Polícia deflagra 2ª fase da operação contra fraudes no concurso para delegado

GO: Cumpridos 26 mandados, sendo 13 de busca e apreensão e 13 de condução coercitiva A Polícia Civil realizou nesta quinta-feira (4) a segunda fase da Operação Porta Fechada, que investiga fraudes no concurso para delegado em Goiás. Foram cumpridos 26 mandados judiciais, sendo 13 de busca e apreensão e 13 de condução coercitiva. […]

Por Editoria Delegados

GO: Cumpridos 26 mandados, sendo 13 de busca e apreensão e 13 de condução coercitiva

 

A Polícia Civil realizou nesta quinta-feira (4) a segunda fase da Operação Porta Fechada, que investiga fraudes no concurso para delegado em Goiás. Foram cumpridos 26 mandados judiciais, sendo 13 de busca e apreensão e 13 de condução coercitiva. Em março, a corporação descobriu que uma quadrilha cobrava entre R$ 120 mil a R$ 365 mil por vaga.

Os mandados foram cumpridos pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Dercap) em Goiânia, cidades do interior e no Distrito Federal. Entre as pessoas investigadas e que serão ouvidas pela polícia estão 11 candidatos, um suposto aliciador e uma mulher, que ainda não teve o envolvimento na quadrilha definido.

Dos candidatos, nove passaram entre as primeiras posições. São eles: Hélio Pedro Carvalho Filho, Tasso Mendonça de Siqueira, Flávio de Souza Carneiro, Simone Marques Rassi, Aílton Rodrigues Moreira Júnior, José Deusimar Jorge de Oliveira, Fábio Júnior das Neves e os irmãos Godric Gonçalves Gomes Lima e Golbery Gonçalves Gomes de Lima. Estes dois últimos são do Distrito Federal.

Os outros dois que negociaram a vaga, mas não pagaram e não foram aprovados são Marco Antônio de Souza Vieira e Diego Vieira da Silva.

O nomes do suposto aliciador e da outra mulher que teria envolvimento não foram divulgados.

Defesas

À TV Anhanguera, o advogado de Fábio Júnior e Hélio informou que não vai se pronunciar no momento. Já o defensor de José Deusimar não atendeu às ligações.

O defensor e pai de Tasso Mendonça de Siqueira, Pedro Marcio Mundim de Siqueira, informou que o filho não tem qualquer envolvimento com a fraude e, devido a uma infecção alimentar, nem chegou a fazer a segunda fase do concurso.

Siqueira afirmou ainda que também foi conduzido à delegacia para depor sobre a fraude. “Eu apresentei um contador ao médico que foi preso suspeito de ser o aliciador desse esquema e ele disse à polícia que, como eu conhecia o médico, estava envolvido na fraude também. Mas nem prestei o concurso, não tenho nenhum envolvimento e os depoimentos vão mostrar isso”, afirmou.

O G1 entrou em contato com Flávio de Souza Carneiro, que é advogado, mas as ligações para o escritório e para o celular não foram atendidas até a publicação dessa reportagem.

 

A defesa de Ailton Rodrigues Júnior disse à TV Anhanguera que ele segue à disposição da Justiça. Quanto ao teor das investigações, a defesa ainda não obteve acesso e irá se manifestar no momento oportuno. Ressaltou, ainda, que ele desconhece qualquer suposta fraude ocorrida no certame.

A defesa de José Deusimar informou que ele não vai se pronunciar. Já os advogados dos irmãos Godric e Golbery Gonçalves Gomes de Lima não responderam aos questionamentos.

O advogado Eduardo Silveira, que defende Simone Rassi, disse que sua cliente “foi ouvida porque tirou nota acima de 7,0 e que não possui qualquer vínculo com os demais ouvidos e/ou envolvimento com o ocorrido e que aguarda a conclusão das investigações com ansiedade, pois, provará que não participou ou coadunou com a suposta fraude”.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Diego Vieira da Silva e Marco Antônio de Souza Vieira.

De acordo com as investigações, entre os candidatos estão o filho do suposto aliciador, um empresário que não tem nenhuma formação em direito, conforme exigia o edital, e o candidato aprovado em primeiro lugar. Nenhuma das pessoas conduzidas coercitivamente foi presa em março quando foi feita a primeira parte da operação.

Depois de ouvidos, os investigados vão ser liberados. A polícia também apreendeu diversos celulares e documentos.

O concurso está suspenso por decisão da Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás (Segplan), responsável pela seleção, e por liminar do Tribuna de Justiça.

Irregularidades

No dia 12 de março, cinco pessoas foram presas após a segunda fase do concurso suspeita de envolvimento na fraude. O médico Antônio Carlos da Silva Francisco, apontado como aliciador do esquema, além do bacharel em direito Armando Colodeto Júnior, o contador Fábio Alves de Oliveira, o ex-vereador de Palmeiras de Goiás, Magno Marra Mendes e Suzane Fonseca dos Santos, que teriam adquirido as vagas. Eles foram liberados após audiência dois dias após a detenção.

Em depoimento, três dos suspeitos confessaram a fraude. Em um áudio, Suzane Fonseca disse que pagou cerca de R$ 5 mil aos aliciadores do esquema, que chegaram a exigir que ela até vendesse a casa da mãe para pagar o restante do valor combinado.

 

Certame

A Segplan divulgou o edital do concurso em novembro de 2016. O processo conta com 36 vagas com salário de R$ 15.250,02.

O processo seletivo é composto por oito etapas: provas objetivas, provas discursivas, avaliação médica, avaliação de aptidão física, exame psicotécnico, avaliação de vida pregressa e investigação social, curso de formação profissional e avaliação de títulos.

Os concorrentes precisam ter diploma de curso superior de bacharel em direito. A jornada é de 40 horas semanais e exige disponibilidade para viagens.

O prazo de validade do concurso é de seis meses a partir da data de publicação da homologação do resultado final, podendo ser prorrogado por igual período.

G1

 

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