Sabotagens e trapaças tomam internet

  Enquanto o Ministério Público se organiza nos Estados para monitorar as redes sociais dos pré-candidatos, políticos descobrem um mercado negro virtual que ameaça criar uma guerrilha subterrânea nas campanhas deste ano. Diariamente surgem no Twitter, Facebook e Instagram perfis falsos que são usados para atacar adversários ou fazer propaganda antecipada, o que é vetado […]

Por Editoria Delegados

 

Enquanto o Ministério Público se organiza nos Estados para monitorar as redes sociais dos pré-candidatos, políticos descobrem um mercado negro virtual que ameaça criar uma guerrilha subterrânea nas campanhas deste ano. Diariamente surgem no Twitter, Facebook e Instagram perfis falsos que são usados para atacar adversários ou fazer propaganda antecipada, o que é vetado pela Justiça Eleitoral.

 

Quem navega pelo Facebook, por exemplo, encontra pelo menos 20 páginas diferentes com o nome Aécio Neves, mais de 50 com Dilma Rousseff e outra dezena com Eduardo Campos. Nessa conta estão incluídos perfis positivos e negativos, sendo alguns bastante agressivos. No YouTube estão publicados centenas de vídeos sobre o trio presidenciável, sendo que em muitos é impossível identificar o autor.

 

“A internet é um poderoso veículo de comunicação, mas está servindo também para a propagação de atos ilícitos”, afirma o procurador regional eleitoral do Rio de Janeiro, Paulo Roberto Bérenger. Ele comanda uma força-tarefa, criada na semana passada, para vasculhar sites de políticos em busca de perfis falsos ou anônimos.

 

Apesar de a criação de perfis nas redes ser relativamente simples, dar credibilidade a eles e mantê-los no ar é um processo que exige investimento. Programadores e hackers ouvidos pelo Estado sob condição de anonimato fizeram demonstrações de como é fácil criar um perfil falso no Twitter ou no Facebook e depois acrescentar centenas de milhares de seguidores da noite para o dia, simular visualizações no YouTube e adquirir softwares para despistar o IP (número de registro do computador na rede, o que dificulta o rastreamento dos usuários).

 

Cardápio. Sites como boostlikes. Com e authenticlikes. Com cobram US$ 550 (R$ 1,2 mil) por um pacote de 50 mil curtidas. Já o sansexpand. Com cobra US$ 90 (R$ 2o3) por 100 comentários no Facebook. O usuário envia 100 pequenos textos em português e indica onde eles devem ser postados.

 

Já o site soft-news. Net oferece por US$ 150 (R$ 339) um software chamado blogcomentposter. Ele é usado para criar uma avalanche de comentários em portais e blogs. O objetivo é influenciar as “buscas relacionadas” do Google e ligar o nome de alguém a alguma coisa.

 

“Esse tipo de ferramenta está sendo usada, por exemplo, para que o Google conecte a palavra Aécio a termos como ‘desvio’ e ‘drogas’ na busca relacionada. Nossos levantamentos mostram que os comentários ligando Aécio a essas palavras são muito parecidos, embora estejam postados em vários lugares diferentes”, diz o publicitário mineiro Pedro Guadalupe, dono da agência Statis. Especializada em marketing digital, a agência presta consultoria para a equipe do provável candidato do PSDB à Presidência. Com base nesse argumento, advogados do tucano entraram na Justiça para pedir a remoção de diversos links e perfis em sites de buscas e redes sociais da internet.

 

Eficácia. “Alguns candidatos parecem mesmo estar usando robôs e comprando ‘likes’. Essa é uma tática eficaz para ampliar rapidamente o número de seguidores e está disseminada em todas as correntes políticas”, avalia o sociólogo Sérgio Amadeu, pesquisador de redes sociais da Universidade Federal do ABC e responsável pela análise de redes sociais das campanhas dos petistas Fernando Haddad para prefeito em 2012 e Aloizio Mercadante para governador em 2010. Ele diz que essas táticas, já utilizadas no mercado publicitário, seduzem os políticos, mas não são eficazes. “Eles apostam que os internautas se impressionam com um número grande de seguidores. Mas a longo prazo isso não funciona.”

 

Para se “blindar” contra ataques nas redes sociais, petistas e tucanos estão montando núcleos de “ativistas virtuais”. Entre os dias 18 e 20 de abril, o PT realizará um evento no interior de São Paulo para treinar seus militantes a atuar no ambiente virtual. Na mesma linha, os tucanos estão buscando “voluntários” ativistas virtuais em todo o País para aprender a como agir nas redes sociais.

 

Os dois lados se acusam mutuamente de disseminar conteúdo negativo contra os adversários na internet, mas negam que responderão da mesma forma.

 

Regras. O Twitter informou que não monitora nem edita conteúdos dos usuários, desde que respeitem os termos do serviço. Dentre eles estão proibições de várias práticas, como a criação de contas em série, criação de contas com o objetivo de vendê-las, criação de contas para envio de conteúdo abusivo a outros usuários, envio de spams e publicação de mensagens repetidas.

 

O Google disse que remove de seus sites conteúdo ilegal ou que viole termos de uso da empresa. O Facebook não se manifestou.

 

Jogo sujo na redeCompra de likes É possível comprar pacotes de “likes” ou “curtidas” do Facebook em sites especializados. Cada 50 mil curtidas pode sair a um custo de US$ 550.

 

Compra de seguidores No microblog Twitter, os preços podem ficar mais em conta: é possível “comprar” um pacote de 500 seguidores por US$ 15.

 

Compra de visualizações No YouTube, 50 mil visualizações feitas por robôs custam US$ 80 dólares.

Compra de comentários em blogs Por US$ 150 dólares, é possível adquirir um software que automatiza o processo de produção de comentários. Isso contribui para a manipulação de sites de busca.

 

Camuflar IP É possível baixar de graça um programa que camufla o IP (o registro do usuário do computador). Dessa forma, o usuário jamais será rastreado

 

Perfil falso É fácil criar um perfil falso no Facebook ou no Instagram para fazer propaganda antecipada ou atacar adversários. Em caso de condenação pelo TSE, o “dono” dá página jamais será localizado. E o partido pode alegar que não sabia da iniciativa.

 

Black Hat Técnica utilizada para enganar mecanismos de busca. Entre elas está o Link Farm, que cria milhares de sites falsos que publicam uma notícia específica para potencializar um tema ou hashtag nas buscas no Google.

 

Estadão

 

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