‘Não acho Gil Rugai normal’, diz delegado Rodolfo Chiarelli

    “Não acho normal uma pessoa ter seringa com sangue no quarto e um vidro escrito ‘pó santo’ e a perícia constatar que aquilo tem raticida”, Rodolfo Chiarelli, delegado do caso   A defesa de Gil Rugai, o ex-seminarista acusado de matar o pai e a madrasta em 2004, tenta desfazer a imagem negativa […]

Por Editoria Delegados

 

 

“Não acho normal uma pessoa ter seringa com sangue no quarto e um vidro escrito ‘pó santo’ e a perícia constatar que aquilo tem raticida”, Rodolfo Chiarelli, delegado do caso

 

A defesa de Gil Rugai, o ex-seminarista acusado de matar o pai e a madrasta em 2004, tenta desfazer a imagem negativa do réu diante do júri que começou nesta segunda-feira. Durante depoimento do delegado do caso, Rodolfo Chiarelli, que terminou na noite desta terça-feira, os advogados apresentaram até o vídeo de um trabalho de aula do réu para tentar afastar sua fama de nazista – ele já foi fotografado usando uma suástica.

 

Segundo os advogados de defesa, o vídeo, projetado durante o depoimento de Chiarelli, foi uma apresentação feita por Gil Rugai sobre o nazismo em sala de aula. Nele, aparecem várias pessoas sentadas diante de um quadro negro e um grande palanque com a suástica. Gil estaria dando explicações à plateia.

 

Os advogados também tentaram minimizar o fato de o inquérito ter apontado que Rugai comprou um coldre e tinha um catálogo de armas em casa. O delegado afirmou que o réu tinha adquirido o objeto especificamente para guardar a arma usada no crime – uma pistola Taurus PT 380. O advogado Thomas Anastácio perguntou ao delegado se ele sabia que era comum produtores de filmes, como Gil Rugai, usarem o coldre para guardar objetos diversos. Diante da resposta negativa de Chiarelli, o advogado também informou que o catálogo era da empresa Gamo, fabricante de armas de chumbinho.

 

“Não acho Gil normal”, enfatizou o delegado. “Não acho normal uma pessoa ter seringa com sangue no quarto e um vidro escrito ‘pó santo’ e a perícia constatar que aquilo tem raticida”. Outro elemento estranho citado pela testemunha foi uma suposta “mala de fuga”, relatada pelo sócio de Rugai no inquérito: um kit com roupas, dinheiro, arma e veneno mantido pelo acusado.

 

Ao todo, o depoimento do delegado, a quinta e última testemunha de acusação, durou quase seis horas. Um jurado pediu para ir ao banheiro, passou mal e precisou de ajuda médica. A sessão teve que ser suspensa por cerca de 15 minutos. Agora, deverão começar a ser ouvidas as testemunhas de defesa – nove pessoas foram convocadas pelos advogados de Rugai.

 

Julgamento – Para a Promotoria, Rugai assassinou com tiros nas costas o pai, Luís Carlos Rugai, e a madrasta, Alessandra Troitino, por dinheiro. Ele teria sido descoberto em um esquema de desvio de valores na produtora de vídeo do pai, que pretendia denunciá-lo à polícia.

 

O segundo dia de julgamento do ex-seminarista de 29 anos, começou por volta das 10h30 desta manhã, logo após a chegada do réu. Na entrada do Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, o acusado reafirmou sua inocência: “Eu não matei. Sou inocente”.

 

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