Delegada dá aula gratuita de dança do ventre e muda a vida de alunas

SP: Silvana Sentieri Françolin, delegada, 32 anos de carreira Silvana Sentieri Françolin, delegada, 32 anos de carreira, titular do 56° DP, na Vila Alpina, e chefe de 52 policiais, começa o ritual: uma canção árabe, lânguida, depois rápida, invade a sala. “Que música linda”, se derrete uma aluna. As mulheres movem os quadris, desencadeando um […]

Por Editoria Delegados

SP: Silvana Sentieri Françolin, delegada, 32 anos de carreira

 

Silvana Sentieri Françolin, delegada, 32 anos de carreira, titular do 56° DP, na Vila Alpina, e chefe de 52 policiais, começa o ritual: uma canção árabe, lânguida, depois rápida, invade a sala. “Que música linda”, se derrete uma aluna. As mulheres movem os quadris, desencadeando um agradável chacoalhar de moedas e canutilhos que adornam as roupas de dançarinas.

 

Todas as segundas e sextas-feiras de manhã, Silvana, 57, dá aulas gratuitas de dança do ventre para moradoras do seu bairro, Sumaré, na zona oeste de São Paulo. Nos últimos 12 anos, acredita ter ensinado os movimentos orientais para cerca de 200 alunas, a maioria delas idosas.

 

Delegada dá aula de dança do ventre

Nesta segunda (14), a delegada mostrava os passos de uma nova coreografia, que será apresentada em uma festa anual para familiares. A sala, ampla e bem cuidada, cheia de detalhes em lilás, foi alugada e reformada por Silvana. “Gastei uns R$ 20 mil para fazer banheiros, colocar espelhos, ventiladores e refletores, mas ficou bonitinho”, conta, orgulhosa.

 

Para pagar o aluguel e as contas, ela subloca o espaço para professores de yoga e desembolsa cerca de R$ 800 por mês. “Faço com muito amor, então eu pago mesmo. Quem pode contribui com uma taxa de manutenção, de R$ 70. Mas muitas são aposentadas e não podem pagar”, explica. “Isso não importa. Considero um presente do universo poder fazer algo para melhorar a vida das pessoas.”

 

A delegada –que atuou em casos de repercussão, como o do assassinato da menina Isabella Nardoni– nunca tinha pensado em ser professora de dança. Começou “meio na brincadeira”, lembra. Caminhava sempre pelo parque Sabesp, no seu bairro, e conversava com os vizinhos. Algumas senhoras descobriram que ela fazia dança do ventre desde os 35 anos e quiseram aprender.

 

“Mostrei uns passinhos para meia dúzia de senhorinhas. Depois pensei: ‘Ah, quer saber? Vou levar música’. Liguei o som no parque e foi juntando gente. O pessoal passava e perguntava: ‘Que horas é a aula?’ Eu ficava sem graça: ‘Ai, gente, não é aula'”.

 

AUTOESTIMA

 

Aos poucos as reuniões viraram rotina, e Silvana se aprofundou no tema para “poder ensinar melhor”. Foram dez anos de dança no parque, até que o frio e a chuva a levaram a alugar a sala. “Também queria ter um espelho. É importante se olhar. As mulheres mais velhas e da minha geração não tinham um contato consigo mesmas. E quando dançam com o espelho, parece que enchem o peito. É emocionante”, diz.

 

Na aula, a professora ensina um movimento dos braços: “Faz como se estivesse tirando a blusa”. Uma das alunas completa: “E joga aquele olhar fulminante”. Elas riem.

 

Segundo Silvana, a dança ajuda na autoestima. “A mulher mais madura sente que perdeu a sensualidade. E a dança do ventre recupera isso”, afirma a empresária Fátima Fernandez, 62, aprendiz da delegada.

 

A aposentada Elba Sanhueza, 79, faz parte das primeiras integrantes do grupo. Para ela, a dança e as colegas a ajudaram a superar a morte do marido. “Me libertou de todos os pensamentos negativos”, resume.

 

A rede de apoio também foi importante para a arquiteta Lourdes Bauab, 57. “Tive câncer, operei, fiz quimioterapia, radioterapia. A alegria do grupo e a dança me fizeram passar pelo tratamento como se fosse um avião por nuvens brancas”. Com a dança, Lourdes recuperou a sensibilidade na barriga, perdida após uma cirurgia.

 

Silvana afirma que a dança do ventre melhora o equilíbrio e fortalece a musculatura. “Uma das alunas tinha incontinência urinária, agora não tem mais. Isso é muito gratificante para mim”. Casada e com dois filhos, Silvana transmitiu o amor pela dança para a família. “Eu levava o meu caçula para as aulas e hoje ele é professor de derbake, um instrumento de percussão árabe”, conta.

 

POLICIAL

 

Além de uma paixão, para Silvana, a dança do ventre é um “alicerce, uma fonte de equilíbrio”. A delegada diz que isso a torna uma chefe e policial mais justa.

 

“Policial é um trabalho sofrido, estressante. Você é mal remunerado e não tem as condições ideais. Eu fiquei 22 anos no plantão, de madrugada, chegava muito desgastada em casa do calor das ocorrências. E antes tinha cadeia na delegacia. Era uma centena de presos me chamando, aquele desespero, a miséria. Comecei a fazer dança para lidar com isso.”

 

A postura parece ter reflexos positivos no trabalho. Apelidada por seus colegas de “mestre Jedi”, em referência à saga “Star Wars”, Silvana é muito procurada para orientações profissionais. “Ela é tipo o nosso oráculo de Delfos, todo o conhecimento a gente vem aqui consultar: doutora, quais são os números da Mega-Sena?”, brinca um delegado.

 

Além da dança, Silvana pratica meditação e yoga, inclusive dentro da delegacia. “As pessoas assumem um papel profissional e esquecem da humanidade delas. Quanto mais humano o policial for, melhor”, afirma.

 

Ela abre uma porta lateral do escritório e, em tom de confidência, mostra uma salinha com colchonetes. Silvana paga do próprio bolso um professor de yoga, que dá aulas após o expediente. Infelizmente, diz ela, apenas cinco policiais participam.

 

Mesmo os que não aderem à yoga parecem nutrir certa admiração pela chefe. Ao chegar no 56° DP e perguntar por Silvana, um funcionário orienta: “Sobe a escada, vira à direita e procura a pessoa mais linda da delegacia”.

 

Estadão

 

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

 

Veja mais

Solidariedade, Respeito e Reconhecimento: Portal Nacional dos Delegados apoia delegado Charles Pessoa

Portal Nacional dos Delegados enaltece a atuação firme da Polícia Civil do Piauí no enfrentamento à criminalidade e na proteção dos cidadãos. Informar a sociedade sobre operações policiais é um

“É direito da população saber”, diz delegado-geral do PI após MP questionar publicações policiais

(PI) A divulgação de prisões e operações fortalece a segurança pública, auxilia investigações e desestimula a prática criminosa

Lei 15.410 cria nova modalidade de tortura

Por Francisco Sannini e Eduardo Cabette

Jacqueline Valadares é aprovada, pela 2ª vez, na Lista das Melhores Delegadas de Polícia do Brasil! Censo 2026

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Tania Prado é aprovada, pela 8ª vez, na Lista das Melhores Delegadas de Polícia do Brasil! Censo 2026

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

A Terminologia “Operação Policial” no Âmbito das Polícias Judiciárias: Delimitação Conceitual a partir da Análise Normativa Comparada

Por Joaquim Leitão Júnior, Denize dos Santos Ortiz e Bárbara Lopes Gomes

Polícia Civil da Paraíba prende sobrinho que tentou matar tios em disputa de terrenos

(PB) O sobrinho é investigado por diversos episódios de violência contra familiares, incluindo três tentativas de homicídio contra os tios
Veja mais

Francini Ibrahin é aprovada, pela 5ª vez, na Lista das Melhores Delegadas de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 FRANCINI IBRAHIN
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

PF lança consulta externa para verificação de documentos emitidos aos CACs

21MAI26 -
Iniciativa da instituição amplia a segurança e a confiabilidade na conferência documental

Secretário de Segurança do Piauí visita Sindicato dos Delegados de Polícia

(PI) Presidente do SINDEPOL/PI, Higgo Martins e demais delegados recepcionaram o secretário de segurança Antônio Luiz

Novas leis endurecem combate à violência doméstica e ampliam proteção às mulheres

21MAI26 - (1)
Por Francini Imene Dias Ibrahin

Humberto Teófilo segue, pela 2ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 HUMBERTO TEÓFILO
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Adepol/MA solicita adoção de critérios objetivos para garantir maior igualdade nas designações da Polícia Civil

18MAI26 -
(MA) De acordo com o presidente da Adepol/MA, Dr. Marcio Dominici, o objetivo é estimular a construção de mecanismos que fortaleçam a igualdade interna e reduzam percepções de favorecimento.

Renorcrim e Recupera reforçam integração no combate ao crime organizado

(BA) Encontro em Salvador reúne mais de 300 profissionais para debater investigação financeira e cooperação entre instituições
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.