Mar 29, 2020

Delegada Anamelka relembra situação constrangedora no trânsito

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Delegada Anamelka Cadena (PCPI) 

A convidada para a sabatina do Baphon desta quarta-feira (18/12), foi a delegada da Polícia Civil do Piauí, Anamelka Cadena. Anamelka, que também atua como Diretora de Gestão Interna e Subsecretária de Segurança Pública do Piauí, possui mais de 210 mil seguidores no seu Instagram onde compartilha o seu dia a dia na delegacia, além da maternidade.

Recentemente, Anamelka figurou na lista dos melhores delegados do país feita pelo Portal Nacional Delegados pela terceira vez consecutiva. “Fico demasiadamente grata a todos os responsáveis pela indicação! As funções mudam, mas o trabalho é perene e o reconhecimento galgado em cada passo dessa caminhada me faz sentir ainda mais responsável em buscar desenvolver meu trabalho com mais empenho e dedicação”, afirmou.

Confira a entrevista completa:

- Como foi a sua infância?

“Eu tive uma infância super tranquila, eu era uma criança pouco falante que até surpreende os meu familiares hoje em dia. Eu não era animada, era muito introspectiva, mas tudo mudou, fui amadurecendo e me animando mais. Em relação a profissão eu sempre pensava na área da saúde, cresci pensando na possibilidade de ser médica, dentista, isso mudou muito com o tempo principalmente quando estava indo para a faculdade. Eu queria fazer psicologia e não tinha referencial nenhum na família para o lado do direito. Mas depois eu realmente me interessei pelo curso e principalmente pelo leque de oportunidades que o curso trazia. O fato é que desde muito jovem lá em casa tinha essa ideia de que o estudo que garante uma vida tranquila, é muito bom a gente alimentar as crianças com essas possibilidades, eu sempre cresci com essa historinha e dei continuidade”.


- Você sempre foi loira?

“Quando eu era novinha o cabelo era meio claro, mas não era loira, minha irmã que era”.


- Quando você sentiu que queria ser delegada?

“É uma profissão linda, por isso hoje é tão almejado, todo mundo quer, cada vez mais as mulheres querem ingressar nessa carreira, quando eu fazia o curso eu me apaixonei por direito penal e uma profissão que te trazia é o delegado de policia. Na área policial tem essa proximidade com a população e quando eu entrei fui mais cativada ainda porque tive a possibilidade de atuar no enfrentamento a violência contra a mulher, é uma causa muito nobre, as mulheres tem empatia muito forte com essa causa, eu me sentia fazendo alguma coisa pelo mundo, me dando importância e eu terminei me entregando muito, passava o dia na delegacia, saia a noite e apaixonada. Passei no concurso com 25 anos e assumi aos 26 anos.



- Você já sofreu algum preconceito?

“Não falado, mas a gente não tem dúvida e nos mulheres quando ingressamos nas nossas carreiras a gente tem que redobrar o nosso desempenho para realmente ser notada e respeitada, senti muito isso pela idade, pelo fato de ser mulher, eu tinha que conquistar a confiança daquela equipe, eram policiais bem mais antigos que eu, tinham que ser direcionados para aquilo que eu ordenava, mas com o tempo eu senti que conquistei a confiança deles, antes diziam que eu era verdinha”.


- Você vive mais tempo no trabalho do que com a família. Existe a parte ruim de ser delegada?

“Eu realmente amo essa profissão, eu ostento essa profissão com muito amor, quem me acompanha na rede social sabe a paixão que tenho pela minha profissão. É claro que tem suas dificuldades de forma informal, às vezes você esta tranqüilo em casa e você é buscado, isso é realmente doloroso, mas parte muito de mim, gosto do que eu faço, acabo me entregando além, mas a família cobra, pedem para eu largar o celular”.



- Você já passou por alguma situação constrangedora?

“Na realidade nenhuma situação com a conotação especificamente sexual, mas de gênero, eu sofri uma violência no transito. Eu estava sozinha dirigindo o meu carro voltando para casa e nesse caminho durante uma curva um homem me ultrapassou pela direita. Eu segui o carro porque queria pegar a placa, quando ele parou eu imaginei que a gente ia dialogar, mas não teve diálogo nenhum, ele desceu do carro perguntando como é que ia ser, eu perguntei se ele ia pagar, ele disse que não, quem tinha errado era eu. Ele foi para cima, arrancou a placa do meu carro, tentou pegar minha bolsa e acabou machucando minha mão. Tive que pedir reforço, ele foi preso e na Central de Flagrantes a performance dele foi totalmente diferente. Lá a cada momento que eu tentava apaziguar a situação ele crescia e na Central disse que estava de cabeça quente”.



- Você já foi ameaçada de morte?

“Não, nunca fui. Diretamente nenhuma ação nem falada, nem por escrita. Eu sempre fiz meu trabalho com muito respeito aplicando a lei, independente da pessoa, sempre fiz tudo direito e respeitei os limites que a lei me impôs, não é porque a gente é policial a gente tem que chegar desrespeitando a lei, nos somos aplicadores da lei”.



- Como você consegue dar conta da casa, do marido, do filho, da profissão e ainda andar sempre impecável parecendo uma Barbie?

“São questões pessoais, eu nunca deixei que isso atrapalhasse meu trabalho, se vou para uma operação 5 da manhã, antes a gente se reúne em algum ponto, quando a gente esta nessas reuniões tem que ser pontual porque la são passadas as diretrizes. Eu não vou priorizar um batom, um cabelo, agora se der para conciliar, estou na área toda maquiada, eu gosto, é uma escolha, algo pessoal, eu sou super vaidosa, adoro me pintar, não pode é atrapalhar o trabalho. Uma hora antes de se reunir eu já começo a me maquiar”.



- Você tem 211 mil seguidores de todos os tipos e gêneros que acompanham as suas ações. Você se considera uma influencer?

“O produto que eu ofereço na rede social é muito difícil de ser comprado, é claro que tem algumas partes do dia a dia, final de semana, mas eu proponho muitas informações, compartilho ações que estou participando na Secretaria de Segurança Pública, posicionamentos políticos muitas vezes, então a oferta desse produto é muito difícil de cativar a pessoas, por isso eu fico muito lisonjeada quando vejo essa quantidade de seguidores. Desses 211 mil, 13% é só Teresina, é muita gente que me dá feedbacks. Acredito que se é para influenciar positivamente e impactar eu fico muito feliz, meu perfil é uma mistura de tudo, mas levar informação é o viés mais importante para mim”.

 

- Você ganha recebidos ? Troca @?

“Sim, muitos. eu chego em casa do trabalho e já sou surpreendida, acho um carinho muito grande, muitas vezes os recebidos vem com cartões, pessoas que acompanham o meu trabalho, que não é só meu, é nosso trabalho em equipe e isso ser reconhecido em uma gentileza dessas o mínimo que eu posso fazer é gravar um storie e mencionar o @“.



- Você gosta de dançar?

“Eu era uma criança e uma adolescente muito retraída, dançava pouco ou quase nada”.



- Qual seu ritmo musical preferido?

“Eu sou muito eclética, gosto de sertanejo, reggae, pop rock … xiola é animado, às vezes estou em uma festa e engato uma dança , mas não tenho muito jeito”.



- Você já dirigiu uma viatura?

“Não, ainda não, sempre tive ao lado do colega que está dirigindo, mas é porque sempre estava em equipe, se necessário for eu dirijo”.



- Algum meliante já deu em cima de você?

“Eles não tem essa coragem, eles já vão conduzidos, algemados a maioria das vezes estão em uma situação de dominação, é muito pânico para lembrar de uma piadinha”.



- Qual seu recado para finalizar?

“Eu fico muito feliz quando recebo mensagens de mulheres dizendo que se inspiram no meu trabalho, a gente tem tão poucas mulheres na polícia, nós precisamos das mulheres não só para olhar as pautas de defesa da mulher, mas em todos os âmbitos. Você pode usar um batom, pode botar um salto, mas tem dias que tem ser botinha tática mesmo, a policia não vai te hostilizar por causa disso, muito pelo contrário, você é muito bem recebido. É uma profissão que não tem rotina, um dia você está um dia na delegacia fazendo inquérito, digitando, no outro dia está na rua cumprindo mandados. Você vê a importância social que a carreira tem, quando a gente vai para o interior as pessoas respeitam tanto o nosso trabalho, então meninas venham para a polícia”.



- E para os haters?

“Haters, não adianta, não tem democracia na minha rede social, só fica quem gosta, se não gostar vai para outra”.


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