Número de roubos bate recorde no Rio, e Copacabana tem aumento de 213% em 2 anos

RJ: Crimes na região da 12ª DP passaram de 165 para 516 Fosse Copacabana a Princesinha do Mar – seu mais famoso apelido – deixaria a coroa guardada ou provavelmente já a teria perdido num roubo. O crime bateu o recorde histórico em abril no Rio – 12.089 casos registrados pelo Instituto de Segurança […]

Por Editoria Delegados

RJ: Crimes na região da 12ª DP passaram de 165 para 516

 

Fosse Copacabana a Princesinha do Mar – seu mais famoso apelido – deixaria a coroa guardada ou provavelmente já a teria perdido num roubo. O crime bateu o recorde histórico em abril no Rio – 12.089 casos registrados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) – e atingiu em cheio as áreas turísticas da cidade, em especial Copacabana. O bairro viu um crescimento de 213% nos registros de roubo em dois anos.

 

Desde 2012, o número de roubos está aumentando no Rio. E nos últimos dois anos tem crescido mais nas áreas turísticas do que na média da cidade.

O maior aumento de registros ocorreu na área de cobertura da 12ª DP (Copacabana), onde os roubos passaram de 165 para 516, na comparação entre os quatro primeiros meses de 2015 e de 2017.

Para o delegado Gabriel Ferrando, responsável pela área, explica que não se pode levar em consideração os números sem analisar outros dados sobre o bairro.

 

“Copacabana tem uma população flutuante muito grande, que recebe diariamente um grande fluxo de visitantes que vão para a praia, de turistas e de pessoas que são atraídas para grandes eventos, como competições e shows na areia. E local com grande concentração de pessoas é um atrativo para ladrões. Principalmente quando o lugar vive cheio de turistas, que têm um poder aquisitivo mais elevado. Isso explica parte do número elevado de roubos”, disse Ferrando, acrescentando que os roubos de rua representam 30% dos registros diários na delegacia.

As maiores incidências, segundo ele, são os chamados crimes domésticos, de rua: roubos de pedestre, em coletivos, de celular e de veículo. Que são crimes de oportunidade, ou seja, rápidos, pontuais e mais complicados de se combater.

Segundo Ferrando, como boa parte das vítimas é turista, que não passa em média quatro dias na cidade, o roubo acaba subnotificado. O delegado diz que os turistas desconhecem o programa Delegacia Virtual e não querem perder um dia da viagem numa delegacia.

 

Roubos em Copacabana

Moradora de Copacabana, Patrícia Mota contou que vive assustada. Assaltada três vezes, ela também já presenciou dois roubos praticamente da porta de casa e lamenta que o policiamento ostensivo só esteja visível nos fins de semana.

“De segunda a sexta, a gente fica abandonada. Caminho todos os dias no calçadão e tenho de andar assim, sem cordão, sem nada, e com o celular antigo para não ser roubada”, reclama Patrícia.

O delegado acrescentou ainda que existem outros fatores que fazem com que Copacabana tenha maior registro de roubos, como a facilidade de transportes – já que normalmente os criminosos são de outros bairros. E até o implemento de programas como policiamento em bairros vizinhos, como os do programa Segurança Presente, que “empurra” os criminosos para Copacabana. A tudo isso, Ferrando acrescenta ainda a crise e o déficit de policiais nas ruas.

“Temos um trabalho integrado com o os batalhões da PM, as UPPs, a Guarda Municipal, a Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) e o Ministério Público, que está nos permitindo mapear os crimes no bairro. Essa fluidez de informações, do trabalho de inteligência nos permite programar ações integradas em Copacabana. Recentemente, prendemos uma quadrilha que fazia arrastões. Mas crimes como roubos são dinâmicos e a solução a curto prazo é ter mais policiais nas ruas”, afirmou Ferrando.

Outros locais turísticos também registraram aumento significativo de assaltos neste ano. Em Ipanema, área da 13ª DP, os roubos passaram de 129, entre janeiro e abril de 2015, para 230, no mesmo período deste ano, uma alta de 78%. No Leblon (14ª DP), o crescimento foi de 41% no período, indo de 441 para 624 ocorrências.

 

Solução a curto prazo é mais policiamento nas ruas

O antropólogo Paulo Storani, especialista em segurança, confirma que áreas turísticas são bem atraentes para ladrões. A Princesinha precisa ter um cuidado maior com seus súditos pela grande circulação de pessoas e principalmente porque os turistas se comportam de forma diferente da população local, o que os deixa mais vulneráveis à ação dos criminosos. E ressalta que é preciso um reforço de policiamento.

“As áreas turísticas ainda têm um déficit grande de policiais nas ruas. Com a crise, houve um desgaste muito grande do efetivo. A solução a curto prazo é ampliar o policiamento preventivo e intensificar as ações punitivas. A longo prazo, é preciso ampliar a abrangência do que tudo isso representa”, diz Paulo Storani.

“Tem de ter uma interferência maior, uma iniciativa de política pública, que consiga traçar o perfil do criminoso: quem ele é, de onde vem, escolaridade, filiação, ocupação, idade, características físicas e sociais. Tinha que ser feito um estudo para poder atuar na causa com eficácia. Só depois de traçado esse perfil será possível atuar na questão sobre essas bases”, completa o especialista em segurança pública.

Policiamento dá aos recém-chegados à corte, os gaúchos Letícia e Márcio Araújo, que moram no bairro há um ano, uma sensação maior de segurança do que tinham sem sua terra natal, Porto Alegre.

“Sabemos que assaltos acontecem e até já presenciamos um, mas aqui vemos mais policiais nas ruas do que em Porto Alegre. A gente se sente bem mais tranquilo em Copacabana. Por ser uma área turística recebe uma atenção maior”, diz Márcio.

Mas não é bem assim que se sente a arrumadeira mineira Ângela Pereira Netto, que há 11 anos mora no Rio. Ela conta que nos primeiros quatro meses teve todo o salário roubado num assalto dentro de um ônibus e depois foi assaltada mais duas vezes.

“Agora não uso mais nada de cordão, de brinco, nada. Quando vou me molhar no mar, deixo a bolsa com uma amiga ou na barraca de um conhecido. Ando grudada com minha bolsa e sempre atenta. Aqui, ninguém tem tranquilidade e não se vê polícia na rua”, reclama a mineira.

 

Turista brasileiro é que fica mais preocupado

A grande quantidade de roubos em áreas turísticas impacta o movimento nos hotéis. Principalmente no que se refere aos turistas brasileiros, como frisou o presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis (ABIH), Alfredo Lopes. Eles são sempre mais preocupados com segurança, até porque estão em constante contato com notícias sobre crimes no país.

“O impacto é maior no mercado nacional, o brasileiro fica mais preocupado. O estrangeiro não deixa de vir para o Rio porque aqui tem muito roubo, como ninguém deixou de visitar Paris por causa do atentado. É claro que ninguém gosta de ser roubado, mas pequenos delitos acontecem em todos os lugares do mundo. Por isso, os hotéis orientam os turistas a não andar com passaporte, não andar com moeda estrangeira e andar com pouco dinheiro, não deixar os pertences na areia para mergulhar ou andar com câmeras penduradas no pescoço. Mas que um reforço na segurança nas ruas ajudaria bastante a melhorar essa percepção nas áreas turísticas da cidade”, disse Lopes.

A balconista Thainara Amaral, que veio do Distrito Federal, disse que relutou bastante em conhecer o Rio, diante das notícias de crimes estampados nos jornais.

“Não queria vir para o Rio. Mas meu marido queria muito. A gente lê tanta coisa sobre violência que fica assustada. Não saio com celular, joias ou documentos. Estou achando que está bem mais seguro do que eu imaginava”, disse aliviada a turista, seguindo tranquilamente a caminho do mar.

 

G1

 

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