As delegacias do Distrito Federal podem ter que fechar as portas durante as madrugadas a partir das próximas semanas. O motivo é a decisão dos delegados da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) de suspender o Serviço Voluntário Gratificado (SVG), utilizado para reforçar os plantões nas unidades policiais.
A decisão foi tomada em assembleia realizada nesta semana pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Distrito Federal (Sindepo). Por unanimidade, a categoria decidiu não realizar o serviço voluntário no mês de abril e reavaliar, nos próximos dias, se já começa a adesão no mês de março.
O principal motivo da mobilização é a falta de reajuste no valor pago pela hora do SVG. Atualmente, cada hora é remunerada em R$ 50 — valor que não é atualizado há seis anos.
Responsabilidade do cargo
Segundo os delegados, a quantia não acompanha a inflação nem reflete a responsabilidade do cargo. O delegado é a autoridade responsável por conduzir investigações, lavrar prisões, solicitar medidas cautelares e tomar decisões jurídicas importantes. Para o sindicato, manter o mesmo valor por tanto tempo representa falta de valorização da função.
O SVG é um serviço extra realizado de forma voluntária pelos delegados para reforçar as escalas nas delegacias, principalmente em horários com maior demanda ou falta de efetivo.
Embora não represente uma paralisação oficial, a suspensão do serviço reduz a capacidade de atendimento extraordinário. Na prática, isso pode afetar o funcionamento durante as madrugadas, período que depende fortemente dessas horas extras.
Nova assembleia
Uma nova Assembleia Geral foi convocada para 4 de março, às 15h30 (primeira chamada) e às 16h (segunda e última chamada). Nessa reunião, a categoria decidirá se mantém ou suspende também os serviços referentes a março, caso não haja avanço nas negociações.
O sindicato afirma que permanece aberto ao diálogo, mas reforça que a retomada do serviço extraordinário depende de medidas concretas para reajustar o valor da hora do SVG.
Enquanto aguardam resposta do governo, os delegados defendem que a atualização do valor é necessária para garantir a qualidade das investigações e das atividades policiais. A situação, agora, depende das próximas negociações entre a categoria e a direção da PCDF.
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