O governo federal definiu o atual secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, para assumir o comando da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A confirmação foi feita pelo ministro da Justiça, Wellington César, em declaração à CNN Brasil, na noite de terça-feira (21), com atualização na manhã de quarta-feira (22).
A escolha atende a uma demanda do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), presidido por Jean Francisco Bezerra Nunes, (Censo dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil, Categoria Gestão), defendia o nome do piauiense para ocupar a função estratégica na estrutura federal. Integrantes do colegiado chegaram, inclusive, a articular a indicação de Chico Lucas para chefiar o próprio Ministério da Justiça, antes da definição final do Palácio do Planalto.
Saída de Mário Sarrubbo e reorganização da pasta
Chico Lucas assumirá o lugar de Mário Sarrubbo, que já havia sinalizado que não permaneceria na Senasp após a saída de Ricardo Lewandowski do comando do ministério, ocorrida no início do mês. Com a mudança, o novo ministro busca concluir o desenho definitivo da equipe ainda nesta semana.
De acordo com fontes do ministério, devem permanecer nos cargos:
- André Garcia, na Secretaria Nacional de Políticas Penais;
- Marta, à frente da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos;
- Sheila de Carvalho, responsável pela Secretaria de Acesso à Justiça.
Outros dois nomes ainda devem ser anunciados para completar o secretariado.
Perfil político e atuação no Piauí
Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Chico Lucas construiu uma imagem de gestor com postura considerada rígida na condução da segurança pública. No Piauí, sua administração é avaliada positivamente por técnicos da área e por integrantes do Consesp.
Em 2025, o estado registrou os menores índices de mortes violentas dos últimos dez anos, resultado frequentemente citado como referência em debates nacionais sobre políticas de enfrentamento à criminalidade. Durante sua gestão, Chico Lucas também coordenou o projeto piloto do “celular seguro”, iniciativa posteriormente adotada pela gestão Lewandowski em âmbito federal.
O secretário costuma afirmar que “no Piauí, não há medo de prender”, discurso interpretado como uma tentativa de conciliar uma política de segurança firme com garantias legais, posicionando-se entre correntes mais abolicionistas e abordagens estritamente punitivistas.
Expectativa no governo federal
No Ministério da Justiça, a avaliação é de que a chegada de Chico Lucas pode fortalecer a articulação entre União e estados, além de conferir maior uniformidade às políticas nacionais de segurança pública. A experiência administrativa e o trânsito político do novo secretário junto aos gestores estaduais pesaram na decisão final do governo.
A nomeação ocorre em um momento de reorganização interna da pasta e de retomada de debates estratégicos sobre o papel da União no combate à violência, com expectativa de maior integração entre inteligência policial, políticas preventivas e gestão de dados nacionais.
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