Polícia vai quebrar sigilo de 30 perfis suspeitos de ofensas a Taís Araújo

RJ: Internautas são de SP e RJ e podem responder por formação de quadrilha A Polícia Civil do Rio vai quebrar o sigilo de cerca de 30 perfis de usuários de redes sociais suspeitos de conexão com os comentários racistas publicados em uma foto de Taís Araújo. A atriz prestou depoimento nesta quarta-feira (4) na […]

Por Editoria Delegados

RJ: Internautas são de SP e RJ e podem responder por formação de quadrilha

A Polícia Civil do Rio vai quebrar o sigilo de cerca de 30 perfis de usuários de redes sociais suspeitos de conexão com os comentários racistas publicados em uma foto de Taís Araújo. A atriz prestou depoimento nesta quarta-feira (4) na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.

 

“O crime é de injúria racial, feito por representação, e com aumento de pena por ser veiculado na internet. Ela veio para cá para autorizar o início das investigações”, afirmou o delegado Alessandro Thiers, titular da DRCI.

A Polícia Civil diz que, mesmo que os perfis responsáveis pelas ofensas tenham sido apagados, eles serão encontrados. A pena por injúria racial pela internet pode chegar a quatro anos de detenção. Se ficar comprovado que houve crime de formação de quadrilha também, a pena pode aumentar para oito anos.

“Racismo na internet é falta do que fazer. A polícia vai encontrar essas pessoas, porque tudo deixa rastros”, explicou.

 

Atriz enviou nota

A atriz informou, por meio de nota, que prestou depoimento para manter a decisão de levar o caso à justiça na crença de que autores de injúria racial possam ser punidos. “Presto depoimento porque sei que meu caso não é isolado e é exatamente o que acontece com milhares de outros negros no país”, disse a atriz.

 

A atriz reiterou ainda que, a partir de agora, confia na polícia para a solução do caso e que continuará dedicada ao seu ofício. Taís também agradeceu as incontáveis mensagens de apoio e amor que recebeu.

 

Injúria racial ou racismo

O delegado Alessandro Thiers, responsável pela investigação de ofensas racistas contra a atriz Taís Araújo em redes sociais, afirmou que irá iniciar nesta terça-feira (3) a coleta de dados para descobrir se a pessoa responsável pela publicação irá responder por injúria racial ou racismo. Em entrevista ao Bom Dia Rio, o delegado explicou a diferença entre os dois crimes. “Nós pretendemos ouvir todos os envolvidos para saber, de fato, o que ocorreu. A injúria racial é com relação a uma pessoa, é individual. O racismo já é contra uma coletividade. Por exemplo, no caso de você impedir que a pessoal frequente um lugar por uma questão racial.
Acusados de injúria racial podem pegar até três anos de prisão. O racismo é considerado mais grave e pode dar pena de até cinco anos.

Notificação

Thiers, titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, destacou a importância de as pessoas denunciarem esse tipo de crime. “Tudo o que é feito pela internet deixa rastro e a polícia tem condições de chegar até a pessoa, mas, para isso, as pessoas precisam ir até a delegacia e efetuar o registro”.

Ainda segundo o delegado, é importante que qualquer vítima de ofensas raciais procure a delegacia para que este tipo de crime não fique impune.
“A internet não é uma página em branco, você não pode publicar qualquer coisa de maneira irresponsável. Tudo o que é pulicado na internet gera uma responsabilidade. A pessoa pode responder não só pelo crime, mas por um dano moral ou qualquer outra coisa”, disse.

A foto da atriz que passou a receber comentários preconceituosos de diferentes perfis foi publicada no início de outubro. A hashtag #SomosTodosTaísAraújo, em defesa da artista, virou trending topic no Twitter na manhã deste domingo (1).

Desabafo

Taís desabafou na mesma rede onde foi ofendida e antecipou que vai recorrer à Polícia Federal (Leia o texto na íntegra ao final da reportagem). No Twitter, reproduziu o texto junto a hashtag “Não Passarão”.

“É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar. Na última noite, recebi uma série de ataques racistas na minha página. Absolutamente tudo está registrado e será enviado à Polícia Federal. Eu não vou apagar nenhum desses comentários. Faço questão que todos sintam o mesmo que eu senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena neste país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça”, escreveu.

 

Injúria

O crime de injúria está previsto no artigo 140 do Código Penal e consiste em ofender a dignidade ou o decoro de alguém “na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. A pena pode chegar a três anos de reclusão.

Racismo

Já para o crime de racismo, é preciso que um promotor abra um processo contra o autor das ofensas. Os acusados podem responder pelos crimes previstos na Lei 7.716, de 1989. Há várias penas possíveis para racismo, entre elas prisão e multa. O crime de racismo não prescreve e também não tem direito à fiança. A pena varia entre dois e cinco anos de prisão.

Confira o desabafo de Taís Araújo

“É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar. Na última noite, recebo uma série de ataques racistas na minha página. Absolutamente tudo está registrado e será enviado à Polícia Federal. Eu não vou apagar nenhum desses comentários. Faço questão que todos sintam o mesmo que eu senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena neste país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça.

Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu! Por ironia do destino ou não, isso ocorreu no momento em que eu estava no palco do teatro Faap com o “Topo da Montanha”, um texto sobre ninguém menos que Martin Luther King e que fala justamente sobre afeto, tolerância e igualdade. Aproveito pra convidar você, pequeno covarde, a ver e ouvir o que temos a dizer. Acho que você está precisando ouvir algumas coisinhas sobre amor.

Agradeço aos milhares que vieram dar apoio, denunciaram comigo esses perfis e mostraram ao mundo que qualquer forma de preconceito é cafona e criminosa. E quero que esse episódio sirva de exemplo: sempre que você encontrar qualquer forma de discriminação, denuncie. Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado.A minha única resposta pra isso é o amor!”

 

 

 

G1

 

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