Delegado define como “vergonha” liberação de alvará da boate Kiss

    Delegados responsáveis pela apuração da maior tragédia da história gaúcha estão firmando uma convicção sobre a forma como o Alvará de Localização (uma espécie de certidão de nascimento de um estabelecimento) foi concedido à boate Kiss:   — É uma bagunça, uma vergonha.   A frase, proferida pelo delegado Sandro Meinerz, refere-se ao […]

Por Editoria Delegados

 

 

Delegados responsáveis pela apuração da maior tragédia da história gaúcha estão firmando uma convicção sobre a forma como o Alvará de Localização (uma espécie de certidão de nascimento de um estabelecimento) foi concedido à boate Kiss:

 

— É uma bagunça, uma vergonha.

 

A frase, proferida pelo delegado Sandro Meinerz, refere-se ao fato de a prefeitura ter emitido o documento sem aprovar o projeto de reforma apresentado pelos sócios.

 

— Tudo indica que, enquanto um setor da prefeitura cobrava soluções de segurança, outro setor tratava de agilizar a liberação do funcionamento da boate — diz Meinerz.

 

Na terça-feira, o projeto de reforma do prédio da Kiss, que estava desaparecido dentro da prefeitura, foi entregue à polícia. A análise do documento é fundamental para entender como foi concedido à boate o Alvará de Localização sem a aprovação do projeto de reforma do prédio para a instalação da danceteria. Antes, o local abrigava um cursinho pré-vestibular. Na madrugada de 27 de janeiro, a boate se incendiou, e o fogo e a fumaça mataram 241 pessoas, a maioria jovens universitários.

 

Feito pelas arquitetas Cristina Gorski Trevisan e Lisie Basso Vieira, o Projeto de Reforma Sem Ampliação de Área do Imóvel havia desaparecido porque estava arquivado, desde 2010, no setor de protocolos, esperando que suas autoras fossem retirá-lo. Ou seja, o documento não estava guardado junto com a papelada usada para liberar os alvarás e outras licenças da boate, que a prefeitura encaminhou à polícia.

 

A existência desse projeto veio à tona na semana passada, com o depoimento prestado pelo arquiteto da prefeitura Rafael Escobar de Oliveira, que disse ter recomendado 29 alterações no documento (boa parte ligada a itens de segurança, como portas de emergência).

 

 

Na segunda-feira, a arquiteta Cristina prestou depoimento à polícia e disse que o projeto começou a tramitar com o nome do primeiro proprietário da Kiss, Alexandre Costa. Depois, o nome foi trocado para Econ Empreendimento de Turismo e Hotelaria Ltda. Cristina disse que o projeto havia sido aprovado. Ontem, Lisie reforçou que o documento foi aprovado e que soube disso por Costa. A arquiteta não soube informar, porém, quem aprovou os papéis.

 

Zero Hora ligou e perguntou a Costa quem tinha aprovado o projeto. Ele disse que não estava interessado em falar sobre o assunto e pediu que fosse enviado um e-mail com as perguntas. O e-mail foi enviado, e o ex-dono da Kiss não respondeu.

ZH apurou que o projeto não foi aprovado, e as reformas foram feitas sem licença.

 

Produtor e sócio ouvidos em presídio

 

O produtor da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão, acompanhado do advogado Gilberto Weber falou pela terceira vez à polícia nesta terça-feira – a primeira, no dia da tragédia, quando ele foi por duas vezes até a casa noturna com policiais, e a segunda, no dia seguinte ao incêndio na boate Kiss. Desta vez, o delegado Marcos Vianna esteve na Penitenciária Estadual de Santa Maria, no distrito de Santo Antão, onde Leão permanece preso preventivamente, acompanhado de um escrivão. Segundo o delegado, o produtor reforçou as versões anteriores. Em outro depoimento marcado para ontem, Mauro Hoffmann, sócio da casa noturna, não fez declarações à polícia.

 

Zero Hora

 

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