Humor e lágrimas de uma delegada

  Gildeci Alves Marinho tem 58 anos, sendo que 40 deles dedicados à Polícia Civil de Goiás. Atualmente responde pela Chefia da Assessoria Geral, em contato direto com o secretário Joaquim Mesquita. Ela começou em 1970 como extranumerária mensalista com um quarto do salário mínimo na época. Concursada, passou a escriturária aos 18 anos. Depois […]

Por Editoria Delegados

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Gildeci Alves Marinho tem 58 anos, sendo que 40 deles dedicados à Polícia Civil de Goiás. Atualmente responde pela Chefia da Assessoria Geral, em contato direto com o secretário Joaquim Mesquita. Ela começou em 1970 como extranumerária mensalista com um quarto do salário mínimo na época. Concursada, passou a escriturária aos 18 anos. Depois comissária de polícia. Trabalhou na Academia. Finalmente o diploma na Faculdade de Direito. Ela respondeu como titular na Delegacia de Defesa da Mulher por doze anos. Sete anos em Anápolis e cinco em Goiânia, onde diz ter vivido momentos sublimes, engraçados, muito amor e dedicação no trato com as “companheiras”, lágrimas, desespero e muita dor. Sempre ao lado das pobres coitadas espancadas pelos companheiros ou maridos machões que ainda proliferam na sociedade.

 

Casos jocosos, hilários, de verdadeira brutalidade por parte de quem se achava no direito de mandar: por ser pai, marido ou companheiro. Estupradores, caluniadores, difamadores no tradicional crime contra a honra. Crimes banais em desrespeito à mulher. Uma infinidade deles. Gildeci não titubeou quando solicitada a contar alguns. Contou não todos. Eis alguns…

 

Espelho delatou

 

“Mulher casada. Mantinha um relacionamento com um homem também casado. Ela, muito assanhada, gostava de aparecer, se exibir para ele quando totalmente nua em quarto de motel. Ele satisfazia todos seus desejos eróticos. O deslumbrado apaixonou-se de tal maneira que sugeriu que ficasse somente com ele. Viveriam juntos para sempre. Ela, esperta, pois o maridão era homem de muita grana, não concordou.

 

Numa das visitas a um motel, o deslumbrado amante passou a tirar-lhe fotos em situações pornográficas e até vexatórias até mesmo para uma prostituta vulgar. Exemplo? Totalmente pelada, a “distinta” colocava calcinha pendurada nos dentes. Entretido, o homem não observou um detalhe importante: amigos estavam refletidos em um enorme espelho.

 

O desastre: o fato aconteceu na época ainda de mandar copiar as fotos. Tudo bem. Ao ser rejeitado, o amante deu-lhe um tiro. Em seguida cometeu suicídio. O deslumbrado não correu. Ele foi comer capim pela raiz.

 

A sobrevivente contou sua versão: seu matador a queria. Ela não o aceitava. Era apaixonada pelo marido. Embeiçada pelo marido. E o corno tudo aceitava e sorridente a acariciava no hospital. Porém a esposa do suicida encontrou as fotos em seu carro. As fotos foram mostradas ao traído. Ele achou que era uma montagem. Justamente para apagar a honradez da distinta mulher. Na Delegacia onde a viúva mostrou tudo, o pobre coitado falou-me: “Não coloco em dúvida a honradez de minha mulher. Querida! Vamos para casa. Sou o marido mais feliz do mundo”.

 

Essa foi bem pior

 

“Eu estava atarefada. Sem tempo mesmo para um copo d’água. Tanta mulher em busca de atendimento. Eu fazia o seguinte: atendimento pela ordem de chegada. Sala lotada: mulher chorando, mulher gemendo, mulher com dente dentro de um pano, mulher com os cabelos não mais. Situação constrangedora. De repente entra um homem. Parecia suado, olhos esbugalhados. Exigia atendimento. Perguntei-lhe o que estava acontecendo. O pobre coitado não perdeu tempo.”

 

“Doutora! Doutora! Cheguei mais cedo do trabalho. No quarto estava a minha mulher totalmente pelada. Quero dizer: ela estava envolta em uma toalha de banho. E o meu vizinho debaixo da cama. Vestia somente uma cueca. E ofegante”.

 

Perguntei ao homem se ele queria registrar o adultério, se ele havia matado o vizinho ou a mulher. Respondeu negativamente. Foi taxativo: “O que eu fiz? O que eu fiz? Exigi que ele se vestisse de maneira decente por estar na presença de uma mulher. Falei a ele para se mudar imediatamente do barracão que ocupava”.

 

O homem evitou a transa, Gildeci disse que nada entendera: o homem apresentou a sua mulher: “Aqui está ela. Minha mulher jura que nada aconteceu. Que eu chegara em casa antes de tudo. Ela estava arrependida da tentação. Eu acredito nela”. O pior: o traído confessou ter olhado para o bilau do vizinho observando que estava inerte”.

 

Terceiro caso: “Homem surrou sua mulher. Ela falou que iria até a Delegacia da Mulher. Ele sorriu e respondeu: “Faça isso! Faça isso! Eu vou cantar a delegada. Tô de olho nela. Faz um tempão”. Fiquei sabendo e mandei buscá-lo. Contou os motivos da briga. Quando tudo terminado, eu pedi: “Não vai me cantar? Como disse à sua mulher?” Ele ficou perdido. Fui adiante: “Não quer fazer isso aqui dentro? Pois vamos para o lado de fora”. O homem pediu desculpas, jurou que tudo não passara de cabeça quente”. Se foram. Ela retornou dias depois. Sorridente. Falou que o marido estava mais macio que cachorrinho de madame”.

 

DM

 

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