Delegado afirma que empresário tinha tara por meninas virgens

MT: Empresário de 50 anos, foi preso pela Polícia Civil “Uma pessoa fria e calculista, que gosta de ostentar o poder financeiro que tem”. Essa é a definição feita pelo delegado Eduardo Botelho sobre o empresário I.A.F., de 50 anos, preso na última quinta-feira (16), sob acusação de estupro de vulnerável e exploração sexual […]

Por Editoria Delegados

MT: Empresário de 50 anos, foi preso pela Polícia Civil

 

“Uma pessoa fria e calculista, que gosta de ostentar o poder financeiro que tem”. Essa é a definição feita pelo delegado Eduardo Botelho sobre o empresário I.A.F., de 50 anos, preso na última quinta-feira (16), sob acusação de estupro de vulnerável e exploração sexual de menores de idade, em Cuiabá.

 

“Ele tem aquela empáfia: veste-se muitíssimo bem, anda com relógios de grife. É uma pessoa que, se você encontrar em qualquer lugar, não diria que tem esse tipo de comportamento. Nunca. Tem uma vestimenta impecável, com terno, colete, gravata”, afirmou o policial.

 

Botelho, que esteve à frente das investigações iniciadas em 2013 contra o empresário, na Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), afirmou que, durante os últimos cinco anos, a Polícia tem provas de que I.A.F. aliciou pelo menos 10 adolescentes com idades entre 12 e 16 anos, em Cuiabá.

 

Em entrevista ao MidiaNews, o delegado explicou que a tática usada pelo empresário para se aproximar das vítimas era sempre a mesma: as redes sociais.

 

Para tanto, ele contava com a ajuda de uma jovem, que o auxiliava a atrair novas vítimas.

 

“O contato era sempre por meio das redes sociais. Ele conhecia uma vítima e a convencia a convidar as amigas dela. Às vezes, eles seguiam em cinco para o motel – ele e mais quatro adolescentes”, disse o delegado.

 

“Tara”

 

De acordo com Botelho, o empresário sabia escolher as meninas com quem iria se relacionar, dando preferência a jovens virgens que morassem nos bairros periféricos da Capital, como Pedra 90 e Osmar Cabral.

 

“Ele é um capa ‘boa pinta’, que não precisaria disso para conquistar ninguém, mas tinha essa tara, ele gostava de tirar a virgindade das meninas. A busca dele era por essas vítimas em potencial, não qualquer uma”, afirmou.

 

“E, lógico, ele buscava essas vítimas sempre nos bairros menos favorecidos, onde elas ficariam mais suscetíveis ao poder aquisitivo dele. Ele tinha um perfil bem especificado de vítimas”, completou o delegado.

“Ele é um capa ‘boa pinta’, que não precisaria disso para conquistar ninguém, mas ele tinha essa tara: ele gostava de tirar a virgindade das meninas. A busca dele era por essas vítimas em potencial, não qualquer uma”

Segundo Eduardo Botelho, I.A.F. sempre se apresentava como um amigo ou, conforme depoimento das vítimas, como promotor ou advogado, o que foi negado pelo empresário à Polícia.

 

“Para algumas, ele se apresentava como promotor; para outras, como advogado, sempre utilizando um cargo de maior relevo para ajudar a ‘dobrar’ as vítimas”, disse.

 

O acusado convidava as vítimas para darem uma volta com ele e as levava para comer e beber, conquistando a lealdade delas, que não se viam como vítimas, mas como amigas e, até mesmo, namoradas do empresário, segundo Botelho.

 

“Ou seja, elas tinham uma vida de princesa, uma experiência que não fazia parte do metiê delas. Então, era difícil convencê-las de que ele é uma pessoa ruim. Só que ele estava explorando-as sexualmente, não há como negar”, afirmou.

 

Após manter relações sexuais com as garotas, o empresário as pagava com dinheiro – valores de até R$ 400 – e presentes, principalmente smartphones.

 

“Para algumas, ele se apresentava como promotor; para outras, como advogado, sempre utilizando um cargo de maior relevo para ajudar a ‘dobrar’ as vítimas”

 

“Toda adolescente quer um smartphone; então, ele sabia onde ir para conquistá-las. Com isso, ele mantinha contato por várias redes sociais, como Facebook, Badoo”, disse o delegado

 

Investigação e convencimento

 

Eduardo Botelho relatou as dificuldades iniciais da investigação, quando as vítimas primeiramente foram identificadas e abordadas pela Polícia.

 

Segundo o delegado, foi necessário um trabalho de convencimento com as jovens, para que elas entendessem a importância de relatar o relacionamento que mantinham I.A.F., uma vez que elas não se achavam vítimas do acusado.

 

“Eu as convenci de relatar o que aconteceu, mas elas continuam achando que ele é um bom homem. Não se veem como vítimas”, afirmou.

 

“Elas pensam assim: ‘eu moro em uma casa que mal tem comida. Chega um cara em uma Hilux SW4, me leva para o motel, pede o melhor prato do lugar, paga pra mim depois de manter a relação sexual, me deixa tomar espumante, cerveja, o que eu quiser’”, completou o delegado.

 

Segundo Botelho, não há relatos de que o empresário tenha feito uso de qualquer droga para dopar as vítimas, que tinham consciência da relação sexual mantida.

 

Apesar de elas não pensarem no acusado como autor de um crime, o delegado afirmou que isso não irá atrapalhar no processo ao qual I.A.F. já responde junto à 14 ª Vara Criminal da Capital, sob responsabilidade da juíza Wandinelma Santos.

 

“Quando você mantêm relações sexuais com um adolescente em troca de um favor financeiro, o crime acontece do mesmo jeito, mesmo que elas não se vejam como vítimas. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) as vê como vítimas. Então, o crime ocorreu do mesmo jeito”

 

“O tipo penal é muito claro. Quando você mantêm relações sexuais com um adolescente em troca de um favor financeiro, o crime acontece do mesmo jeito, mesmo que elas não se vejam como vítimas. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) as vê como vítimas. Então, o crime ocorreu do mesmo jeito”, disse.

 

Um na multidão

 

Conforme Eduardo Botelho, a prisão do empresário mostra como pessoas que cometem crimes sexuais possuem “um perfil muito diferente”.

 

“São pessoas que se escondem na multidão tranquilamente. Mas, nessa prisão, a mensagem que fica é a de que não é porque a pessoa possui um poder aquisitivo mais abastado que ela está imune à aplicação da lei”, disse.

 

O delegado ainda fez um alerta aos pais. Segundo ele, ao tomarem conhecimento de que as filhas foram vítimas da ação do empresário, os pais se mostraram surpresos.

 

“Mas os pais precisam prestar muita atenção no comportamento dos filhos, principalmente adolescentes. Porque isso pode mostrar o início deles no mundo das drogas, na questão da exploração sexual e pode ditar, até mesmo, o comportamento deles no futuro”, afirmou.

 

Importância da denúncia

 

Segundo Botelho, além da dificuldade em convencer as vítimas a se verem como tais, em investigações de crimes de violência sexual, a complicação maior é quanto às vítimas que não têm coragem de denunciar.

 

“As pessoas acham que passar por um inquérito, um processo de cunho sexual, o desgaste de passar por isso publicamente é maior do que o desgaste provocado pelo sofrimento do crime, então a pessoa prefere deixar isso no seio familiar, por causa da exposição”, disse.

 

“E isso é um erro muito grande, porque esse comportamento das vítimas acaba encorajando esse tipo de pessoas a continuarem praticando esses crimes”, completou.

 

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