A Polícia Federal deve estar protegida

Por Edvandir Felix de Paiva Por Edvandir Felix de Paiva* Em pesquisa publicada no início do ano pelo Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, a Polícia Federal figurou no primeiro lugar entre as instituições mais confiáveis entre os brasileiros. Trata-se do resultado de muito trabalho e aperfeiçoamento de técnicas e protocolos ao longo […]

Por Editoria Delegados

Por Edvandir Felix de Paiva

Por Edvandir Felix de Paiva*

Em pesquisa publicada no início do ano pelo Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, a Polícia Federal figurou no primeiro lugar entre as instituições mais confiáveis entre os brasileiros. Trata-se do resultado de muito trabalho e aperfeiçoamento de técnicas e protocolos ao longo dos anos. A credibilidade da instituição tornou-se um orgulho interno e externo. A questão que surge é sobre como manter esse status do órgão junto à opinião pública, com sustentabilidade, diante de crises políticas seguidas sempre que se fala de governo e PF.

A Polícia Federal deve estar protegida tanto da efetiva possibilidade de contaminação política de suas atividades quanto da especulação. Uma polícia efetivamente loteada politicamente não fará devidamente o seu trabalho. Noutro ângulo, especulações sobre a isenção da instituição causam danos irreparáveis à sua credibilidade. E uma população que não acredita em suas instituições, sobretudo naquelas ligadas ao sistema de justiça e de segurança pública, tende a querer resolver por conta própria o que considera injusto, provocando violência, desordem e descrédito na democracia.

Entretanto, essa proteção precisa ser aperfeiçoada. Apenas no recorte de tempo recente, já são quatro novos diretores-gerais desde outubro de 2017! Agências reguladoras, empresas públicas, Ministério Público e Tribunais têm a definição em lei do período em que seus dirigentes ficarão no comando. Isso traz previsibilidade, estabilidade, ambiente para uma governança eficiente e institucionalidade para as transições de gestão. Essas são características fundamentais para o ambiente investigativo.

Tão danoso quanto a ausência de mandato é a falta de um processo transparente de escolha, mediante a apresentação de uma lista de delegados que em determinado momento estejam preparados, segundo critérios mínimos preestabelecidos em lei e na avaliação de seus pares, para a assunção da função. Não se deseja aqui impedir o mandatário de exercer a sua prerrogativa de escolha, mas, sim, estabelecer um corte técnico mínimo no rol de candidatos a fim de auxiliar o presidente em uma seleção técnica que proteja a atuação e a credibilidade da instituição e do próprio governo que esteja no poder.

Outro problema é a falta de autonomia definida na Constituição Federal para que esse diretor, escolhido, com data certa, em um processo preestabelecido, possa gerir o órgão. Atualmente, o diretor-geral da PF não detém sequer o poder de nomear os principais postos de sua equipe. Salvo se o governante da vez o permitir. Instituições de Estado não podem depender de autonomia concedida pelo governo, pois, por diversas razões, a prioridade dessa concessão pode não existir, devido à conveniência política do momento.

Note-se que nenhuma dessas proteções impede o controle externo do órgão e da investigação, vigentes atualmente. Não há risco de construção de um órgão superpoderoso e descontrolado. É possível, inclusive, que nessa nova legislação sejam previstos mais controles para os novos níveis de autonomia. Por exemplo, estabelecer hipóteses prévias de afastamento do diretor que não obtiver desempenho ou se portar de maneira ímproba, ou a possibilidade de assinatura de um contrato de gestão, com métricas de desempenho que, se injustificadamente descumpridas, podem levar à troca no comando.

Portanto, para a sustentabilidade dos níveis de atuação e de credibilidade, a Polícia Federal necessita de maior proteção na Constituição, com a criação de mandato para o seu diretor, a definição de um processo técnico a auxiliar o presidente da República na nomeação do diretor-geral e maior autonomia para a gestão da instituição. Ganhará a sociedade com a sua Polícia Federal trabalhando em um ambiente estável, técnico e republicano. Ganhará o governo da vez, que se livrará de especulações sobre como se relaciona com a instituição de Estado. Ganhará o Brasil, na sua imagem interna e externa, por ter instituições fortalecidas. Quem protege você também precisa de proteção!

*Edvandir Felix de Paiva – presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal

Publicado originalmente na Revista Let’s Go Bahia

ADPF

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

 

 

 

Veja mais

Delegada Raquel Gallinati prende em flagrante homem que perseguia ex-companheira em academia de São Paulo

(SP) Raquel Gallinati, diretora da Adepol do Brasil, interveio ao presenciar vítima em desespero em uma unidade de CrossFit em Perdizes

Piauí investe em segurança pública e nomeia mais 654 policiais militares

(PI) Governador Rafael oficializa a incorporação de 654 novos soldados à Polícia Militar do Piauí

Glaison Lima entra na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2025

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Patrícia Chalfun entra na Lista das Melhores Delegadas do Brasil, Censo 2025

A escolha dos melhores delegados e delegadas consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência,

Delegado do DF, Rafael Pareja, morre após sofrer infarto enquanto praticava beach tennis

(DF) Portal Nacional dos Delegados manifesta nota de pesar pelo falecimento do delegado Rafael Pareja

Anchiêta Nery segue, pela 5ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2025

A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Permutas permanentes bilaterais e sequenciais entre policiais de estados diferentes

Estratégia Jurídico-Administrativa de Cooperação Federativa usada como vacina contra o êxodo de policiais que pedem exonerações
Veja mais

‘Advogados do PI teriam coagido juízes com denúncias forjadas no CNJ’, diz delegado Tales Gomes

Delegado Tales Gomes, coordenador - DEOP/PCPI
(PI) Delegado informou que investigação apontou que advogados faziam acusações falsas no CNJ

Governador da Paraíba entrega nova Delegacia-Geral com investimentos e valorização policial

(PB) Governo que investe na polícia protege seu povo. Mais de R$ 2,37 bilhões para a segurança no último ano

Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis e Unidades Técnico – Científicas: O Problema da Estruturação Dividida

20AGO25-CABETTE
Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Aumente suas chances de passar em concursos policiais! Acesse o Portal Delegados!

O maior repositório jurídico especializado na área policial do Brasil. A autoridade digital do Portal é tamanha que, ao se digitar a palavra “delegados” no Google, ele figura já na

Edital para 400 vagas será publicado ainda em agosto, confirma delegado-geral do PI

(PI) "Estamos nos últimos detalhes para o edital ser lançado. Estamos mesmo só nas finalizações, algumas matérias, aí acredito que no final de agosto deva ser lançado", afirmou Keiko

Direito Policial do Medo e o apagão das algemas

Por Murilo Acquaviva e Francisco Sannini Neto

Governador do PI lança videomonitoramento por IA e destaca tecnologia e integração contra a criminalidade

(PI) Para Rafael, a tecnologia, somada à integração das forças policiais, vai refletir positivamente na redução dos índices de criminalidade.
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.