Suicídios na Polícia Civil de SP chegam a 68 casos desde 2012

A Polícia Civil de São Paulo registra um índice desconhecido do público, ao mesmo tempo alarmante e triste. Desde 2012, segundo dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública, 68 membros da instituição tiraram a própria vida. Como comparação, no mesmo período, a Polícia Civil registrou 33 mortes de policiais em serviço. O documento “Uma análise […]

Por Editoria Delegados

A Polícia Civil de São Paulo registra um índice desconhecido do público, ao mesmo tempo alarmante e triste. Desde 2012, segundo dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública, 68 membros da instituição tiraram a própria vida.

Como comparação, no mesmo período, a Polícia Civil registrou 33 mortes de policiais em serviço.

O documento “Uma análise crítica do suicídio policial”, publicado em setembro de 2019 pela Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, em conjunto com os Conselhos Federal e Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, aponta a dimensão do problema.

No estado, a taxa de suicídio foi de 5,0 para cada 100 mil habitantes em 2017 e 2018, período da pesquisa. Na Polícia Civil, esse número foi mais de seis vezes maior, 30,3. Índice acima de 10 é considerado epidêmico pela Organização Mundial de Saúde.

“A estatística aponta que os investigadores são os mais afetados, representando 40% dos casos, mas temos registros também entre delegados, escrivães e agentes. Praticamente todas as carreiras policiais tiveram casos de suicídio na última década”, aponta a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati.

Em números gerais, 96,8% dos casos de suicídio são precedidos por um registro anterior de saúde mental do paciente. Os principais elementos identificados envolvem depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias químicas, como álcool.

“Na Polícia Civil, esses fatores são agravados por longos plantões, sobreavisos ininterruptos e o déficit de 36% dos policiais na instituição, que sobrecarrega o dia a dia”, explica Raquel. “Fatores de risco presentes no cotidiano da profissão, como o estresse pelo excesso de cobrança, baixa remuneração e pouco tempo disponível para o convívio familiar pioram muito a situação”.

Na população geral, o suicídio é registrado três vezes mais entre homens do que entre mulheres. Na Polícia Civil, uma instituição onde, ainda hoje, os homens são mais de 75% do efetivo, esse número cresce ainda mais. De 2018 a 2022, dos 37 casos registrados, 33 foram de homens e 4 de mulheres.

“A atividade policial coloca o profissional em contato diário com o que há de mais cruel e desumano na sociedade. Essa realidade, associada à questão cultural de que o homem não deve pedir ajuda sob a rígida ideia de que ele deve ser forte o tempo todo e nunca externar fragilidade, forma o cenário propício para que policiais tirem a própria vida”, aponta a delegada Raquel. “As marcas da atividade policial continuam até após o término da carreira. De 2011 a 2022, foram 15 suicídios de policiais civis aposentados no estado de São Paulo.

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