Chamar alguém de ladrão é só “opinião”, diz Mendonça. Dino rebate: “Não admito ser chamado de ladrão”

BRASÍLIA (DF) — O Supremo Tribunal Federal (STF) foi palco, nesta quarta-feira (7), de um acalorado debate entre os ministros André Mendonça e Flávio Dino durante a sessão plenária que discute a (in)constitucionalidade do aumento de pena para crimes contra a honra praticados contra servidores públicos no exercício da função. O ponto de atrito surgiu […]

Por Editoria Delegados

BRASÍLIA (DF) — O Supremo Tribunal Federal (STF) foi palco, nesta quarta-feira (7), de um acalorado debate entre os ministros André Mendonça e Flávio Dino durante a sessão plenária que discute a (in)constitucionalidade do aumento de pena para crimes contra a honra praticados contra servidores públicos no exercício da função.

O ponto de atrito surgiu quando Mendonça argumentou que, em manifestações políticas e protestos públicos, chamar alguém de “ladrão” não configuraria necessariamente crime, podendo ser enquadrado como opinião subjetiva, e não como imputação formal de conduta delituosa.

A afirmação gerou reação imediata de Dino, que rechaçou a relativização do termo:

“Inadmito ser chamado de ladrão. Isso é inaceitável sob qualquer ótica”, afirmou o ministro recém-empossado na Corte, elevando o tom do debate.


A controvérsia jurídica

A controvérsia gira em torno da criminalização de ofensas proferidas contra agentes públicos, como juízes, policiais, parlamentares e outros servidores, que, segundo legislação vigente, podem ter penas agravadas em casos de injúria, calúnia ou difamação quando os delitos forem cometidos em função da atividade institucional desempenhada.

Mendonça defendeu que o contexto deve ser cuidadosamente avaliado, sobretudo em manifestações de cunho político, sob pena de criminalizar a crítica e cercear a liberdade de expressão. Dino, por outro lado, sustentou que expressões como “ladrão” ultrapassam o campo da crítica política e violam a dignidade da pessoa, especialmente se desprovidas de provas.


Pauta sensível e impacto político

O julgamento do STF tem repercussão geral e poderá influenciar decisões em todo o país, inclusive em ações penais movidas por agentes públicos contra cidadãos acusados de proferir ofensas em redes sociais ou atos presenciais. O tema ganhou relevância à luz do embate político polarizado no Brasil, onde ofensas contra figuras públicas têm se tornado frequentes.

A sessão prosseguirá com votos dos demais ministros, e a Corte deverá definir os limites entre liberdade de expressão e proteção da honra de agentes públicos, bem como a eventual manutenção ou revogação do aumento de pena previsto na legislação penal.

  • “Ministro, para mim, é uma ofensa grave. Eu não admito que ninguém me chame de ladrão”, disse Dino. Para V. Exa., relativizar esse tipo de discurso “degrada o serviço público e desmoraliza o Estado”.
  • Dino prosseguiu: “Quero que fique consignado: eu não admito. Na minha ótica, é uma ofensa gravíssima. Não é crítica.”

O ministro Dino destacou que o uso do termo compromete diretamente a honra individual e ultrapassa os limites do debate democrático.

  • Mendonça então rebateu: “Se o cidadão não puder chamar um político de ladrão…” e Dino retrucou: “E o ministro do Supremo, pode?”
  • “Eu não sou distinto dos demais”, respondeu Mendonça.
  • Dino insistiu: “Se um advogado subisse a essa tribuna e dissesse que V. Exa. é ladrão, eu ficaria curioso para ver a reação de V. Exa”.

Ao final, Mendonça defendeu que qualquer pessoa – inclusive ministros do STF – deve ter garantido o direito de recorrer à Justiça para proteger sua honra.

Veja o momento:



DELEGADOS
Portal Nacional dos Delegados

 

Veja mais

Acesso de policial a celular antes de perícia não invalida prova, decide STJ

6ª turma destacou que o acesso policial prévio ao aparelho não comprova adulteração dos dados nem gera nulidade automática das provas obtidas.

Candidato com nanismo é eliminado de concurso para delegado após teste de aptidão física

(MG) Polícia Civil de MG afirma que o cargo de Delegado de Polícia, por sua natureza, exige o pleno desempenho de atividades inerentes ao policiamento, investigação e cumprimento de ordens

Policiais Civis do DF passam a ganhar folga no dia do aniversário

(DF) Portaria foi publicada nesta terça (10/3) no DODF. Para que o servidor seja contemplado com o benefício, deverá atender a alguns critérios

Delegada denuncia assédio do Secretário de Segurança Pública do Maranhão

(MA) Delegada Viviane Fontenelle relatou ter sido vítima de assédio em reunião com o secretário de Segurança do MA: “Delegata”. Adepol pede investigação

ADPF comunica mobilização nacional em defesa do encaminhamento do FUNCOC

ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) informa nova fase na Mobilização Nacional

I Congresso Nacional de Delegadas do Brasil “No Combate à Violência conta a Mulher”

Iniciativa da Adepol do Brasil reúne delegadas para debater estratégias, desafios e avanços, além de apresentar carta nacional com propostas institucionais

OAB ‘suspende’ advogado que foi preso após prejudicar trabalho de policiais em delegacia do DF

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro
Veja mais

Jean Nunes e Chico Lucas reforçam protagonismo na articulação pela PEC da Segurança Pública e fortalecimento do SUSP

Jean Nunes, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública e Chico Lucas, Secretário Nacional da Segurança Pública
Em agenda institucional, o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança e o Secretário Nacional da Segurança Pública evidenciam cooperação federativa, defenderam integração entre entes e destacaram estratégias conjuntas

Advogado que “estuprava” e “defecava” nas vítimas é preso após prejudicar trabalho de policiais na delegacia

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro

Secretário Nacional de Segurança Publica reforça compromisso de acabar com a impunidade e o crime organizado no Brasil

PEC fortalece a integração entre União, estados e municípios e garante financiamento para o enfrentamento da criminalidade

Governador do Piauí comemora aprovação da PEC da Segurança Pública na Câmara dos Deputados

(PI) A proposta visa melhorar a integração dos órgãos de segurança do país e garantir mais recursos para o setor.

Tudo o que você precisa saber sobre o Flagman Casino

O conjunto cobre usabilidade, segurança, pagamentos e ritmo de promoções, fornecendo um recorte prático para decisões de cadastro

Campanha do Sindicato dos Delegados escancara sucateamento da Polícia Civil e promessas não cumpridas de Tarcísio

(SP) Movimento teve início nessa terça-feira (24/2), em diversas cidades do interior paulista; com direito a outdoors espalhados nas principais vias do estado e ofensiva digital, Sindpesp fala em baixos

Por que a morte de líderes do crime organizado raramente desmantela suas estruturas?

Delegada Raquel Gallinati (diretora da Adepol do Brasil) e Delegado Rodolfo Laterza (presidente da Adepol do Brasil)
Por Raquel Gallinati e Rodolfo Laterza
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.