Delegada da Polícia Civil de São Paulo fala como taekwondo ajuda na rotina

SP: A veterana Delegada Raquel Gallinati da Polícia Civil do Estado de São Paulo A veterana Delegada Raquel Gallinati (imagem) da Polícia Civil do Estado de São Paulo ganhou os meios de comunicação nacionais recentemente ao assinar ao lado da combativa Promotora Pública Dra. Gabriela Manssur um artigo na Folha de S. Paulo rebatendo […]

Por Editoria Delegados

SP:  A veterana Delegada Raquel Gallinati da Polícia Civil do Estado de São Paulo  

A veterana Delegada Raquel Gallinati (imagem) da Polícia Civil do Estado de São Paulo ganhou os meios de comunicação nacionais recentemente ao assinar ao lado da combativa Promotora Pública Dra. Gabriela Manssur um artigo na Folha de S. Paulo rebatendo matéria do mesmo veículo no qual ambas defendem o direito de policiais mulheres apresentarem fotos portanto armas de fogo em suas redes sociais, ou seja, seus instrumentos de trabalho, e como o mesmo em seu texto não apontou nenhum policial masculino com tal postura.

Delegada Gallinati leva uma vida espartana na qual dedicou muitos esforços para ingressar os quadros da segurança pública paulista iniciando em sua formação em Direito, concurso público para delegada civil, aulas na Acadepol (Academia de Polícia do Estado de São Paulo) obtendo nível expressivo em aulas de tiro.

Parte dessa jornada de disciplina e obstinação vem de sua educação familiar e sua passagem por artes marciais, tendo alcançado a faixa preta no taekwondo, modalidade que treina na respeitada Academia Nehan com os mestres Denis Mesquita e Bruno Saleme.

Os treinos de tiro se dão entre o Centro de Treinamento Tático (CTT) e o Clube Piratininga de Tiro, referências em tal prática. Em entrevista ao Yahoo Esportes, Delegada Gallinati fala de como as práticas de taekwondo e tiro ajudam em sua rotina de trabalho e evolução pessoal além dos desafios de ser mulher dentro da segurança pública.

Yahoo Brasil: Como se deu sua entrada para a polícia civil de São Paulo?

Delegada Gallinati: Passar para o Concurso Público de Delegada de Polícia Civil aqui no estado de São Paulo foi a realização de um sonho, sempre quis ser delegada de polícia, inclusive fiz faculdade de Direito para poder prestar concurso para delegada de polícia.

Todo processo exigiu muito esforço, persistência e resiliência. Eu dediquei aproximadamente cinco anos, fora a faculdade, da minha vida, para estudar e me preparar para as provas do concurso público. E algo muito importante é que o foco e a determinação têm de estar permanentemente nessa jornada que é buscar a aprovação na prova.

A pessoa que pretende e almeja um cargo público em uma seleção feita através de concursos, não pode desanimar nunca porque muitas vezes a gente se depara com muitas derrotas até conseguir atingir realmente aprovação.

Na Acadepol tive excelentes professores no curso preparatório para delegada de polícia. E trabalhar com a segurança pública é muito realizador e gratificante porque foi realmente um sonho para poder realmente servir e prestar a segurança pública.

Como foi seu primeiro contato com artes marciais?

Eu pratico artes marciais desde a infância, meu primeiro contato foi quando eu tinha aproximadamente de sete a oito anos com a capoeira, por influência da minha mãe que é educadora física, formada em Educação Física, e do meu pai. O esporte em si sempre fez parte da minha educação, da minha formação.

Além do taekwondo que eu sou graduada faixa preta, eu fiz a capoeira na qual sou contra-mestre (abaixo de mestre e acima de professor), pratiquei Muay Thai, full contact (kickboxing), boxe… (respira). Mas a arte marcial que me graduei e segui foi o taekwondo.

Quais foram os desafios para obter a faixa preta no taekwondo?

O caminho até a faixa preta em si, porque existe neste caminho: muita dedicação, muita organização, muito foco e tantos outros requisitos para quando você almeja e tem um objetivo.

E isto é determinante para que eu tivesse a disciplina necessária para que eu não desistisse no meio do caminho que foi percorrer a jornada para a aprovação do concurso público para delegada de polícia.

O quão útil é o taekwondo em sua vivência como policial?

O taekwondo assim como todas as artes marciais tem uma filosofia principalmente de lealdade, de ética, de disciplina, de respeito ao próximo.

E a filosofia do taekwondo é fundamental não só na atividade policial, mas também na vida de todas as pessoas: ajuda a ter equilíbrio; capacidade de analisar as situações, principalmente as situações de risco; e tomar as decisões com segurança.

Taekwondo do também ensina que muito mais do que “ganhar,” ensina lidar com as derrotas e com as adversidades de uma forma que não impeça você a continuar (seguir adiante), mas que você depure destas derrotas e desses percalços do caminho lições para que você chegue cada vez com mais aperfeiçoamento, aprimoramento, pratica e determinação da execução do exercício do golpe, e também da execução da sua prática e habilidade como policial e como ser humano.

Com certeza, além do preparo físico, conhecimento em artes marciais deixa todas as pessoas com uma auto confiança, com equilíbrio e com a auto estima preparada para enfrentar os desafios da carreira policial que é extremamente desafiadora.

Já precisou dele em alguma ação?

A utilização do taekwondo fisicamente em golpes, felizmente não tive (de utilizar). Mas da filosofia do taekwondo em muito eu utilizo e diariamente, que é a filosofia de lealdade, de ética, de conduta, de conduta proba, de respeito ao próximo, de respeito aos adversários, de respeito aos mais fracos e aos mais fortes, de hierarquia e de disciplina.

São todas essas premissas de artes marciais que utilizamos diariamente.

Quão importante são as técnicas de defesa pessoal dentro da rotina de policiais?

Técnicas de defesa pessoal e preparo físico são extremamente importantes, porque você tem um preparo tanto para lidar com adversidades em uma diligência, num mandado de busca e apreensão, num mandado de prisão. Mas nunca usei as técnicas como falei anteriormente em confronto físico, mas na experiência do dia a dia, inclusive para solucionar problemas de gerenciamento de crises, toda a situação adversa que existe num trabalho policial, utilizamos diariamente.

Você é praticante de tiro. Como vê a evolução desta modalidade dentro da polícia?

Não sou praticante de tiro nas modalidades esportivas dessas que vemos em Jogos Olímpicos, por exemplo. Pratico tiro dentro das minhas habilitações como policial, tenho formação para armamentos como: pistola, fuzis, carabinas e submetralhadoras.

Então, eu me mantenho sempre pronta e atualizada e em treinamento porque faz parte das próprias atribuições de um policial. O cuidado com os treinamentos de tiro e fundamento de tiro são necessários não apenas para como esporte, mas para que essas habilidades sejam requeridas, e se requeridas, no cumprimento do meu dever como policial.

Quais os benefícios que o tiro esportivo pode trazer para as pessoas?

Como todo esporte, o tiro esportivo necessariamente precisa de muita concentração, foco, treinamento, precisão, calma entre outras qualidades e habilidades fundamentais também para atividade policial.

A senhora recentemente publicou um artigo com a promotora Dra. Gabriela Manssur sobre o preconceito de policiais mulheres que publicam fotos portando armas de fogo, um de seus instrumentos de trabalho nas redes sociais. Como as policiais mulheres são representadas pelos veículos de imprensa?

Este artigo foi realmente para contrapor uma reportagem extremamente machista publicada pela Folha de S. Paulo que criticou as atividades de policiais que apresentam suas rotinas nas redes sociais, e o fato que chama muita atenção é que só utilizou mulheres quando temos muito mais homens policiais atuando na Polícia e também utilizando redes sociais.

Então, o machismo que existe na sociedade e apresenta também um reflexo na polícia que é um ambiente ainda muito masculino. Logo, destacamos que essas policiais além de não estarem fazendo absolutamente nada de irregular estão ajudando milhões de mulheres ao mostrar que mulheres podem atingir seus objetivos em todas as áreas, inclusive na segurança pública. E como dissemos no artigo: “Lugar da mulher é onde ela quiser.”

O estereótipo em que mulheres não podem utilizar armas se assim desejarem tem de ser rompido, até porque temos excelentes atiradoras esportivas mulheres que competem e mostram a aptidão e a capacidade da mulher também neste esporte.

Quais são as dificuldades de ser mulher dentro da força policial?

Nas instituições de segurança pública as mulheres ainda são uma grande minoria, consequentemente, ainda são muito poucas as mulheres que estão em posições de comando e tomada de decisões das instituições de segurança pública, das polícias.

É uma realidade com a qual lutamos diariamente para que mude, as polícias num geral são polícias formadas de homens, pensadas por homens, para homens. Neste sentido, a gente muda e tenta colocar outras visões que antes não se existia para as polícias.

Até um tempo atrás não existiam banheiros femininos, mulheres tinham de lidar realmente com situações que causam certo constrangimento e muitas vezes inibiam mulheres de ingressar na segurança pública.

Lutamos diariamente para que mulheres se sintam encorajadas e que ingressem na segurança pública. A visão da mulher tem muito a contribuir na sociedade em geral, e na segurança pública não é diferente.

E calar e não deixar que as mulheres entrem na segurança pública é calar metade da população, afinal mulheres integram hoje metade da população não só do Brasil como do mundo.

 

Yahoo

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