Abr 19, 2019

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Tenente-coronel invade sala de depoimento e bate boca com delegado; vídeo

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Tenente-coronel invadiu a sala do delegado durante o depoimento — Foto: Reprodução/TV Anhanguera 

A sala de depoimentos da Delegacia de Homicídio de Palmas foi invadida tenente-coronel da Polícia Militar Francinaldo Machado Bó, comandante de policiamento da Capital, durante o depoimento do soldado Silvestre Vieira de Farias Filho. Ele está preso temporariamente suspeito de ter atropelado um adolescente na região sul de Palmas com a viatura da PM. O menor morreu horas depois no hospital.

Um vídeo gravado no local mostra o momento em que o tenente-coronel e o delegado de homicídio, Guido Camilo, discutem sobre a prisão do militar.

- PM: Agora por favor, dispensa meu militar que ele tem que voltar para o quartel dele, que lá que é casa dele.

- Delegado: O senhor vai levar ele?

- PM: Eu levo. [inaudível].

- PM: Ele não vai falar nada não.

- Delegado: Aqui.... Aqui o senhor não manda não.

- PM: Eu não mando mesmo não. Eu não mando mesmo não.

- Delegado: Não. Aqui o senhor não manda não.

- PM: Quem disse que eu tô querendo mandar aqui?

- Delegado: Tá? Aqui o senhor não manda não.

- PM: Quem disse que eu tô querendo mandar aqui?

- Delegado: Aqui o senhor não manda.

- PM: Eu só tô falando que ele não vai falar nada não. Que ele vai voltar pro quartel dele.

- Delegado: A senhora que está acompanhando ou é ele?

- PM Mulher: Sou eu.

- PM: Eu sou o comandante de policiamento da capital. Eu sou o superior dele. Eu sou o superior dele e num vou sair não.

- Outra pessoa: Peço que o senhor dê licença.

- PM: Num vô sair daqui.

Em outro trecho, o comandante de policiamento critica a iniciativa do delegado de pedir a prisão.

- PM: Agora é brincadeira, viu? O negócio foi domingo, o cara é trabalhador, tem endereço fixo, tava trabalhando. Tem tanto bandido aí pra prender. Se ele estiver errado, que no final do inquérito configura isso que ele tá errado. Mas em dois dias, pedir a prisão do militar? É brincadeira.

A situação ocorreu na noite desta quarta-feira (27) ,logo após o soldado ser preso. O fato causou uma grande movimentação no local. Durante o depoimento, vários policias civis armados ficaram na frente da delegacia e viaturas da PM ficaram estacionadas na rua em frente.


O laudo pericial sobre a morte do adolescente aponta que o rapaz foi atropelado. Os indícios coletados no local do acidente e destacados na perícia mostram ainda que a cena do crime foi alterada antes da chegada dos peritos.

Uma testemunha contou à polícia que o carro da polícia teria acelerado e passado por cima do adolescente. Para isso os militares invadiram a contramão de uma avenida.

Segundo o laudo, a viatura seguia no mesmo sentido da bicicleta. Porém, o carro foi encontrado estacionado no sentido contrário. A viatura estava a mais de 45 km/h quando atingiu a bicicleta por trás, subiu em uma calçada e arrastou o adolescente, apontou a perícia.

A Polícia Militar disse que o comando da corporação não foi cientificado sobre o conteúdo do vídeo. A nota afirma que assim que for cientificado, o comando adotará as medidas cabíveis.

Uma nota enviada por oficiais da PM nesta sexta-feira (29) afirma que não houve invasão, pois o tenente-coronel tem a prerrogativa funcional de acompanhar o subordinado durante depoimento. A nota disse que o comandante foi recebido de forma desrespeitosa e repudiou "quaisquer narrativas que destilam inverdades sobre os fatos."

O adolescente Leandro Rocha da Cunha, de 16 anos, morreu após ser atropelado por uma viatura da Polícia Militar. O acidente aconteceu na noite de 20 de março no Jardim Aureny IV, na região sul de Palmas.

Parentes do adolescente contaram que ele estava indo para a casa da namorada de bicicleta quando foi atingido.

A PM informou que instaurou um Inquérito Policial Militar a fim de apurar as circunstâncias e envolvidos. De acordo com a corporação, os policiais tentaram fazer uma abordagem ao adolescente que fugiu.

O soldado Silvestre Vieira foi preso na tarde desta quarta-feira (27) em Palmas. O advogado do militar criticou a prisão e afirmou que vai pedir a revogação da medida. Disse ainda que considera que o acidente foi uma fatalidade.

 
G1

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