“Nova lei seca já não funcionou!” Por Luiz Flávio Gomes

    A nova lei seca entrou em vigor no dia 21.12.12. Desta data até o dia 02.01.13, nas estradas federais, morreram 392 pessoas, contra 353 no mesmo período, no ano passado. Houve aumento, nas mortes, de 11%. Mesmo que se leve em conta o incremento da frota de veículos em 2012, ainda assim, o […]

Por Editoria Delegados

 

 

A nova lei seca entrou em vigor no dia 21.12.12. Desta data até o dia 02.01.13, nas estradas federais, morreram 392 pessoas, contra 353 no mesmo período, no ano passado. Houve aumento, nas mortes, de 11%. Mesmo que se leve em conta o incremento da frota de veículos em 2012, ainda assim, o aumento é de 3%. Na Europa, mais que o acréscimo na frota, eles computam a quantidade de deslocamentos.

 

A Polícia Rodoviária foi mais diligente nos testes de embriaguez, que passaram de 25.214 para 70.855; aplicou mais multas (de 740 ante 1.716) e prendeu mais gente (322 contra 723). Esse trabalho intenso da Polícia foi eficaz para reduzir o número de acidentes (de 7.949 para 7.040) bem como o número de feridos (de 4.841 para 4.171). Mas não funcionou para diminuir o número de mortes.

 

Nos cinco primeiros dias de vigência da lei (período do Natal de 2012), nas rodovias federais, ocorreram 222 mortes, 38% mais que em 2011 (O Globo de 27.12.12, p. 7). Por que a nova lei seca não funcionou e tende a não funcionar?

 

Porque a eficácia de uma lei não acontece em razão do seu endurecimento (multa mais alta) ou mesmo da flexibilização dos meios probatórios, sim, em virtude da sua constante e permanente aplicação e fiscalização. Nas festas de 2012/2013 o motorista já sabia que haveria certo incremento da fiscalização, mas ele tem consciência de que isso é sazonal, temporário e precário. Ele sabe que esse fenômeno não é constante. Logo, com a certeza da impunidade, ele não altera seus hábitos etílicos, muito menos o costume animalesco de beber e dirigir. Isso é da cultura de grande parte dos brasileiros.

 

Como se altera a cultura de um povo? Por meio da cultura (conscientização), da fiscalização e da punição. Para que serve a cultura? Segundo Nietzsche (Genealogia do poder: p, 46), ela serve para “domesticar a besta humana, para fazer dela um animal manso e civilizado, um animal doméstico”.

 

Em matéria de trânsito, ainda não podemos admitir que todos somos “animais domesticados”. Há uma quantidade infinita de “bestas humanas” no volante, que ainda não foram domesticadas. Por quê?

 

Porque (também) em matéria de trânsito, apesar dos avanços (do progresso), o que prepondera é a desordem, a falta de empenho em fazer as coisas corretas. Europa reduziu na primeira década do século XXI em 42% o número de mortos no trânsito. Fez o que tem que ser feito: Educação desde a primeira idade, Engenharia (mais segurança nas estradas, nas ruas e nos carros), Fiscalização intensa e permanente, Primeiros socorros imediatos e Punição certa (sem morosidade).

 

Por que no Brasil aumentamos em 4% ao ano o número de mortos no trânsito? Isso não é fruto do ocaso. Para toda salada da morte existe uma receita: coloca-se nas mãos de muita gente despreparada (“bestas humanas não domesticadas”), sem treinamento adequado, sem educação especializada e sem consciência das suas responsabilidades, um veículo potente (verdadeira arma); incrementa-se em 5 milhões por ano o número de veículos; relaxa-se na fiscalização; garante-se a impunidade, sobretudo via corrupção dos policiais; juntam-se, à morosidade do judiciário, carros sem a devida segurança, estradas mal sinalizadas, pouco investimento em tecnologia, má gestão pública, falta de estratégias extra-penais de prevenção, ausência de educação sobre trânsito nas escolas, não aplicação no trânsito daquilo que é arrecadado na área, baixa remuneração dos policiais, falta de estrutura de quem fiscaliza etc.

 

Se a tudo isso agregamos a irresponsabilidade da “besta humana não domesticada” de beber e dirigir, está feita a salada da morte. É só contabilizar anualmente os óbitos: 36.281 em 1996, 28.995, em 2000, 35.994, em 2005, 42.844, em 2010, e cerca de 46 mil no ano de 2012, de acordo com as projeções do nosso Instituto Avante Brasil. Temos que copiar o modelo europeu.

 

Autor: Luis Flávio Gomes

 

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

Veja mais

Policiais Civis do DF passam a ganhar folga no dia do aniversário

(DF) Portaria foi publicada nesta terça (10/3) no DODF. Para que o servidor seja contemplado com o benefício, deverá atender a alguns critérios

Delegada denuncia assédio do Secretário de Segurança Pública do Maranhão

(MA) Delegada Viviane Fontenelle relatou ter sido vítima de assédio em reunião com o secretário de Segurança do MA: “Delegata”. Adepol pede investigação

ADPF comunica mobilização nacional em defesa do encaminhamento do FUNCOC

ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) informa nova fase na Mobilização Nacional

I Congresso Nacional de Delegadas do Brasil “No Combate à Violência conta a Mulher”

Iniciativa da Adepol do Brasil reúne delegadas para debater estratégias, desafios e avanços, além de apresentar carta nacional com propostas institucionais

OAB ‘suspende’ advogado que foi preso após prejudicar trabalho de policiais em delegacia do DF

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro

Jean Nunes e Chico Lucas reforçam protagonismo na articulação pela PEC da Segurança Pública e fortalecimento do SUSP

Em agenda institucional, o presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança e o Secretário Nacional da Segurança Pública evidenciam cooperação federativa, defenderam integração entre entes e destacaram estratégias conjuntas

Advogado que “estuprava” e “defecava” nas vítimas é preso após prejudicar trabalho de policiais na delegacia

(DF) Advogado acumula 14 inquéritos policiais, 9 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e duas condenações judiciais, uma delas por estupro
Veja mais

Secretário Nacional de Segurança Publica reforça compromisso de acabar com a impunidade e o crime organizado no Brasil

PEC fortalece a integração entre União, estados e municípios e garante financiamento para o enfrentamento da criminalidade

Governador do Piauí comemora aprovação da PEC da Segurança Pública na Câmara dos Deputados

(PI) A proposta visa melhorar a integração dos órgãos de segurança do país e garantir mais recursos para o setor.

Tudo o que você precisa saber sobre o Flagman Casino

O conjunto cobre usabilidade, segurança, pagamentos e ritmo de promoções, fornecendo um recorte prático para decisões de cadastro

Campanha do Sindicato dos Delegados escancara sucateamento da Polícia Civil e promessas não cumpridas de Tarcísio

(SP) Movimento teve início nessa terça-feira (24/2), em diversas cidades do interior paulista; com direito a outdoors espalhados nas principais vias do estado e ofensiva digital, Sindpesp fala em baixos

Por que a morte de líderes do crime organizado raramente desmantela suas estruturas?

Delegada Raquel Gallinati (diretora da Adepol do Brasil) e Delegado Rodolfo Laterza (presidente da Adepol do Brasil)
Por Raquel Gallinati e Rodolfo Laterza

Delegados da PCDF suspendem voluntário e cobram reajuste do governo

(DF) O principal motivo da mobilização dos delegados da PCDF é a falta de reajuste no valor pago pela hora do Serviço Voluntário Gratificado

Piauí amplia sistema de videomonitoramento com instalação de totem inteligente na Capital

(PI) Equipamento reúne monitoramento inteligente, integração entre as forças de segurança e participação direta da população, consolidando uma política pública moderna, orientada pelo uso estratégico de dados
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.