Nov 25, 2020
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SÃO PAULO

Um escrivão e uma carcereira do 1º Distrito Policial de Salto, cidade a 107 km de São Paulo, confirmaram nesta sexta-feira (14) à Corregedoria da Polícia Civil e aos seus superiores que uma comerciante de 52 anos teve a bolsa roubada por assaltantes dentro da delegacia no final da tarde de quinta-feira (13). Ela tinha ido registrar o furto de seu telefone celular, mas saiu de lá sem R$ 13.500 que estavam dentro de sua bolsa.

Os criminosos fugiram diante dos policiais, que não fizeram nada para impedir o roubo, segundo a vítima. Ela havia sacado a quantia no banco horas antes. A bolsa foi encontrada jogada na rua sem o dinheiro. Durante a confusão, a mulher entrou em luta corporal com um dos assaltantes e machucou o braço, que precisou ser enfaixado.

Em suas defesas, o escrivão e carcereira contestam a versão da mulher de que eles viram a ação criminosa e não fizeram nada. Eles alegam que estavam trabalhando em salas separadas do plantão policial e, por isso, não assistiram ao assalto. Disseram ainda que ouviram uma “gritaria”, acharam se tratar de uma briga de casal, quando se deram conta foram ver o que acontecia e viram homens saírem com a bolsa da mulher. Só depois eles teriam percebido que eram assaltantes em fuga.

Além dos policiais, uma atendente, funcionária da prefeitura, estava na delegacia. Ouvida, ela alegou que o roubo foi muito rápido e por isso não conseguiu pedir socorro para a comerciante. Dos três funcionários que estavam no DP, somente o escrivão e a carcereira estariam armados.

'Não houve nem tempo de reação'


“Os policiais disseram que não intervieram porque não houve tempo hábil e custaram a entender o que estava acontecendo. No momento em que a mulher chegou à delegacia, atendente estava conversando com outras pessoas. O escrivão estava na sala, fazendo o trabalho dele. A carcereira em outra sala, cuidando de pendências administrativas. Ou seja, eles não estavam vendo o que acontecia no plantão. Policiais disseram que não houve nem tempo de reação. Quando ouviram gritaria, os bandidos estavam fugindo. A ousadia foi tão grande que nem suspeitaram do roubo. Acharam que fosse uma briga de casal”, afirmou por telefone ao G1 na manhã desta sexta o delegado seccional de Sorocaba, André Moron. Ele é o superior dos delegados em Salto.

Ainda de acordo com o delegado seccional, dois investigadores e um delegado do 1º DP não estavam na delegacia no momento do crime porque estavam trabalhando em outros locais. “Os investigadores estavam na rua, em diligência. O delegado, no fórum”, disse Moron.

Assaltantes podem ter confundido delegacia

Segundo o seccional, os policiais que não impediram o roubo dentro da delegacia disseram que os criminosos estavam seguindo a vítima desde o banco e, por esse motivo, talvez tenham confundido o DP com qualquer outra repartição pública. “Como a delegacia funciona numa casa improvisada, ao lado de uma creche, os policiais acham que os assaltantes não são da região. Eles acreditam que os bandidos não pensaram que estavam dentro de uma unidade policial. Afinal de contas, foi uma ação bastante ousada”, disse o delegado Moron.

Apesar de afirmar que quer acreditar na versão do escrivão e da carcereira, o seccional classificou como “um absurdo” o roubo dentro do 1º DP. “Essa ocorrência é um absurdo. Em 22 anos trabalhando na polícia, nunca ouvi falar disso. Se houve erro deles, foi a demora no entendimento daquilo do que estava acontecendo”, disse Moron.

O delegado informou que ainda vai avaliar se é o caso de se repensar a questão da segurança nos distritos. “Vou analisar o que aconteceu para saber se há necessidade de alguma mudança em relação a isso”, afirmou o seccional. Ainda, segundo ele, todo o efetivo da polícia da região de Sorocaba está na busca dos criminosos.

O delegado titular da 7ª Corregedoria Auxiliar de Sorocaba, Marcio Vieira Rodrigues, instaurou inquérito policial para apurar no âmbito administrativo os fatos relacionados à ocorrência. O órgão investiga se o escrivão e a carcereira cometeram prevaricação ou omissão de socorro por não impedirem o roubo dentro da delegacia. A atendente, que não é policial, também é averiguada.

Nenhum dos três funcionários que estavam na delegacia têm qualquer punição no currículo. Eles não foram trabalhar nesta sexta porque estão à disposição da corregedoria. Caso sejam considerados culpados, poderão ser punidos ou dispensados do serviço público.

 

 

G1

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