurídico e da Liberdade de Expressão. Protocolo Policial aplicável

Flagrante de conduzir veículo sem placa, com placa tampada, amassada, levantada ou adulterada: decisões jurídicas policiais

Tipicidade, atipicidade, abordagem, apreensão, detenção, condução, prisão e autuação

Jogo responsável como base do mercado de apostas em 2026

O jogo responsável parte de uma ideia simples, mas poderosa: apostar deve ser uma forma de entretenimento, não uma fonte de prejuízo financeiro, emocional ou social. A partir dessa lógica,

Flagrante de conduzir veículo sem placa, com placa: tampada, amassada, levantada ou adulterada

Tipicidade, atipicidade, abordagem, apreensão, detenção, condução, prisão e autuação
Veja mais

STF tem maioria para declarar omissão de Minas Gerais em lei sobre remuneração de delegados

(MG) O dispositivo constitucional é impositivo e que, diante da ausência de lei estadual para regulamentar o assunto, estava configurada a omissão normativa

Praticar peculato mas não cometer crime: decisões jurídicas policiais

A Consultoria Jurídica do Portal Nacional dos Delegados apresenta exemplos de decisões que o delegado de polícia pode adotar sobre casos dessa natureza

Decisão de flagrante cumulado com representação por prisão preventiva, conforme a Lei nº 15.272

A Consultoria Jurídica do Portal Nacional dos Delegados elaborou todos os modelos necessários para o delegado de polícia. O assinante poderá usar cada modelo e apenas colocar referências ou incluir

Em reunião com o Consesp, ministro Wellington César afirma que segurança pública é dever de Estado

Reunião reforça a união entre o Governo Federal e os estados para alinhar estratégias de proteção ao cidadão

Justiça impõe profissionalismo à Polícia Civil e reforça segurança da sociedade maranhense

(MA) Mais do que um ato jurídico, a decisão representa um freio institucional ao amadorismo. É um chamado à responsabilidade para que a Polícia Civil atue como deve atuar: com

Encontro casual em local onde está vítima de violência doméstica e o descumprimento de medida protetiva: decisões jurídicas policiais

Quando o sujeito chega ao local, como bar, restaurante, shopping e a vítima já está lá? E quando o sujeito já está no local e a vítima aparece?

Juiz federal anula Operações Boygman e Integration, mesmo contra decisões do STJ, TJPE e MPF

Investigações que deram origem às operações Placement e Integration já haviam sido consideradas legais pelo TJPE, STJ, Ministério Público e Federal e órgãos de controle administrativo
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.