Polícia descarta que menino tenha sido jogado de apartamento em SP

SP: Gustavo Storto, de 5 anos, morreu após cair do 26º andar em Taboão Câmeras de segurança do prédio em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, onde o menino Gustavo Storto, de 5 anos, morreu após cair do 26º andar mostram que a mãe não estava no apartamento no momento da queda do filho, […]

Por Editoria Delegados

SP: Gustavo Storto, de 5 anos, morreu após cair do 26º andar em Taboão

Câmeras de segurança do prédio em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, onde o menino Gustavo Storto, de 5 anos, morreu após cair do 26º andar mostram que a mãe não estava no apartamento no momento da queda do filho, segundo a Polícia Civil, que descarta que a criança tenha sido jogada. As investigações indicam que a morte foi acidental.

“Não havia ninguém na casa naquele momento além da criança. Então, dentro dessa linha, através de uma demonstração matemática não tinha como ela ser jogada. Nenhuma linha é descartada, mas tudo aquilo que conseguimos matematicamente nos mostra que essa hipótese é a menos viável de todas”, disse o delegado Gilson Leite Campinas.

Apesar disso, a mãe Juliana Storto deve responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, motivado pela negligência. A mãe informou à polícia que deixou o menino dormindo sozinho e foi buscar o namorado na Estação Morumbi da CPTM, na Zona Sul de São Paulo. Quando chegou, encontrou as luzes acesas e duas cadeiras no box do banheiro. Ao olhar para baixo, viu o garoto no estacionamento.

“Foi uma omissão relevante, é um abandono agravado. Tenho que trabalhar com dados concretos, vou apresentar ao MP os fatos concretos. O tipo penal quem vai decidir é a Justiça.”

A criança caiu perto da meia-noite, quando ela não estava mais no prédio – a mãe saiu às 22h54 e voltou à 0h, segundo as imagens das câmeras de segurança. A polícia diz que ela retornou cerca de 10 minutos após a queda. Segundo as investigações, a gritaria relatada por testemunhas foi o desespero da mãe quando percebeu que o menino havia caído.

“Tudo encaminha para o indiciamento por homicídio culposo. Ela tinha o dever de cuidar da criança, então, ela não cuidou. Vamos ver a configuração do relacionamento familiar dela, ambiente de trabalho, o ambiente escolar da criança. Isso me indica a relevância da omissão e do abandono.”

Família do pai

Os pais da criança estavam separados há três ou quatro meses, segundo a polícia. A família do pai de Gustavo, Giovanni Storto, também acredita em acidente. “Foi um acidente, mas foi negligência. Deixar sozinho é revoltante”, afirmou o tio, Giuliano Storto, durante o velório.

 

Ele definiu o menino como “muito inteligente e com vontade de viver” e contou que Giovanni adorava levar o filho para o jogo do São Paulo. Segundo Giuliano, o casamento do irmão com a mãe começou em 2009, e a separação ocorreu em junho deste ano. O casal ainda não havia se divorciado oficialmente, mas estavam vendo os papéis. “Nem a chave do apartamento ele tinha mais”, disse.

O pai foi ao Instituto Médico Legal (IML) de Taboão da Serra para liberar o corpo na manhã desta quinta. “Ele é lindo”, disse Giovanni Storto, muito abalado. No IML, ele estava acompanhado da mãe, avó do menino, chorava muito e não quis gravar entrevista. O corpo de Gustavo foi enterrado no Cemitério de Itapevi, também na Grande São Paulo, às 16h50.

O edifício fica na Avenida Aprígio Bezerra da Silva, perto da Rodovia Régis Bittencourt. O SPTV mostrou que a janela do banheiro de apartamento vizinho, igual a do apartamento de Gustavo, tinha 1,60 m de altura, e 60 cm de largura. Duas cadeiras, uma maior embaixo, e uma menor, infantil, em cima, foram encontradas próxima à janela.

Testemunhas

A Polícia Civil já ouviu nove testemunhas sobre o caso: três policiais que atenderam a ocorrência, dois funcionários do prédio, sendo um deles o porteiro que trabalhava no edifício na noite de quarta, dois moradores, a mãe do menino e o namorado dela.

Um vizinho de Gustavo, que mora três andares abaixo, disse que ouviu uma gritaria pouco antes da queda na noite desta quarta-feira.

“Eu estava assistindo o jogo, tinha acabado de terminar o jogo, fui para a sacada tomar um vento, vi o movimento, daqui a pouco eu escuto uma gritaria e um silêncio. De repente, eu vejo o corpo caindo e espatifando no chão”, disse o vizinho Reinaldo Costa Júnior, que mora três andares abaixo do apartamento do menino.

“Eu e minha irmã descemos para tampar o corpo porque tinha criança embaixo, para não ver o estrago. A gente desceu correndo, pegou uma manta, tampou o corpo e foi chamar o segurança”, completou o vizinho.

Outro vizinho, o professor Fábio Garcia Kiss, do 1º andar, também estava assistindo ao jogo de futebol, e disse que ouviu “um barulho seco”, “muito grande”. “Uma vizinha gritou’ pelo amor de Deus’, eu desci e encontrei o corpo no estacionamento”, disse.

Tanto Fábio como Reinaldo afirmaram que o menino estava vestido, com tênis e segurava uma mochila ou lancheira. A Secretaria da Segurança informou que a lancheira foi apreendida. “Nós ouvimos uma gritaria e criança chorando. Pensamos que era normal, mas eu estava na cozinha e meu filho falou: mãe, olha lá embaixo, um corpo”, disse a vizinha Sueli Andrade Dantas ao SPTV.

Inicialmente, dois vizinhos disseram ao SPTV que ouviram uma briga entre a mãe e o namorado antes do acidente. Mas, por meio de nota, a Secretaria da Segurança informou que uma pessoa que deu entrevista sobre a briha desmentiu em depoimento.

 

G1

 

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