‘Brincadeira de mau gosto’, diz vítima de lista ofensiva no WhatsApp

Indicações são de ‘os mais chatos’, ‘os mais cornos’, entre outros As listas repassadas entre celulares por meio do aplicativo WhatsApp viraram caso de polícia em Tanabi (SP) depois que seis pessoas procuraram a delegacia para denunciar a “brincadeira”, que elenca de forma ofensiva, diversas pessoas da cidade classificando-as como “os mais chatos,” “os […]

Por Editoria Delegados

Indicações são de ‘os mais chatos’, ‘os mais cornos’, entre outros

 

As listas repassadas entre celulares por meio do aplicativo WhatsApp viraram caso de polícia em Tanabi (SP) depois que seis pessoas procuraram a delegacia para denunciar a “brincadeira”, que elenca de forma ofensiva, diversas pessoas da cidade classificando-as como “os mais chatos,” “os mais gays” e “os mais cornos”, entre outras ofensas.

 

O comerciante Davi Goes conta que saiu em três listas. “Falaram que eu era o mais fofoqueiro, mas saí em três listas. Mas eu não levei muito a sério, levei na brincadeira. Mas muitas pessoas estão aterrorizadas porque saíram na lista, que não deveria acontecer. Uma brincadeira de muito mau gosto, mas não me prejudicou porque levei na esportiva”, afirma.

 

Com nome e sobrenome, a lista foi parar na delegacia, que agora vai investigar a origem das mensagens. A cidade tem 25 mil habitantes e não se fala em outra coisa. “Achei um absurdo o comportamento dessa pessoa, que prejudicou muita gente, tem pessoas apanhando no trabalho. Acho que foi um comportamento terrível que pode ter, não cuidar da própria vida e falar mal da vida dos outros. A cidade é pequena e todo mundo conhece todo mundo. Algumas listas são de mau gosto e de má intenção”, diz o comerciante.

A lista gerou até uma briga entre três pessoas. Uma mulher de 35 anos e a irmã, de 31, agrediram uma terceira mulher, de 23 anos, ao descobrirem a origem de seus nomes na lista. “Elas alegam que a mulher repassou a mensagem, foram tirar satisfação e acabaram se agredindo”, afirma o delegado José Francisco de Mattos Neto, que investiga o caso. As duas mulheres que estariam na lista registraram queixa por injúria e foram liberadas. A mulher acusada por elas de repassar a lista fez boletim de ocorrência por agressão e negou que tivesse repassado os nomes.

 

As vítimas comentam que estão sofrendo preconceito na rua e no trabalho. Elas querem que a polícia descubra quem começou a compartilhar o conteúdo pelo aplicativo. O delegado diz que o autor das listas deve responder pelo crime de injúria. Quem ajudou a espalhar o material também pode ser punido. “É difícil, mas vamos tentar. Só o fato da pessoa estar repassando a lista pode ser classificado como injúria e chegaremos a estas pessoas. E o pior é que os nomes são acrescidos, a cidade é pequena e todos vão sabendo quem são. Muitos acham que a internet é terra de ninguém e se sentem a vontade para ofender as pessoas, mas não é bem assim”, alerta Neto.

 

Outro caso

 

Histórias como esta tem se tornado cada vez mais comum. Em novembro do ano passado, a polícia de Catanduva (SP) começou uma investigação para identificar o criador de oito vídeos que foram espalhados pelo aplicativo de celular. Fotos de jovens e adolescentes foram editadas com frases contendo ofensas. Até agora ninguém foi punido.

 

 Davi Goes saiu em lista, levou na esportiva, mas acha brincadeira de mau gosto (Foto: Reprodução/ TV TEM)

 

G1

 

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