Abr 19, 2021

Policiais criticam governo Bolsonaro por vacinação lenta contra covid-19

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Como se não bastasse a decepção com o tratamento dado aos profissionais de segurança pública na PEC Emergencial, que tem provocado protestos da categoria contra Jair Bolsonaro, os policiais apresentam agora mais um motivo para reclamar do ocupante do Palácio do Planalto.


O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva (imagem), cobra que o governo acelere a campanha de vacinação. "Nosso pessoal trabalha na linha de frente e está adoecendo, ficando com sequelas", contou Paiva à coluna. "Estamos no grupo prioritário, mas a fila está muito lenta".

O presidente da associação dos delegados diz que a categoria não quer privilégio, mas apenas que a campanha de vacinação seja efetiva.

Sobre as repetidas declarações de Bolsonaro minimizando a gravidade da pandemia, Paiva comentou: 'É a avaliação dele, mas acho que os fatos já demonstram o tamanho da situação em que nós estamos envolvidos". A entidade emitiu nota pública cobrando mais celeridade na imunização.

A ADPF é integrante da União dos Policiais do Brasil, que congrega representantes de vários tipos de profissionais da segurança pública no país. Desde a aprovação da PEC Emergencial, que permite a governantes adiar por até 15 anos a concessão de aumentos a servidores públicos, os policiais têm feito manifestações contrárias ao governo.

Paiva traduz o que os profissionais de segurança pública, que em bom número votaram em Bolsonaro, pensam do presidente atualmente. "O sentimento dos policiais que estão fazendo protesto público é de decepção", resume ele. "Na campanha, o discurso era de valorização da categoria e isso não está se concretizando".


Agora, a preocupação dos policiais é com a reforma administrativa, que poderá representar mais perdas para os trabalhadores da segurança. Por isso, estão marcadas para a segunda-feira manifestações à frente de todas as unidades da Polícia Federal do país.

Os delegados do Rio cogitam, inclusive, entregar os cargos de chefia em protesto contra o governo Bolsonaro. "Não houve nada de concreto até o momento, mas essa movimentação existe e pode se espalhar pelo país", admite Paiva.

A nota púbica da entidade destaca que os policiais federais e demais profissionais da segurança pública chegam "a março de 2021 com ainda mais contaminados e mais óbitos, com tendência a aumentar ainda mais em razão das novas cepas do vírus que surgem e nenhuma previsão de vacinação".

"Os policiais são essenciais para a sociedade e para as suas famílias, em que quase sempre são os provedores. Então reitera-se a pergunta: quando as forças de segurança pública serão vacinadas? Quando a população brasileira poderá ver também um horizonte mais promissor, uma perspectiva mais alentadora? Esperamos que logo essas perguntas sejam respondidas e as medidas necessárias sejam tomadas com máxima urgência", finaliza o texto.


UOL

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