O Desafio de Combater a Violência Contra a Mulher no Brasil

A violência contra a mulher no Brasil é um fenômeno complexo, originado de múltiplas causas que demandam ações intersetoriais tanto da sociedade quanto do Poder Público. Esse tipo de violência não se limita às agressões físicas visíveis, como equimoses, edemas ou fraturas, mas engloba também uma vasta gama de ofensas psicológicas, morais, sexuais, psíquicas e […]

Por Editoria Delegados

A violência contra a mulher no Brasil é um fenômeno complexo, originado de múltiplas causas que demandam ações intersetoriais tanto da sociedade quanto do Poder Público. Esse tipo de violência não se limita às agressões físicas visíveis, como equimoses, edemas ou fraturas, mas engloba também uma vasta gama de ofensas psicológicas, morais, sexuais, psíquicas e culturais.

Como um problema social enraizado na história, a violência contra a mulher é um reflexo das estruturas disfuncionais da sociedade brasileira. As representações sociais negativas e a herança cultural de um patriarcado persistente contribuem para o alarmante número de feminicídios e outras formas de violência física e psíquica contra mulheres no país.

A promulgação da Lei n. 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, foi um marco significativo no combate à violência contra a mulher. Esse marco legal criou mecanismos para coibir esse tipo de violência e representou um avanço inegável na proteção dos direitos das mulheres. No entanto, apesar de termos uma das leis mais avançadas do mundo, o Brasil ainda ocupa as primeiras posições nos rankings globais de violência contra mulheres.

Segundo um estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e da ONU Mulheres, cerca de 89 mil mulheres e meninas foram assassinadas intencionalmente em 2022 em todo o mundo, o maior número registrado nos últimos 20 anos. O estudo revela ainda que 45% dos homicídios de mulheres são cometidos por familiares ou parceiros íntimos, indicando que o lar pode ser o local mais perigoso para elas. Em média, mais de 133 mulheres ou meninas foram mortas diariamente por alguém em suas próprias casas. O silenciamento das vítimas e a subnotificação dos casos de feminicídio indicam que a verdadeira dimensão do problema pode ser ainda maior.

O combate à violência contra a mulher requer mais do que apenas a atualização das leis. É necessário um esforço conjunto para educar e treinar todos os agentes envolvidos na segurança pública, incluindo as polícias Civil e Militar, além dos profissionais da justiça, como advogados e promotores. As vítimas precisam de proteção efetiva, que garanta seus direitos à vida e à dignidade.

Além do setor público, empresas e outros atores privados também têm responsabilidades na resposta às múltiplas formas de violência contra mulheres e meninas, especialmente no ambiente online, onde a misoginia, o discurso de ódio e a violência sexual são cada vez mais frequentes. Plataformas digitais, redes sociais e aplicativos de mensagem se tornaram espaços onde essas violências são amplificadas.

A violência contra mulheres e meninas não se limita ao ambiente privado ou doméstico; ela está presente em espaços públicos, locais de trabalho, na política, nos esportes e no ambiente online. Para combater essa realidade, é fundamental implementar formas de prevenção e eliminação da violência, seguindo as diretrizes da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS nº 5, que visa alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas até 2030.

Conclui-se que a violência contra a mulher é uma das principais formas de violação dos direitos humanos no Brasil e representa um desafio significativo para as políticas públicas e as forças de segurança. Para enfrentar essa crise, é essencial um esforço coordenado que envolva todos os setores da sociedade.

Sobre a autora

Raquel Gallinati
Delegada de Polícia
Secretária de Segurança Pública de Santos
Diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

 

Veja mais

Secretário Nacional de Segurança Publica reforça compromisso de acabar com a impunidade e o crime organizado no Brasil

PEC fortalece a integração entre União, estados e municípios e garante financiamento para o enfrentamento da criminalidade

Governador do Piauí comemora aprovação da PEC da Segurança Pública na Câmara dos Deputados

(PI) A proposta visa melhorar a integração dos órgãos de segurança do país e garantir mais recursos para o setor.

Tudo o que você precisa saber sobre o Flagman Casino

O conjunto cobre usabilidade, segurança, pagamentos e ritmo de promoções, fornecendo um recorte prático para decisões de cadastro

Campanha do Sindicato dos Delegados escancara sucateamento da Polícia Civil e promessas não cumpridas de Tarcísio

(SP) Movimento teve início nessa terça-feira (24/2), em diversas cidades do interior paulista; com direito a outdoors espalhados nas principais vias do estado e ofensiva digital, Sindpesp fala em baixos

Por que a morte de líderes do crime organizado raramente desmantela suas estruturas?

Por Raquel Gallinati e Rodolfo Laterza

Delegados da PCDF suspendem voluntário e cobram reajuste do governo

(DF) O principal motivo da mobilização dos delegados da PCDF é a falta de reajuste no valor pago pela hora do Serviço Voluntário Gratificado

Piauí amplia sistema de videomonitoramento com instalação de totem inteligente na Capital

(PI) Equipamento reúne monitoramento inteligente, integração entre as forças de segurança e participação direta da população, consolidando uma política pública moderna, orientada pelo uso estratégico de dados
Veja mais

II Conferência de Segurança Pública Ilab-Segurança 2026

(DF) A II Conferência de Segurança Pública - iLab Segurança 2026 ocorrerá de 3 a 6 de março de 2026, em Brasília-DF

Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), dezenas de invólucros de entorpecentes e o uso de drogas

A Consultoria Jurídica do Portal Nacional dos Delegados elaborou todos os modelos necessários para o delegado de polícia. O assinante poderá usar cada modelo e apenas colocar referências ou incluir

”Reajuste de 45% para Polícia Civil anunciado por Tarcísio é fake news”, alerta Sindicato dos Delegados

(SP) Entidade desafia policiais a provarem, no holerite, aumento divulgado pelo Estado; percentual inflado se apropria de reajuste concedido na gestão anterior pelo então governador João Doria

Flagrante de quem acaba de adquirir a droga e confere a quantidade recebida

Tipicidade, atipicidade, abordagem, apreensão, detenção, condução, prisão e autuação

Flagrante de quem acaba de adquirir a droga e confere a quantidade recebida | decisões jurídicas policiais

Tipicidade, atipicidade, abordagem, apreensão, detenção, condução, prisão e autuação

“Carnaval Policial”: aplicativo indispensável para policiais no período carnavalesco

Plataforma estratégica com atualização diária, inteligência artificial exclusiva e soluções jurídicas integradas para fortalecer a atuação policial em todo o Brasil

Após operação policial, delegado Charles Pessoa toma café da manhã ao som de marchinhas de Carnaval

(PI) Trabalho incansável, compromisso público e valorização cultural marcam atuação da Polícia Civil do Piauí
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.