Delegada, juiz e o promotor se refugiaram por causa de vândalos no interior da Bahia

30 motos, 18 carros e delegacia são incendiados após ataques na cidade Trinta motos, 18 carros e um ônibus foram incendiados durante a ação de um grupo de moradores na cidade de Amargosa, a 250 quilômetros de Salvador, na noite de quarta-feira (16). O grupo também invadiu a delegacia do município, roubou todas as […]

Por Editoria Delegados

30 motos, 18 carros e delegacia são incendiados após ataques na cidade

 

Trinta motos, 18 carros e um ônibus foram incendiados durante a ação de um grupo de moradores na cidade de Amargosa, a 250 quilômetros de Salvador, na noite de quarta-feira (16). O grupo também invadiu a delegacia do município, roubou todas as armas, liberou os presos, destruiu e queimou o local, segundo informações da Polícia Militar na manhã desta quinta-feira (17). Os ataques ocorreram por causa da morte de uma menina de 1 ano, pela polícia, durante uma troca de tiros.

 

De acordo com o delegado titular da 4ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/ Santo Antônio de Jesus), Paulo Roberto Guimarães, que gerencia a segurança na região, 16 presos foram libertados da carceragem após a invasão dos moradores. Destes, dois já foram recapturados.

 

Segundo Guimarães, durante o conflito, a delegada, o juiz e o promotor de Amargosa se refugiaram em um hotel da cidade. O delegado afirmou que as autoridades se hospedaram no local por motivo de segurança, já que a sede da delegacia foi completamente destruída pelo grupo.

 

Segundo o coronel Aldemário Xavier, que atua no município, 18 pessoas foram ouvidas pela polícia e já liberadas. Xavier ainda informou que o caos estabelecido até a madrugada foi controlado na manhã desta quinta-feira (17).

 

Conflito

 

De acordo com Guimarães, o conflito começou quando dois policiais iniciaram uma perseguição a um assaltante de motos, que teria ligação com o tráfico de drogas.

 

Durante a perseguição, o suposto criminoso invadiu a casa de uma família e, na tentativa de atingir o suspeito, um dos agentes acertou um tiro em uma criança, que acabou morrendo no local. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a suspeita é que o tiro tenha partido da arma de um policial civil.

 

Ainda de acordo com o delegado, o policial responsável pelo disparo não foi localizado em Amargosa, mas já foi encontrado em Salvador pela Corregedoria da Polícia Civil, que solicitou que ele comparecesse à sede do órgão.

 

Em nota divulgada na manhã desta quinta-feira, a SSP disse que 36 policiais, entre delegados e investigadores, foram deslocados imediatamente para a região, além de equipes da Polícia Militar e do Batalhão de Choque. Segundo o órgão, por determinação da Corregedoria, “a arma do policial civil que participava da operação e de quem teria partido o projétil que atingiu a criança foi apreendida e será encaminhada para perícia no Departamento de Polícia Técnica (DPT)”.

 

Caos

 

Uma moradora da cidade que preferiu não se identificar contou como foi a ação do grupo de moradores. “Eles [policiais] entraram na casa de uma mulher, atrás de um traficante que estava fugindo deles, e acabaram acertando um tiro em uma criança”, explicou. De acordo com informações da PM, a criança chegou a ser socorrida para um hospital da região, mas já chegou sem vida.

 

Segundo a moradora, o grupo estaria circulando pela cidade, virando e incendiando carros e fazendo ameaças a outras pessoas. “Eles passaram aqui na frente, encapuzados, dizendo que iam colocar fogo em tudo. Nós estamos apavorados. Apagamos as luzes e estamos calados em casa para não perceberem que estamos aqui. A cidade está isolada”, afirmou a mulher.

 

Ela contou que entrou em contato com a Polícia Militar, mas foi informada que não havia militares sufucientes no momento para conter a ação dos criminosos.

 

Porém, um reforço de mais de 30 homens do 14° Batalhão da PM de Santo Antônio de Jesus foi enviado à cidade e já está em operação.

 

O G1 conversou com a assessoria da Polícia Civil, que informou que “as ocorrências teriam iniciado possivelmente após uma criança ter sido atingida durante uma troca de tiros, e que foram tomadas todas as medidas de corregedoria para saber qual a extensão do envolvimento do policial civil no caso”. Além disso, uma equipe de delegados está a caminho de Amargosa para colher depoimentos de testemunhas.

 

A polícia ainda não sabe por que a casa da vítima foi invadida – se era residência de algum envolvido com a criminalidade – nem em que parte do corpo a menina foi atingida.

 

O policial ligado ao caso terá a arma apreendida para ser periciada e deve comparecer à corregedoria da Polícia Civil, em Salvador, ainda nesta quinta-feira. O lugar onde a criança foi atingida também será periciado. Um inquérito será aberto para apurar as circunstâncias da morte.

G1

 

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