PRFs e PMs traficavam cocaína para o CV e cobravam R$ 2 mil por kg da droga

A Polícia Federal (PF) identificou um esquema de tráfico interestadual de drogas envolvendo agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Militar (PM). Diálogos interceptados pela PF revelam que os PRFs Diego Dias Duarte, conhecido como “Robocop”, e Raphael Angelo Alves da Nóbrega cobravam até R$ 2 mil por quilo de cocaína transportado para […]

Por Editoria Delegados

PF descobriu fotos nos celulares em que mostra que Heliomar e o PRF Diego Duarte eram próximos

A Polícia Federal (PF) identificou um esquema de tráfico interestadual de drogas envolvendo agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Militar (PM). Diálogos interceptados pela PF revelam que os PRFs Diego Dias Duarte, conhecido como “Robocop”, e Raphael Angelo Alves da Nóbrega cobravam até R$ 2 mil por quilo de cocaína transportado para o Comando Vermelho (CV). Em algumas ocasiões, os agentes chegaram a traficar mais de meia tonelada de drogas, gerando lucros que poderiam ultrapassar R$ 1 milhão.

A investigação culminou na Operação Puritas, deflagrada em 7 de novembro de 2023. O esquema, liderado pelo traficante José Heliomar de Souza, conhecido como “Léo”, tinha como base Porto Velho (RO). Além do transporte de drogas, os agentes utilizavam informações sigilosas para proteger a organização criminosa e comprometer grupos rivais.

Corrupção e lavagem de dinheiro

Os PRFs desempenhavam diversos papéis no grupo criminoso, como o uso de sistemas da corporação para evitar fiscalizações e a prática de contrainteligência para garantir o sucesso das operações. Parte das drogas apreendidas era repassada ao líder Heliomar, que em alguns casos retinha até 30% da mercadoria. A PF afirmou que essa estratégia contribuiu para a rápida expansão da organização.

A quadrilha também mantinha negócios de fachada, como mercados e locadoras de veículos, usados para lavar o dinheiro proveniente do tráfico. A PF revelou que Heliomar atuava diretamente na articulação logística do transporte de drogas, fornecendo informações cruciais aos PRFs sobre as atividades de traficantes concorrentes.

Evidências e métodos do esquema

As investigações mostraram que os agentes utilizavam veículos alugados para evitar suspeitas durante o transporte das drogas. Raphael Angelo chegou a alugar sete carros em dois anos, enquanto Diego Duarte utilizou a mesma estratégia em 16 ocasiões, inclusive cedendo veículos para Heliomar.

Interceptações telefônicas registraram negociações de valores pelos serviços prestados. Em uma conversa de dezembro de 2021, Diego e Raphael consideraram baixo o pagamento de R$ 35 mil por 70 quilos de cocaína, estipulando um valor mínimo de R$ 1,5 mil por quilo.

Prisões e apreensões

Raphael Angelo foi preso em flagrante em julho de 2023, em Canarana (MT), transportando 542 quilos de cocaína. Após capotar o veículo, ele tentou fugir em um táxi, mas foi capturado. Diego Duarte foi detido na Operação Puritas, quando a PF encontrou um cofre com R$ 580 mil e US$ 8,1 mil em sua residência, em Feira de Santana (BA).

Participação de policiais militares

O esquema também envolvia policiais militares da Bahia e Rondônia. Em janeiro de 2023, dois PMs rondonienses foram presos transportando 500 quilos de cocaína. Já em setembro de 2022, o policial militar Francisco de Assis Melo, da Bahia, foi detido com R$ 689 mil em espécie e munições de fuzil, alegando que o dinheiro pertencia a Diego Duarte.

Quem são os 15 integrantes que foram alvos da Operação Puritas

José Heliomar de Souza, vulgo “Leo”, residente na cidade de Porto Velho (RO): atual líder da organização; atua na articulação da logística de transporte de entorpecentes.

Roberte Paulo Aguiar Souza, o Cabo Aguiar da PMRO: motorista da organização criminosa. Atualmente encontra-se foragido.

Gedeon Rocha de Almeida, vulgo “G Rocha”, sargento da PMRO: atuava no transporte de drogas. Foi preso em flagrante por atuar como batedor no transporte de 500kg de cocaína em janeiro de 2023.

Diego Dias Duarte, vulgo “Robocop” ou “DDD”: agente da PRF atualmente lotado no estado da Bahia, entretanto já foi lotado na cidade de Guajará-Mirim. Diego atuava diretamente nos transporte de droga; alugava veículos; consultava sistemas da PRF.

Raphael Ângelo Alves da Nóbrega, agente da PRF: Foi preso preso transportando 542 kg de cocaína em Canarana (MT). Assim como Diego, ele também realizava a consulta em sistemas informatizados da PRF para que outros membros do grupo evitassem fiscalizações. Recebeu um Jeep Pass como forma de pagamento pelo transporte de drogas.

Francisco de Assis Araújo Melo, policial militar da Bahia: encontrou-se com Heliomar no dia anterior de sua prisão em flagrante por portar ilegalmente munições de fuzil. Na ocasião, Francisco transportava grande quantia em dinheiro, a qual atribuiu ao “amigo” PRF Diego Duarte e que teria sido recebida de indivíduo apelidado de “Leo” (Heliomar).

Suziele Gomes de Oliveira: acompanharia os transportes realizados pelo grupo investigado, realizando, entre outras funções, a navegação nas rotas utilizadas pela organização. Ela
acompanhava Raphael no dia em que os dois foram presos em Canarana. Ela também tem ligações com Heliomar, Diego (Robocop) e outros membros da organização criminosa.

Rafael Dias Andrade da Cunha: primo do PRF Diego Dias Duarte, identificado como o contato “Adv” em celular apreendido com Suziele. Ele seria o batedor da droga apreendida com Suziele e o PRF Raphael Angelo em Canarana (MT).

Emerson Miranda Santos, vulgo “Cumpadre”: é um dos destinatários dos transportes organizados por José Heliomar. Foi um dos financiadores da compra do veículo Jeep Compas utilizado como pagamento ao PRF Raphael Angelo.

Lucas Acácio Botelho, o “Don Príncipe”: se autodeclara como membro do Comando Vermelho (CV), desempenhando um papel central na organização criminosa no Ceará. Além de ser um dos destinatários da droga, é também encarregado de coordenar os membros locais responsáveis pela logística e pelos pagamentos relacionados ao tráfico de entorpecentes.

Thiago Silva Duarte, vulgo “Don Oscar”: principal contato de Lucas Acácio no núcleo da organização criminosa em Fortaleza (CE), sendo responsável pela parte financeira do grupo.

Thiago Rodrigues Pinheiro, vulgo “Babu”: citado recorrentemente em conversa de Don Príncipe com José Heliomar, tendo realizado deslocamentos suspeitos, segundo as investigações.

Matheus Lourenço de Oliveira: responsável pela parte financeira da organização criminosa que lida com os pagamentos e depósitos bancários. Ele trabalha sob ordens de Don Príncipe.

Rafael Assunção Gadelha: membro operacional responsável pela logística no estado do Ceará. Se deslocou a mando de “Don Príncipe” e foi responsável por um encontro em Jijoca de Jericoacoara (CE) possivelmente para receber entorpecentes de Diego Dias Duarte, que estava acompanhado de Suziele.

Lucas Lourenço de Oliveira, vulgo “Boleta”, executa papel similar ao de Matheus Lourenço, que é seu irmão, atuando sob as ordens de Don Príncipe.

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