Ago 23, 2019

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Delegados de São Paulo repudiam palavras do governador Alckmin!

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O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo vem a público lamentar a infeliz colocação do senhor Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, veiculada em reportagem do SBT versando sobre a falta de policiais civis e ausência de delegados de polícia em 40% dos municípios do Estado.

 

Ao expressar que pequenas cidades não deveriam ter delegados, pois a única função que lhes restaria seria “ir pescar”, esqueceu o Senhor Governador de mencionar que as delegacias em cidades pequenas, agora sem delegados, foram criadas por decreto do governo estadual. Se são desnecessárias, e os critérios que levaram à sua criação não foram técnicos, teria havido improbidade administrativa?

 

Olvidou, ainda, que, da lista de 256 municípios sem delegados de polícia, apenas 17 contam com uma população inferior a dois mil habitantes. Acaso conhecesse a fundo a importância da atuação do delegado de polícia e suas funções, bem saberia que, em qualquer comunidade, grande ou pequena, este profissional, mais que um garantidor dos direitos fundamentais, promove a harmonia das relações sociais, hoje maculadas pela violência e impunidade.

 

A sociedade não merece que se oculte a realidade: o efetivo da Polícia Civil está defasado e envelhecido, atrelado a um quadro de pessoal estagnado há mais de duas décadas. Não bastasse a inércia na criação de novos cargos com vistas a acompanhar o crescimento populacional, o quadro da polícia civil sofre ainda com um déficit assustador de cerca de 9 mil cargos.

 

Ademais, as piores remunerações do Brasil aliadas às péssimas condições de trabalho vêm desencadeando um processo de desestímulo e uma enorme evasão de profissionais para outras carreiras. Não é a toa que, mesmo diante de uma crise financeira, nos deparamos com um número desmesurado de pedidos de exoneração: somente na carreira de delegado de polícia temos 1 pedido a cada 29 dias!

 

Lamentamos constatar na fala do Senhor Governador o real motivo da grave crise enfrentada na segurança pública: uma política que relega a segundo plano a instituição encarregada da imprescindível missão de elucidar os crimes.

 

Esculpida nesse padrão de perspectiva, ergueu-se a preocupante realidade: insegurança, crescimento aviltante de crimes graves, como roubos e latrocínios e o fortalecimento desenfreado do crime organizado.


Nenhuma crise financeira é capaz de justificar o atual abandono da Polícia Civil do Estado de São Paulo, notadamente quando se anuncia um superávit nas contas publicas de 1,5 bilhão de reais.

 

É equivocado também invocar a lei de responsabilidade fiscal, pois ela própria autoriza a contratação para reposição dos quadros em casos de aposentadoria e falecimento de servidores das áreas de educação, saúde e segurança.

 

Já passou da hora do Governo admitir a realidade e mostrar à sociedade a vontade política de cumprir com sua responsabilidade de viabilizar a prestação eficiente do serviço de investigação. Afinal, não faltaram recursos para maciço investimento no policiamento ostensivo. Urge dar a mesma atenção à polícia investigativa.

 

Da Redação

 

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

 

 

 

 

 

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