Para 27% dos universitários, abusar de garota bêbada não é violência

Medo já fez 36% das mulheres deixaram de fazer atividades acadêmicas Uma pesquisa feita com homens e mulheres estudando em universidades brasileiras mostra que 27% dos homens entrevistados acreditam que, se uma garota tiver bebido demais, abusar dela não é uma forma de violência. A pesquisa “Violência contra a mulher no ambiente universitário”, realizada […]

Por Editoria Delegados

Medo já fez 36% das mulheres deixaram de fazer atividades acadêmicas

 

Uma pesquisa feita com homens e mulheres estudando em universidades brasileiras mostra que 27% dos homens entrevistados acreditam que, se uma garota tiver bebido demais, abusar dela não é uma forma de violência. A pesquisa “Violência contra a mulher no ambiente universitário”, realizada pelo Instituto Avon e pelo Data Popular e divulgada nesta quinta-feira (3), também afirma que 14% dos homens e mulheres estudantes conhecem casos de mulheres estupradas, 13% dos homens já cometeram pelo menos um tipo de violência sexual, e 28% das mulheres já sofreram algum tipo de violência dessa natureza.

 

A pesquisa consultou especialistas e coletivos de estudantes universitárias para definir uma lista de tipos de violência contra a mulher. Entre os exemplos estão a agressão física, o estupro, o assédio sexual, a coerção (ser obrigada a ingerir bebidas alcoólicas ou drogas, ou ser drogada sem consentimento).

 

Também são consideradas violência a desqualificação intelectual e a agressão moral ou psicológica, inclusive ser xingada por rejeitar uma investida e ser incluída em rankings de beleza ou atributos sexuais sem autorização (veja todos os tipos de violência ao final da reportagem).

 

O levantamento ouviu um total de 1.823 estudantes de graduação e pós-graduação de todo o país: 1.091 são mulheres e 732, homens. A maior parte dos entrevistados são da classe média (53%) ou alta (36%) e 76% deles estudam em universidades e faculdades particulares. As perguntas envolveram tanto as atividades que ocorrem dentro das salas de aula como nos demais ambientes universitários, incluindo as festas e confraternizações entre estudantes.

 

Tanto os homens quanto as mulheres concordaram, na maioria das vezes, que a violência contra a mulher deve ser um tema debatido nas aulas, e que as faculdades precisam “criar meios de punir os responsáveis por cometer violência contra mulheres na instituição”.

 

Entre as universitárias:

 

56% sofreram assédio sexual

49% sofreram desqualificação intelectual

12% foram forçadas a ingerir bebida alcoólica

11% sofreram tentativa de abuso sob efeito de álcool

10% sofreram violência física

63% das que sofreram violência não reagiram

 

Percepção dos homens

 

De acordo com o documento, “algumas das violências listadas são ainda vistas por boa parte dos rapazes como consequências naturais do comportamento da mulher ou brincadeiras sem intenção de ofender ou intimidar”.

 

Aos homens, os pesquisadores perguntaram “quais das seguintes ações feitas contra uma mulher nas dependências da instituição de ensino, festas acadêmicas, competições ou trotes são formas de violência”. Além de apenas 27% dos entrevistados terem dito que “abusar da garota se ela estiver alcoolizada” não é uma violência, 35% disseram que também não é uma violência “coagir uma mulher a participar de atividades degradantes, como desfiles e leilões”.

 

Repassar fotos ou vídeos das colegas sem autorização delas não foi considerada uma forma de violência para 31% dos homens que participaram da pesquisa.

 

Para 27 dos universitrios abusar de garota bbada no violência.

 

Medo no ambiente acadêmico

 

Entre as perguntas direcionas apenas pelas mulheres, a pesquisa revela que 11% das universitárias mulheres disseram que já sofreram uma tentativa de abuso quando estavam sob efeito de álcool, e 36% delas já deixaram de fazer alguma atividade na universidade, por medo de sofrer alguma violência.

 

“Tentaram me agarrar, me beijar à força, como se fosse brincadeira. Todo mundo achou graça. Menos eu”, afirmou uma das entrevistadas.

 

Uma em cada dez mulheres disse ainda que sofreu algum tipo de violência física (sem conotação sexual), e 4% dos homens admitiram terem cometido violência física contra uma mulher no ambiente universitário.

 

“Os veteranos me pediram para beijar um deles, que seu eu não beijasse iam tirar meu sutiã. Não quis e eles começaram a me bater. Minha amiga não quis beber, jogaram pinga nos olhos dela”, relatou uma estudante à pesquisa.

 

A maioria das mulheres, ao sofrerem algum tipo de violência, se intimida: 63% delas afirmaram que não reagiram quando sofreram a violência.

 

Significado de violência

 

A pesquisa mostrou ainda que algumas atitudes consideradas como uma violência são naturalizadas tanto por homens quanto pelas mulheres.

 

Segundo os dados, só 10% das universitárias relataram espontaneamente terem sofrido violência de um homem na universidade ou em festas acadêmicas. Mas, quando recebem uma lista com tipos de violência, 67% das mulheres reconheceram que foram submetidas a pelo menos um destes tipos.

 

Já entre os homens, só 2% admitiram espontaneamente que já cometeram algum ato de violência contra uma mulher na universidade ou em festas acadêmicas. Considerando a lista de tipos de violência elaborada pela pesquisa, esse número subiu para 38%.

 

Formas de violência contra a mulher na universidade:

 

Assédio sexual: Comentários com apelos sexuais indesejados / Cantada ofensiva / Abordagem agressiva

 

Coerção: Ingestão forçada de bebida alcoólica e/ou drogas / Ser drogada sem conhecimento / Ser forçada a participar em atividades degradantes (como leilões e desfiles)

 

Violência sexual: Estupro / Tentativa de abuso enquanto sob efeito de álcool / Ser tocada sem consentimento / Ser forçada a beijar veterano

 

Violência física: Sofrer agressão física

 

Desqualificação intelectual: Desqualificação ou piadas ofensivas, ambos por ser mulher

 

Agressão moral/psicológica: Humilhação por professores e alunos / Ofensa / Xingada por rejeitar investida / Músicas ofensivas cantadas por torcidas acadêmicas / Imagens repassadas sem autorização / Rankings (beleza, sexuais e outros) sem autorização

 

G1

 

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