Dez 14, 2017

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Suspeito de golpe milionário usava sobrenome de delegado para aplicar golpes em MS

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A coincidência do sobrenome Peró, de acordo com a Polícia Civil, era uma artimanha a mais para os integrantes de uma quadrilha aplicarem golpes não só em Campo Grande, mas, em todo o país. Ao chegar nos alvos, a investigação aponta que um dos suspeitos se dizia primo do delegado e do pai dele, com a intenção de dar mais credibilidade ao golpe. Além disto, em fevereiro de 2016, o G1 denunciou que o nome do juiz Odilon de Oliveira também estava sendo usado por golpistas.

“Algumas pessoas, como a dona de uma joalheria, desembargadores amigos da família e também parentes, entraram em contato nos dizendo que um desses estelionatários se identificava desta forma. Nós então alertamos de que poderia ser um golpista”, afirmou ao G1 o delegado Fabio Peró, titular da Delegacia Especializada de Repressão à Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).

Além de se identificar como primo do delegado Peró, o suspeito de 55 anos dizia ser parente do médico e ex-reitor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Manoel Catarino Peró. No caso do juiz federal Odilon de Oliveira, atualmente aposentado, os envolvidos prometiam o recebimento de lucros de até R$ 15 milhões.

Na ocasião, conforme afirmou em entrevista, o magistrado foi alertado do uso indevido do nome e encaminhou um ofício para a Polícia Federal (PF), pedindo providências sobre este fato.

Nessa quarta-feira (22), a Justiça estadual converteu de temporária para preventiva - quando não tem data para acabar - as prisões de dois envolvidos presos durante a operação Ouro de Ofir, deflagrada no dia anterior pela Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Goiás e Brasília. Estes homens seriam os líderes da quadrilha. Um dos suspeitos continua foragido.

A conversão aconteceu porque na casa dos suspeitos foram encontrados sete revólveres e pistolas, além de muita munição. Advogados até levaram 100 salários mínimos em dinheiro para pagar a fiança de um dos presos, mas, foram informados que a mudança impedia a soltura.

No caso do outro suspeito, não coube fiança. O motivo, segundo a polícia, é que na casa dele foi encontrada uma luneta de mira de uso restrito das Forças Armadas, além de já ter respondido por estelionato em Primavera do Leste (MT).

Um quarto homem está foragido. Sobre ele cabe um mandado de prisão temporária por envolvimento com o esquema que prometia a devolução alta em dinheiro em troca do investimento na empresa. Ele é de Goiânia.

Mesmo após a Polícia Federal deflagrar a operação Ouro de Ofir, na terça-feira (21), prender integrantes do esquema e apreender objetos de luxo, na tentativa de desarticular uma suposta quadrilha que aplicou golpe milionário em cerca de 25 mil pessoas pelo país, corretores continuam a incentivar os investidores.

Um áudio conseguido pela PF mostra um homem que se identifica como Crispin tentando mostrar que a situação está tranquila e que o dinheiro prometido será repassado a quem assinou contrato com a empresa na promessa de receber valores muito maiores em troca.

"Boa tarde, grupo de futuros milionários do Brasil. Estamos aqui mais uma vez. Eu, Crispin, para falar com vocês. Tranquiliza-los. E dizer que estamos juntos. Estamos aí. Agora é só aguardar essa liberação aí. Ele está abrindo as contas. Tem um tempo, vai lá e abre mais, de acordo com os contratos que vão sendo feitos. O dinheiro vai ficar bloqueado. Quando tiver todas as contas pontas, tudo pronto, ele vai lá e manda liberar tudo de uma vez só", diz a gravação.A Polícia Federal informou nesta quarta-feira (22), por meio de nota enviada à imprensa, que os três alvos de prisão temporária, sob custódia na sede da superintendência, permanecem no prédio, em Campo Grande. A PF comunicou ainda que está analisando todo material apreendido, inclusive os contratos firmados entre clientes e suspeitos investigados.

O grupo atuava como instituição financeira clandestina, coptando valores normalmente acima de R$ 1 mil de investidores, com a promessa de recebimentos milionários. Os investidores eram induzidos a depositar quantias para ter uma lucratividade de mais de 1.000%.

De acordo com a PF , o grupo dizia ao investidor alvo haver uma mina de ouro já explorada e que os valores referentes às comissões de venda estavam sendo repratiados, vendidos e até mesmo doados a terceiros.

O grupo também prometia quantias milionárias com liberação de uma antiga Letra do Tesouro Nacional – LTN. Tudo isso mediante pagamento prévio.

Conforme a PF, os alvos da operação Ouro de Ofir, faziam contrato com o investidor. Papéis estes que não possuem lastro ou objeto jurídico plausível: os nomes eram Operação SAP e Aumetal. Também eram falsificados documentos de instituições públicas federais na tentativa de oferecer credibilidade ao que era repassado às vítimas

Entre os suspeitos de integrar o grupo estão advogados, consultores e servidores da Justiça.

Segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Cléo Mazzotti, há pelo menos dez anos os suspeitos vinham aplicando esse tipo de golpe, mas que nos últimos dois a metodologia foi aprimorada. Ele explica que o grupo tinha quatro divisões: os líderes, chamados de paymasters; os escriturários, que ficavam encarregados de recrutares os corretores, e estes, que por sua vez procuravam as vítimas, em redes sociais, grupos de wattsapp e até em em igrejas. “São centenas de corretores em todo o país. Nos acreditamos que alguns sabiam que era um golpe, outros não. Isso vamos verificar em uma outra fase da investigação”.

De acordo com Mazzotti, nesta etapa da investigação, que já dura pelo menos seis meses, o trabalho foi centrado nos líderes da quadrilha, os três paymasters, que foram presos com mandados de prisão temporária em Campo Grande. Na ação, deflagrada nesta terça-feira foram apreendidos mais de R$ 1 milhão em dinheiro, carros de luxo, 200 quilos de pedras preciosas e armas de fogo.

Além de Campo Grande foram cumpridos mandados de busca e apreensão também em Goiás e no Distrito Federal. Um pessoas está foragida e quatro foram levadas com condução coercitiva para prestarem depoimento.

O delegado disse que para dar uma fachada de credibilidade ao golpe a quadrilha utilizava vários artifícios. Um dos membros, por exemplo, apresentava uma carteira de juiz federal arbitral e o outro se identificava como cônsul de Guiné Bissau.
“Não existe essa função de juiz federal arbitral. O juiz arbitral é função particular, que atua em conciliações. E o membro do grupo se apresentava somente como juiz federal. A mesma coisa é com o que se apresentava como cônsul, que é uma função honorária. Eles usavam isso para dar status, dar mais credibilidade ao golpe”.

Segundo a PF, Ouro de Ofir é baseado em uma cidade mitológica da qual seria proveniente um ouro de maior qualidade e beleza. Tal cidade nunca foi localizada e nem o metal precioso dela oriundo.

G1

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