Detento diz que chega a mandar até 20 mil SMS por dia para dar golpes

SP: OAB de Sorocaba diz que ressarcimento das vítimas é quase impossível Ofertas tentadoras chegam por mensagem nos celulares a todo momento. São sorteios de prêmios em dinheiro, carros e casas. No entanto, os SMS e as ligações fazem parte de uma série de golpes cada vez mais frequentes realizados dentro de presídios com […]

Por Editoria Delegados

SP: OAB de Sorocaba diz que ressarcimento das vítimas é quase impossível

 

Ofertas tentadoras chegam por mensagem nos celulares a todo momento. São sorteios de prêmios em dinheiro, carros e casas. No entanto, os SMS e as ligações fazem parte de uma série de golpes cada vez mais frequentes realizados dentro de presídios com ajuda da tecnologia. São mais de 600 mil detentos que, com um celular, fazem vítimas por todo o país.

Um produtor da TV TEM em Sorocaba (SP) recebeu uma dessas mensagens dizendo que ele havia sido sorteado em uma promoção e entrou em contato com o golpista. O homem confessa que está em uma cadeia do Estado do Ceará e afirma ainda que detentos enviam até 20 mil mensagens por dia para números de telefone aleatórios. O golpe chega a render até R$ 5 mil em um dia.

Já na primeira ligação, um homem pede o número do cartão de crédito:

Produtor: Eu te passo o meu número de cartão e depois?

Golpista: Depois vamos fazer o registro e é realizado o lançamento, senhor.

Produtor: Feito o que?

Golpista: A liberação [do prêmio]

O detento tenta passar tranquilidade durante a ligação:

Produtor: Quero entender como que fui sorteado, porque eu não participei da promoção. Fiquei com a pulga atrás da orelha.

Golpista: Não. Pois tire essa pulga de trás da orelha porque ela está te incomodando. Isso aqui é um trabalho sério, é um trabalho de responsabilidade, um trabalho de caráter.

 

Na segunda ligação o preso pede para o produtor ir a uma agência bancária. Ele finge estar no local e telefona:

Golpista: Quando você estiver de frente do caixa eletrônico, entra em contato novamente e pede para falar com Marcos Paulo, tudo bem?

Produtor: Eu tinha que retornar a ligação. Estou no banco para receber o prêmio.

Golpista: Vamos lá, coloque o cartão. Procure transferência. Agora está pedindo o que? Agência e conta.
Produtor: Mas eu vou fazer uma transferência.

Golpista: Não, o senhor está recebendo a simulação de transferência. Quando o senhor confirmar, vai sair o comprovante. Com esse comprovante, vai sair o seu nome completo e o nome do nosso diretor que está autorizando a liberação já creditando o valor na sua conta. Você vai ter que conseguir um valor de R$ 1 mil, anotar o protocolo que eu vou lhe repassar com o nome do gerente. Você anota, vai na lotérica, faz o depósito e recebe o comprovante.

Produtor: Mas porque que você não pode liberar o prêmio sem eu ter que depositar?

Golpista: Não fique com essas desconfianças porque eu já trabalho aqui no sistema há oito anos. Então a gente acaba vencendo, a gente acaba liberando o valor de R$ 50 mil e os clientes agradecem a gente.

Na opção de transferência, a vítima preenche os campos com os dados passados pelo golpista. Onde normalmente se coloca o valor da transação, o criminoso manda a vítima colocar uma senha recebida na mensagem de celular. No caso da conversa com o produtor, a senha era 149985. E é esse o valor que entra na transferência : R$ 1.499,85. O número foi questionado pelo produtor.

No entanto, o criminoso perde a paciência e entrega o esquema:

Golpista: Nós estamos na cadeia mesmo mano, nós estamos no Ceará, Fortaleza. (SIC)

Produtor: Como vocês descobriram meu número?


Golpista: Nós fica (SIC) enviando mensagem, manda 10 mil, 15 mil, 20 mil mensagens. Aí vai trocando só os últimos dois números, aí pode cair em qualquer número, entendeu? Tem dia que nós levanta R$ 5 mil, R$ 2 mil, R$ 3 mil. Tem dia que nós não levanta nada, entendeu?

Golpe sem volta

Advogado da comissão de direito eletrônico da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Sorocaba e da comissão de crimes de alta tecnologia da OAB de São Paulo, José Carlos Francisco Filho diz ser impossível a vítima conseguir o dinheiro perdido de volta. “Por mais que você ganhe o processo, não tem como obter o ressarcimento”, explica.

Segundo a polícia, não é fácil localizar os criminosos. “Não há como identificar especificamente ou de forma mais pontual onde esse aparelho está”, explica o delegado da seccional de Sorocaba, Marcelo Carriel.

 

G1

 

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