“Não temos acompanhamento psicológico”, afirma delegado da PF

    Na opinião do delegado Marcos Leôncio Ribeiro, presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), a PF tem “boa” estrutura física.   “Nosso grande problema está na gestão de recursos humanos, nas relações interpessoais e no cuidado com o que há de mais valioso na PF, que é o seu servidor, […]

Por Editoria Delegados

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Na opinião do delegado Marcos Leôncio Ribeiro, presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), a PF tem “boa” estrutura física.

 

“Nosso grande problema está na gestão de recursos humanos, nas relações interpessoais e no cuidado com o que há de mais valioso na PF, que é o seu servidor, tanto policial quanto administrativo.”

 

Segundo ele, a consequência do baixo número de servidores administrativos é que não há ninguém cuidando dessa que é uma das atividades mais estressantes do mundo.

 

“Não temos acompanhamento psicológico para o caso de policiais que, no desempenho da atividade ou em legítima defesa, disparam contra alguém. Não é à toa que, nos últimos dois anos, houve 25 suicídios de servidores do DPF. Destes, pelo menos dois eram delegados”, ressaltou.

 

Para Ribeiro, dois fatores explicam o alto índice de suicídios no departamento: a facilidade de acesso a armas e a “insensibilidade do DPF” para enxergar que o servidor enfrenta problemas.

 

“Se houvesse acompanhamento psicossocial, pela nossa área administrativa, esse índice [de suicidas] certamente seria menor, porque [ao identificar o risco] o uso da arma poderia ser vetado”, acrescentou o delegado.

 

Para 56,74% dos pesquisados, faltam profissionais de psicologia e assistência social em seus locais de trabalho.

 

“O número de policiais deprimidos ou vítimas de alcoolismo também assusta”, acrescentou Ribeiro.

 

Os delegados demonstram, porém, satisfação com as condições de trabalho. Para 51%, o espaço físico é adequado e são satisfatórios, em termos de quantidade e qualidade, os armamentos e coletes (66,43% dos entrevistados), material de expediente (67,98%), equipamentos de telefonia e fax (76,13%) e veículos usados pela corporação (43%).

 

“São números considerados positivos, principalmente porque, no passado, eram muito piores”, disse Ribeiro.

 

“Apesar de, em geral, os serviços de segurança e incêndio dos prédios da PF terem boa qualidade, chama a atenção o fato de a sede [localizada em Brasília] não ter escadas de incêndio. Preocupa-nos também a terceirização dos serviços de tecnologia da informação porque isso representa risco [à segurança de informações consideradas sigilosas]”, completou o dirigente da ADPF.

 

Agência Brasil

 

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