Delegados de São Paulo defendem efeitos da PEC 37

      A presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp), Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro, combate às resistências à PEC 37 ao dizer que não há previsão legal para que o Ministério Público (MP) atue na investigação criminal. A delegada, que atuou alguns anos em Bauru, contrapõe os argumentos […]

Por Editoria Delegados

06jun13-delegados.sp.2

 

 

 

A presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp), Marilda Aparecida Pansonato Pinheiro, combate às resistências à PEC 37 ao dizer que não há previsão legal para que o Ministério Público (MP) atue na investigação criminal. A delegada, que atuou alguns anos em Bauru, contrapõe os argumentos do procurador geral de Justiça do Estado de São Paulo, o chefe do Ministério Público paulista, Márcio Elias Rosa. Em entrevista ao JC publicada anteontem, Márcio Rosa apresentou os argumentos contrários à PEC 37, que trata exatamente dessa questão.

 

Para a representante dos delegados paulistas, “não há lei com previsão de investigação criminal pelo Ministério Público, ao contrário do que defende o chefe do MP. Normas internas, sem força legal, como a resolução 20/2007 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), geraram essa situação de insegurança jurídica. Ou seja, o Ministério Público não pode tentar regulamentar uma matéria com reserva constitucional por meio de um diploma interno. Se o Ministério Público quer realizar investigações criminais deverá buscar a edição de lei federal dizendo como é que vai ser essa investigação”.

 

Para Marilda, fica claro que o Ministério Público não quer atuar em inquéritos criminais, mas apenas “em casos pontuais, cuja conveniência midiática ou política ele resolve investigar diretamente. Essa atuação seletiva não pode ocorrer. Se o MP quer investigar, que investigue tudo. Não se pode numa democracia permitir que um órgão estatal coloque sua força a serviço de interesses particulares ou políticos. O Ministério Público não pode eleger um inimigo e usar a força do Estado para liquidá-lo. Isso não existe em um país livre e democrático”, rebate.

 

Sobre a afirmação do procurador geral Márcio Rosa de que não há condições de estrutura e de pessoal para que a polícia responda à demanda de crimes, a representante dos delegados critica: “Se hoje as polícias Civil e Federal encontram dificuldades para realizar o seu trabalho, isso também ocorre em função da omissão do Ministério Público. Se ele é o fiscal da lei, o controlador externo da atividade policial, tem por obrigação reivindicar melhorias para as polícias. Melhorar o efetivo, as condições de trabalho. É ilusão acreditar que o Ministério Público, com um efetivo de aproximadamente 9 mil homens, vai fazer o trabalho das polícias. Hoje em dia, o Ministério Público leva em média de 5 a 7 anos para oferecer uma denúncia numa ação penal. Muito mais útil seria se o Ministério Público se concentrasse em fazer o seu papel, para os inquéritos terem mais celeridade”.

 

Em sua opinião, a aprovação da PEC 37 acabaria com a celeuma que se arrasta há anos no STF. “Tudo o que a sociedade deseja é ver os criminosos julgados, condenados e cumprindo pena. Não podemos conviver com essa insegurança jurídica, correndo o risco de processos serem derrubados por terem sido investigados autonomamente pelo MP. A PEC 37 vai solucionar isso, validando o que já foi feito, mas colocando um ponto final nas incursões indevidas do Ministério Público”, rechaça.

 

A titular da Adpesp diz que aproximadamente 100 processos pedem a extinção de inquéritos ou ações penais de autoria do Ministério Público no Supremo Tribunal Federal (STF). “Um das grandes vantagens da aprovação da PEC-37 é que ela “salva” todas essas investigações realizadas pelo Ministério Público de serem anuladas pela Justiça, pois um artigo inserido na proposta convalida as investigações realizadas até então pelo Ministério Público, evitando que os criminosos fiquem impunes”, pondera Marilda.

 

Segundo ela, tramitam no Ministério Público Federal (MPF) mais de 31 mil investigações autônomas. “São investigações obscuras, sem controle judicial, os chamados Procedimentos de Investigação Criminal. Por meio desses procedimentos, o MPF investiga de forma ilegal milhares de cidadãos brasileiros ao completo arrepio da lei e da Constituição Federal. Esse número representa cerca de 30% da quantidade de investigações conduzidas pela Polícia Federal. São investigações que no futuro serão questionadas na Justiça, com prejuízo exclusivamente da sociedade brasileira”, rebate a delegada.

 

A associação aponta, ainda, o estudo chamado “O Retrato do Ministério Público”. De acordo com o levantamento, até agosto de 2012 o Ministério Público Estadual recebeu 4.880.501 inquéritos policiais. “Desse total, a instituição ofereceu 813.116 denúncias e arquivou 611.477 casos. Ou seja, o Ministério Público ainda tem 3.455.908 inquéritos feitos pelas polícias em sua mesa, aguardado para serem examinados. E ainda acha que terá fôlego para investigar diretamente crimes, se nem as denúncias estão em dia?”, questiona.

 

De acordo com Marilda, o Ministério Público instaurou 191.658 inquéritos civis, aqueles que são feitos por ele próprio. “Desse montante, o curioso é que ele próprio arquivou a grande maioria: 114.370 casos. Ou seja, o Ministério Público antes de pensar em se aventurar nas investigações criminais precisa se concentrar em seu trabalho junto aos inquéritos civis, para não resultar em tantos arquivamentos”.

 

A associação também questiona a resolutividade dos inquéritos civis, presididos apenas pelo MP. “A ideia era de que a ação de improbidade administrativa fosse suficiente para o combate ao crime de corrupção. Entretanto, o balanço não é positivo em 20 anos da Lei de Improbidade Administrativa. Quem olhar os números vai verificar que a quantidade de recursos que o Ministério Público conseguiu recuperar por essa via é mínimo, a quantidade de condenações é mínima”, menciona.

 

Mas, por fim, Marilda Pinheiro reconhece o papel institucional do Ministério Público. “O MP realiza ações de extrema importância à defesa dos interesses coletivos e difusos. Gostaríamos muito de ver seus esforços concentrados nessa atuação que é vital para o conjunto da sociedade. Meio ambiente, direito do consumidor, cidadania, infância e juventude. O MP é o guardião constitucional desses temas, que não podem ser relegados a um segundo plano em nome de uma atuação em campo que não lhe é próprio”, finaliza.

 

JCNET

 

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

Veja mais

Melhores Delegados de Polícia do Brasil, Censo 2026

Produtividade, Proatividade, História, Legado, Valorização, Reconhecimento e Premiação

Governador do Tocantins autoriza concurso da Polícia Civil com 452 vagas

(TO) Certame prevê cargos de delegado, oficial investigador e perito, com salários que chegam a R$ 21,9 mil

Delegado detalha atuação de cardiologista preso por estupro de vulnerável no RS

(RS) Investigação identifica 14 possíveis vítimas; médico é suspeito de dopar pacientes para praticar abusos sistemáticos durante consultas na Região Metropolitana

Polícia Civil do PI registra queda de 40% nos roubos de veículos no primeiro trimestre de 2026

(PI) As ações do Departamento de Roubo e Furto de Veículos (DRFV) fazem parte do Pacto Pela Ordem para reduzir a criminalidade na capital e no interior do estado.

O Elo Invisível: Como a Inteligência Preditiva pode Antecipar o Feminicídio no Piauí

O "Pulo do Gato" na Prevenção do Feminicídio: Por que o Piauí precisa da Teoria do Elo?

Sétimo Dia: Delegado Steferson Nogueira deixa história que transcende a segurança pública

(PB) Trajetória do delegado é lembrada por avanços históricos, diálogo institucional e compromisso com a segurança pública

“IFood de Drogas”: Operação Madara prende funcionário do TJ que vendia drogas em Teresina

(PI) Yan Brayner, Diretor de Inteligência da SSP/PI apresenta resultado da operação
Veja mais

Brasil dá um passo decisivo no enfrentamento ao crime organizado com a nova Lei Antifacção

Chico Lucas, Secretário Nacional de Segurança Pública participa de entrevista e trata da nova legislação

Senador com CNH vencida, dirige carro sem placa, usa giroflex, dá “carteirada” e foge de abordagem policial em São Paulo

Senador Alexandre Luiz Giordano (Podemos-SP)
(SP) Parlamentar dirigia carro de luxo sem placa e com giroflex ilegal; na fuga, Giordano subiu em calçada e quase atropelou policiais militares

Comoção e reconhecimento marcam despedida do delegado Steferson Nogueira, que deixa um legado na segurança pública

Steferson Nogueira, Delegado de Polícia Civil da Paraíba e presidente da ADEPDEL - Associação dos Delegados de Polícia da Paraíba
Um grande pai, esposo, delegado, companheiro e exemplo de liderança

Vulnerabilidade Etária nos Crimes Contra a Dignidade Sexual de Acordo com a Lei 15.353/26

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Delegado Steferson Nogueira morre aos 44 anos

(PB) Seu reconhecimento ultrapassou fronteiras estaduais: nos anos de 2022, 2023, 2024 e 2025, foi apontado como um dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil, consolidando seu prestígio entre colegas

Delegados da PF aprovam paralisação “82 horas sem a Polícia Federal”

A categoria defende a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas com direcionamento de recursos apreendidos à PF

Operação Cerco Fechado prende 78 criminosos e apreende cocaína e ouro no Piauí

(PI) Os mandados cumpridos estão relacionados a crimes como furtos, roubos, tráfico de drogas, estupro, violência doméstica e homicídios.
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.