Truque na URL engana usuários com páginas falsas até com https

No Brasil, o mais comum é o uso de páginas falsas para phishing bancário Ataque homográfico, o nome não é conhecido mas certamente você já viu. Geralmente, acontece quando o usuário clica em um link enviado por e-mail ou mensagens no celular — que na verdade são tentativas de phishing, cuja URL é uma farsa, […]

Por Editoria Delegados

No Brasil, o mais comum é o uso de páginas falsas para phishing bancário

Ataque homográfico, o nome não é conhecido mas certamente você já viu. Geralmente, acontece quando o usuário clica em um link enviado por e-mail ou mensagens no celular — que na verdade são tentativas de phishing, cuja URL é uma farsa, que você vai ver adiante. O visual da página e o endereço parecem bastante convincentes, incluindo o procolo https, usado para encriptar a troca de dados entre usuário e site, sinalizado por um cadeado verde, muito comum em páginas de bancos e lojas online na Web.

Todas as dicas sobre segurança digital

Mas, não engane. Mesmo checando esses detalhes você ainda pode cair em um golpe de phishing sofisticado e difiícil de detectar. Durante o Foro ESET de Seguridad Informática de 2017, que aconteceu entre os dias 14 e 15 em San Jose, na Costa Rica, o processo foi demonstrado por Miguel Mendoza, especialista em segurança da ESET para o México. Para a vítima, tudo começa em um link enviado por e-mail ou WhatsApp e termina em um site falso, muito parecido com o original, cuja razão de existência é uma só: convencer o usuário a fazer login. Quem cai no golpe e fornece seus dados, acaba sofrendo com fraudes.

Para dar certo, os atacantes criam um site muito parecido com o original e compram domínios até em outros idiomas, para usar o chamado alfabeto cirílico.

Miguel Mendoza, da ESET, mostra A cirílico (U+0430) e o A ASCII (U+0041) (Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo) 
 

“Esse golpe utiliza também caractere cirílico. Engana a vítima com uma URL que parece real. Para descobrir é preciso verificar o certificado”, explica Mendoza.

Engana a vítima com uma URL que parece real. Para descobrir é preciso verificar o certificado

O navegador de Internet, que é enganado nesse processo, exibe um endereço que parece ser visualmente real, mas, na verdade é um domínio criado com o azbuka — um alfabeto cujas variantes são utilizadas para a grafia de seis línguas nacionais eslavas e outras línguas extintas. Por exemplo: em vez de mostrar nomedosite.com, mostra um parecido. O site falso aparece no certificado SSL/TLS.

Há casos mais simples em que registram um domínio o mais similar possível como “twiitter.com” — com dois “i” — em vez de “twitter.com” ou, como acontece com um famoso site de e-commerce, o uso da URL “rnercadolibre.com” em vez de “mercadolibre.com” original. Repare que na URL falsa do site que opera em toda a America Latina, a palavra mercado é forjada com R e N, em letras minúsculas.

Versão falsa do site MercadoLivre com letras trocadas (Foto: Reprodução/ESET) 

Cassius Puodzius, analista de malware da ESET para o Brasil, explica que, por aqui, o mais comum é o uso de páginas falsas para phishing bancário. Com cada vez mais contas correntes e com a preferência do brasileiro por serviços digitais, é natural. Segundo a Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2017 (com ano base de 2016), mesmo com retração da economia, a taxa de bancarização atingiu o recorde de 90,4%. “Onde está o dinheiro, o cibercrime vai atrás. Se aumenta o volume de contas, cresce também o total de transações financeiras online”, disse.

Como o usuário é enganado?

Você já deve ter visto experiências em que, mesmo lendo palavras incompletas ou levemente editadas com erros quase imperceptíveis, os leitores compreendem o seu significado rapidamente como se estivessem completas e bem escritas. O mesmo acontece com URLs falsas na Internet. À primeira vista, com uma leitura rápida, esses exemplos enganam. A melhor dica é evitar acessar links de lojas e bancos por e-mail ou mensagem e digitar no navegador a versão oficial desse site.

Como o navegador é enganado?

Um exemplo que circulou bastante foi o divulgado junto com a descoberta da falha no início do ano pelo pesquisador chinês Xudong Zheng. O especialista registrou o domínio https://www.xn--80ak6aa92e.com que, na época, ao ser acessado via Mozilla Firefox, mostrava o que parecia ser um domínio original https://www.apple.com — uma farsa. A motivação era roubar contas do iCloud.

“Este site, obviamente, não está afiliado à Apple, é uma demonstração de uma falha na forma como os domínios unicode são manipulados nos navegadores. É muito possível que seu navegador não seja afetado”, diz o recado no endereço.

 

 

Site falso no Opera e no Firefox; no browser da Mozilla ainda há com o que se preocupar (Foto: Melissa Cruz Cossetti / TechTudo) 

O prefixo xn-- diz aos navegadores que o domínio usa uma codificação compatível com protocolo de programação conhecido como Punycode, que torna possível registrar domínios com caracteres especiais de alfabetos não tradicionais, além dos de A a Z, em um idioma local, ou como o dono do registro preferir usar.

A solução para quem usa Firefox

O Google anunciou a correção do problema no Google Chrome e o Opera corrigiu, mas o erro ainda permanece no Mozilla Firefox. “Decidiram que é um problema para os registradores de domínio tratarem”, apontou Zheng. Os navegadores Microsoft Edge, Internet Explorer e Safari não possuem a falha.

Como o TechTudo já explicou no passado, usuários do Firefox devem se preocupar e usar alguns ajustes na configuração da barra de endereços para alterar o atributo network.IDN_show_punycode para “true”. Isso permite que o Firefox mostre domínios internacionais, tornando mais fácil detectar o golpe.

 

O processo é simples no Mozilla Firefox:

Passo 1. digite na barra de endereços o termo “about:config” sem aspas;

Observação: talvez o Firefox avise que as alterações podem ser arriscadas.
Para continuar, basta “aceitar o risco” e não mudar nada além do proposto.

Passo 2. Pesquise por “Punycode” sem aspas;

Passo 3. Um duplo clique vai mudar o parâmetro network.IDN_show_punycode;

Fazendo isso uma vez, passa para “true”; mantenha desta forma para se proteger.

Evite fazer login via link recebidos por redes sociais, e-mail e mensageiros.

 

Usuários do Firefox no mundo

Segundo o StatCounter, que atualiza em tempo real estatística de uso de softwares como os navegadores de Internet, o Firefox (13%) é o segundo browser mais usado do mundo em desktops, perdendo “de lavada” para o Chrome (63%). Levando em conta os acessos gerais, que incluem navegadores móveis para celulares, o percentual do Chrome cai um pouco (54%) diante de outro browser mobile como Safari (14%) e UC Browser (7%). O Firefox despenca (6%), em quarto.

A Mozilla ainda tem muitos usuários e lançou recentemente uma nova versão do Firefox Quantum, duas vezes mais rápido, na expectativa de retomar usuários.

Tech Tudo

DELEGADOS.com.br
Portal Nacional dos Delegados & Revista da Defesa Social

 

Veja mais

A exigência do contraditório e da ampla defesa no inquérito policial

Por Rafael Francisco Marcondes de Moraes e Francisco Sannini

Delegado Michel Sampaio rebate acusação de perseguição e aponta retaliação de servidora

(MA) Michel Sampaio formalizou uma representação criminal junto à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, apontando possíveis crimes de abandono de função, peculato-desvio e fraude processual

Lei Orgânica Nacional: ainda sobre a aglutinação de cargos. A questão da constitucionalidade

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Delegado Charles Pessoa lidera pesquisa para deputado federal no Piauí!

(PI) Delegado do Povo: Charles Pessoa conquista os corações dos piauienses nas ruas e nas redes

Delegados da PF cobram cúpula da Academia Nacional sobre exclusão de colega por ‘incompatibilidade de ideias’

ADPF oficia ANP para obter justificativas sobre exclusão de Delegado Federal da equipe docente

Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis: As Alterações dos Cargos Policiais

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

PL da Misoginia: quando o ódio às mulheres deixa de ser opinião e se torna crime

Por Francini Imene Dias Ibrahin (Sindpesp)*
Veja mais

Chico Lucas assume coordenação de escritórios nacionais de combate às facções

08JUL26 -
Secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, fortalece a atuação integrada entre as forças de segurança estaduais e federais no enfrentamento às organizações criminosas

Paulo Gondim segue, pela 3ª vez, na Lista dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil! Censo 2026

POST MELHORES DELEGADOS BRASIL 2026 PAULO GONDIM
A escolha dos melhores delegados consolida, para sempre, os nomes e as histórias dos delegados e das delegadas. Promove valorização do cargo, reconhecimento na carreira, identificação de competência, visibilidade dos

Crescente popularidade das plataformas digitais baseadas em aplicativos

07JUL26 - (1)

O entretenimento digital evolui cada vez mais em torno dos aplicativos móveis, pois eles se ajustam melhor aos hábitos do público moderno. No Brasil, onde o smartphone se tornou o

Três são presos após sequestro de idosos e comemoração em hotel, na PB

04JUL26 -
(PB) Atuou na investigação o delegado Lucas Sá, da PCPB

Em João Pessoa, secretário do Governo Lula destaca integração entre estados e reforça combate às facções criminosas com ‘cooperação’

Francisco Lucas, Secretário Nacional de Segurança Pública
(PB) Representando o ministro da Justiça, Chico Lucas apresentou ações do programa Brasil Contra o Crime Organizado e defendeu cooperação entre forças de segurança de todo o país

Duelos, Desafios e Legítima Defesa

04JUL26 -
Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Entidades de Delegados de Polícia emitem nota de pesar pelo falecimento do delegado Michel Saliba

Delegado de Polícia Federal Michel Brasil Saliba
Michel Brasil Saliba foi atingido durante cumprimento de mandado de busca no apartamento da companheira do policial militar. Delegado foi levado ao hospital em estado grave, mas não resistiu
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.