Reconhecimento facial da PM de Sergipe falha em jogo de futebol e policiais militares prendem homem errado

O jovem João Antônio foi constrangido pela Polícia Militar de Sergipe neste sábado (13), durante uma partida do Campeonato Sergipano, após uma falha no reconhecimento facial implementado no Estádio Lourival Batista. Em sua conta no X (antigo Twitter), ele relatou o momento. “Parece um delinquente, um foragido, mas esse aí sendo conduzido pela polícia sou”, […]

Por Editoria Delegados

O jovem João Antônio foi constrangido pela Polícia Militar de Sergipe neste sábado (13), durante uma partida do Campeonato Sergipano, após uma falha no reconhecimento facial implementado no Estádio Lourival Batista.

Em sua conta no X (antigo Twitter), ele relatou o momento. “Parece um delinquente, um foragido, mas esse aí sendo conduzido pela polícia sou”, começa o relato que expõe com “vergonha e indignação”. Ele estava com amigos e com o irmão de 16 anos.

Segundo ele, a abordagem aconteceu durante o intervalo do jogo, quando cinco policiais foram em sua direção. Um deles pegou no braço do jovem e disse para ele não reagir e acompanhá-los com a mão para trás.

“Fiquei altamente constrangido, tentando esconder meu rosto, não sabia o que fazer pois tava a torcida do Confiança [time de futebol] inteira me olhando, conhecidos e desconhecidos”, conta.

Ele continua, contando que ao ser perguntado o seu nome e responder “João Antônio”, os policiais ficaram surpresos. “Falei que se não fosse João Antônio que eles estivessem procurando, eu estava tranquilo. Ele me respondeu que ‘iríamos ver já já’, acrescentou.

Após esse momento, ele foi levado para outra sala, onde o mandaram colocar a mão na parede – de forma ríspida, ressalta o torcedor – para ser revistado. “Sentiu a chave do carro no bolso e perguntou o que era. Quando respondi, ele colocou a mão no bolso e puxou para conferir. Quando viu que tava limpo entrei, sentei e coloquei a mão no joelho, como mandaram”, relata.

Em seguida, perguntaram novamente seu nome e afirmando que era “a última chance de dizer a verdade” pois o jovem havia sido reconhecido por um sistema de reconhecimento facial que “dificilmente erra”. João Antônio então disse seu nome, mostrou a identidade, o RG, respondeu o nome da sua mãe, abriu a CNH digital, deu o endereço completo, data de nascimento e CPF.

“Quando viram no sistema deles e confirmaram que foi engano, pediram desculpas, disseram que era procedimento padrão, que outro torcedor nesse mesmo dia foi pego de forma correta e me liberaram”, finaliza.

Reconhecimento facial suspenso

Após a falha, o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, anunciou que o sistema de reconhecimento facial foi suspenso.

“Lamento a falha na ferramenta de reconhecimento facial ocorrida durante final do Campeonato Sergipano. Reconhecemos a importância da tecnologia para a segurança pública e, devido ao ocorrido, determinei a suspensão do uso do sistema até que novo protocolo seja implantado”, disse em suas redes sociais.

Prisões injustas

Essa não é a primeira abordagem errada baseada no reconhecimento facial. O jovem Danilo Félix, de 26 anos, já foi preso três vezes por erro no sistema. A primeira vez aconteceu em 2020 e o jovem ficou preso durante 55 dias.

A maioria das prisões erradas acontecem com pessoas negras. Segundo relatório baseado em três pesquisas feitas pela Defensoria Pública do Rio (DPRJ), 83% das pessoas presas injustamente por falha no reconhecimento facial são negras.

47 milhões na mira do reconhecimento facial

No Brasil, mais de 47,6 milhões de cidadãos estão atualmente sob a mira de sistemas de reconhecimento facial na segurança pública, revela o projeto Panóptico do Centro de Estudo de Segurança e Cidadania (CESeC). A pesquisa aponta a existência de 165 projetos ativos em todo o país, destacando uma tendência crescente na implementação dessas tecnologias.

De acordo com os dados, cerca de 23,44% da população brasileira está potencialmente exposta aos sistemas de videomonitoramento com reconhecimento facial, seja em fase de testes ou ativação. A região Sudeste lidera o ranking, com 21,7 milhões de pessoas, seguida pelo Nordeste, com 14,1 milhões, e o Centro-Oeste, com 24,38% da população exposta.

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