Morte de ganhador da Mega: Polícia Civil de SP conclui inquérito com 5 presos e mais outros três suspeitos

SP: Polícia Civil indiciou os 5 por extorsão mediante sequestro seguido de morte. Jonas Lucas, ganhador de R$ 47,1 milhões da loteria, foi assassinado em 14 de setembro. Jonas Lucas Alves Dias, de 55 anos, ganhador da Mega-Sena, assassinado em Hortolândia (SP) A Polícia Civil concluiu nesta quarta-feira (9) o inquérito que investigou cinco suspeitos […]

Por Editoria Delegados

SP: Polícia Civil indiciou os 5 por extorsão mediante sequestro seguido de morte. Jonas Lucas, ganhador de R$ 47,1 milhões da loteria, foi assassinado em 14 de setembro.

 Jonas Lucas Alves Dias, de 55 anos, ganhador da Mega-Sena, assassinado em Hortolândia (SP) 

A Polícia Civil concluiu nesta quarta-feira (9) o inquérito que investigou cinco suspeitos presos temporariamente pelo assassinato de Jonas Lucas Alves Dias, ganhador de R$ 47,1 milhões da Mega-Sena, e pediu a prisão preventiva de todos.

Apesar de finalizar o inquérito, a delegada Juliana Ricci, responsável pelo caso, afirmou que outros três suspeitos seguem sendo investigados. Questionada sobre qual foi a participação do trio, ela afirmou ser muito cedo para detalhar.

“O IP [inquérito policial] está encerrado. Mas há diligências que serão encaminhadas em apartado [separado]”, informou ao g1. “As investigações ainda prosseguem em relação a três pessoas, nada impedindo a identificação de mais envolvidos”, reforçou a delegada.

Segundo ela, os cinco presos foram indiciados pelos crimes de associação criminosa e extorsão mediante sequestro seguida de morte.

O assassinato ocorreu em 14 de setembro. O milionário foi abandonado com sinais de espancamento à beira de uma rodovia, chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.

Dentre os presos, Marcos Vinicyus Sales de Oliveira, foi o último capturado. A prisão dele ocorreu quando o crime completou um mês. Na época, Ricci detalhou a participação de cada um dos acusados detidos. Veja abaixo:

Rebeca Messias Pereira Batista (24 anos): forneceu os documentos para abertura de uma conta bancária para onde foi transferido dinheiro retirado do milionário da Mega-Sena.
Roberto Jeferson da Silva, o Gordo (38 anos): responsável por abrir a conta com os dados de Rebeca, inclusive deu o endereço pessoal para abertura da conta. Também fez o saque de parte do dinheiro depositado na conta.

Rogério de Almeida Spínola (48 anos): apontado como comparsa de Gordo, sempre visto em sua companhia nos vídeos obtidos pelo Polícia Civil.

Marcos Vinicyus Sales de Oliveira (22 anos): após a abertura da conta pelo trio, teria dado o “start” para o crime. Seria o motorista da caminhonete S-10 vista no local onde o milionário foi sequestrado (o veículo ainda não foi apreendido). Ele nega que tenha arrebatado a vítima, mas confirma que, de posse do cartão e senha, foi até o banco habilitar o aplicativo em um celular, onde fez as transferências via PIX.

Marcos Vinicius Ferreira (22 anos): dono do Ford Fiesta preto que teria sido usado para sequestrar Jonas Lucas. Segundo a Polícia Civil, ele seria o responsável por manter o milionário sob ameaça, possivelmente com auxílio do revólver que foi apreendido com ele. O suspeito nega e diz que emprestou o carro para Vini.

Nenhum dos presos assumiu participação nas agressões sofridas por Jonas Lucas, que foi deixado com sinais de espancamento às margens da Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), em Hortolândia, vindo a óbito no hospital no dia 14 de setembro.

Marcos Vinicyus Sales de Oliveira, conhecido como Vini, quinto suspeito preso por envolvimento na morte do ganhador da Mega-Sena — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Para a delegada que comanda a investigação, Juliana Ricci, os suspeitos tinham conhecimento da situação financeira de Jonas Lucas e agiram por conta do prêmio. Os presos negam o crime.

A delegada já rechaçou a versão apresentada pela defesa de alguns dos investigados, de que teriam apenas fornecido documentos ou agido com a intenção de cometer estelionato, e não extorsão mediante sequestro seguido de morte, que é a linha de investigação da Polícia Civil.

“Investigamos todos eles como integrantes, todos tinham suas tarefas. Alguns dos presos alegam que iriam praticar crimes menores, como estelionato, mas o que temos até agora é apenas a conta aberta em que depositaram dinheiro da vítima. Não tem outra conta, não tem outras vítimas”, pontuou, na data da prisão do quinto suspeito.
Segundo a investigação, o milionário saiu de casa na manhã do dia 13 de setembro no Jardim Rosolém, em Hortolândia, para caminhar, como sempre fazia, e levou somente a carteira e documentos.

Jonas foi socorrido na manhã do dia seguinte às margens da rodovia com sinais de espancamento. Ele foi levado pelo resgate da concessionária AutoBAn ao Hospital Mário Covas, mas não resistiu.

Estima-se que a vítima ficou cerca de 20 horas em poder dos criminosos, que retiraram R$ 20,6 mil de sua conta, por saques e PIX, antes de ele ser abandonado na Rodovia dos Bandeirantes.

Durante o período em que esteve desparecido, os criminosos chegaram a tentar uma transferência de R$ 3 milhões, sem sucesso.

Áudios obtidos pelo Fantástico mostram pedidos de Jonas Lucas para que a gerente de seu banco liberasse uma transferência R$ 3 milhões a partir de sua conta (ouça no vídeo acima).

Os pedidos foram feitos quando ele já tinha sido sequestrado e estava sob o poder da quadrilha, que tentava extorquir dinheiro da vítima.

“Não chegou nada do comprovante, consegue agilizar isso pra mim?”, diz Jonas em uma das mensagens de áudio. “Tô aqui na fazenda, preciso fechar isso aqui hoje”, afirma, em outro momento.

A delegada Juliana Ricci disse que a transferência foi negada porque “o valor era irreal”. “Ele estava subjugado, disso nós temos certeza. Pede transferência bancária, que obviamente foi negada porque o valor era irreal para ser transferido sem ser presencialmente”, disse.

Os irmãos de Jonas Lucas deixaram a casa em que moravam no Jardim Rosolém após o crime e estão “escondidos”, segundo um amigo da vítima.

Jonas foi velado e sepultado no dia 16 de setembro, em evento restrito que reuniu cerca de 50 pessoas, entre amigos e familiares. Um ônibus chegou a levar vizinhos para a cerimônia. O sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade, em Sumaré (SP).

“Depois do velório, não vi mais, não tenho notícia. Que resolva o caso mais rápido possível. Nem se souber (o local), vou falar”, disse.

Segundo a delegada Juliana Ricci, o ganhador da Mega-Sena tinha um núcleo familiar pequeno e restrito, uma vez que não era casado nem tinha filhos. Ele morava apenas com os irmãos, e os pais já tinham falecido.

Um amigo de Jonas Lucas contou ao g1 que várias pessoas aconselharam “Luquinha”, como a vítima era conhecida, a mudar de rotina e sair do bairro depois de virar milionário. Uma das aplicações que fez com o dinheiro foi reformar a residência que dividia com os irmãos, mas nada de luxo.

Segundo o homem, que preferiu não ter a identidade revelada, Luquinha nunca quis sair do Jardim Rosolém e acreditava que nada aconteceria.

“‘Muda de lugar, Luquinha, vai para um condomínio fechado, muda a rotina’. Ele nunca quis”, recorda.

De hábitos simples, Jonas Lucas saía de casa todos os dias entre 5h30 e 6h e seguia até uma padaria do bairro. Na manhã do dia 13, acabou sequestrado, extorquido e espancado.

 

A subinspetora da Guarda Civil Municipal, Érika Traldi, afirmou que a mulher alegou ter sido “abordada” por dois homens, que a levaram até um banco e pediram para que abrisse uma conta. Rebeca passou dois apelidos dos homens e disse não saber os nomes.

Segundo a Polícia Civil, Roberto Jeferson da Silva, conhecido como Gordo, preso na tarde de 23 de setembro, teria aberto a conta em nome de Rebeca e depois feito o saque de parte dos valores. Ele não possui passagens pela polícia.

Penúltimo preso pela Polícia Civil por envolvimento no caso, Marcos Vinicius, de 22 anos, é homônimo de Vini, preso nesta sexta (14). Ele foi capturado em Campinas (SP).

O nome de Marcos Vinícius surgiu durante a investigação, mas por conta do período eleitoral, que autoriza apenas a prisão em flagrante, a equipe teve de adiar a captura para após o 1º turno.

O jovem acabou preso em flagrante por porte ilegal de um revólver com numeração suprimida, mas teve a prisão temporária decretada pela Justiça de Hortolândia no inquérito que apura extorsão mediante sequestro seguido de morte.

Com ele foi apreendido um Ford Fiesta Preto, que segundo a Polícia Civil teria sido usado no sequestro de Jonas Lucas. Marcos Vinicius também admitiu conhecer o xará.

Segundo o diretor Departamento de Polícia Judiciária do Interior 9 (Deinter 9), Kleber Altale, Marcos Vinicyus, conhecido como Vini, dirigia um dos veículos usados no crime, uma caminhonete S-10. A Justiça decretou a prisão dele em 17 de setembro.

A vítima foi abordada quando saía, a pé, de uma padaria e obrigada a entrar na caminhonete. Os criminosos usaram violência ”extrema”, segundo a polícia, para que ele informasse os dados bancários.

A delegada Juliana Ricci afirma que foi Marcos Vinicyus o responsável pelos dois saques de R$ 1 mil e pela transferência no valor de R$ 18,6 mil da conta de Jonas Lucas. O suspeito foi flagrado por câmeras de segurança em uma agência da Caixa Econômica de Campinas, onde realizou as transações.

 

Segundo Juliana, Marcos Vinicyus também habilitou um aplicativo de celular para conseguir realizar as movimentações financeiras. O suspeito tem passagens por estelionato e receptação e deixou o sistema penitenciário em setembro de 2021.

 

g1

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