Delegado vai indiciar mais sete envolvidos em máfia dos ingressos

Três suspeitos: um DJ, um chinês e um funcionário da Fifa hospedado no Copacabana Palace O delegado da 18ª DP (Praça da Bandeira) Fábio Barucke vai esperar as investigações sobre a quadrilha que revendia ingressos da Fifa avançarem para indiciar mais sete pessoas que estariam envolvidas no esquema de repasse. Entre os suspeitos estão um […]

Por Editoria Delegados

Três suspeitos: um DJ, um chinês e um funcionário da Fifa hospedado no Copacabana Palace

O delegado da 18ª DP (Praça da Bandeira) Fábio Barucke vai esperar as investigações sobre a quadrilha que revendia ingressos da Fifa avançarem para indiciar mais sete pessoas que estariam envolvidas no esquema de repasse. Entre os suspeitos estão um chinês que atua em São Paulo e toma conta dos repasse dos ingressos, um DJ da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, que negocia os ingressos que são doados às ONGs e um funcionário da Fifa que está hospedado no Copacabana Palace. Segundo a polícia, a quadrilha movimentava mais de R$ 200 milhões na venda dos ingressos.

 

Dentre os 11 que tiveram prisão temporária decretada, o advogado José Massih foi o único que colaborou com as investigações visando a delação premiada. No entanto, cabe ao Ministério Público e à Justiça a decisão de atribuir a ele ou não o benefício na redução da pena. O delegado também vai pedir para converter a prisão temporária em preventiva.

Barucke garantiu que a polícia obteve 50 mil registros telefônicos e que já ouviu metade deles. De acordo com ele, o argelino Lamine Fofana, um dos principais acusados, estava em um apartamento alugado do jogador de futebol Junior Baiano. No entanto, apenas esse fato não configura a relação do jogador no envolvimento do esquema.

O jogador Dunga, que já se encontrou com Lamine em hotéis, será convidado a prestar depoimento na condição de testemunha. Se for comprovada a participação de jogadores no repasse de ingressos, todos serão chamados para prestar depoimento. Pessoas suspeitas de três seleções, incluindo a brasileira, também estariam envolvidas no esquema de repasse.

Segundo a polícia, o grupo viaja para todos os jogos do Brasil e o preço dos ingressos variam de acordo com o resultado das partidas. “Eles estavam especulando o preço da final do Mundial para R$ 10 mil, mas já pensaram em aumentar para R$ 35 mil”, esclareceu Baruke.

 

Os ingressos iam em malotes via aérea para os outros estados. A polícia quer apreender os ingressos para devolver para a Fifa e já conseguiu resgatar 100.  

Na Copa de 98, o argelino Lamine teria se declarado jornalista para poder atuar nos estádios. Nas ligações os envolvidos comentaram que das quatro copas, somente no Brasil que eles tiveram essa dificuldade no repasse.

Não se sabe ainda onde o argelino mora, já que de acordo com as informações obtidas na escuta, ele fala que tem um escritório em Genebra, na outra escuta ele diz que mora em Dubai e em uma terceira ele teria dito que morava nos Estados Unidos.

ARGELINO ERA UM PEIXE GRANDE, DIZ POLÍCIA

Acusado de chefiar o grupo que agiu em quatro Copas, Lamine é dono da Atlanta Sportif International, empresa de consultoria a jogadores e clubes. Ele aparece ao lado do presidente da Fifa Joseph Blatter, além de astros de Hollywood (de Sylvester Stallone a Jack Nicholson), em foto no site da empresa.

“O Lamine era um peixe grande. Agora, estamos à caça do tubarão da Fifa, que seria um contato responsável pelo repasse dos ingressos”, disse o promotor Marcos Kac, da 9ª Promotoria de Investigação Penal. Em escuta, obtida com exclusividade pelo DIA , Lamine foi flagrado enquanto negociava ingressos com o empresário Roberto de Assis Moreira, irmão de Ronaldinho Gaúcho. E esnobou: “Tenho (ingressos) VIPs. Tenho muitos VIPs. Não tenho categoria 3”. O delegado Fábio Barucke, da 18ª DP, vai intimar o empresário nos próximos dias. “Deve ser feito na segunda fase da investigação, após análise das escutas”.

Em um vídeo do momento da prisão, Lamine confirmou ter acesso a ingressos, entregues a ele no Copacabana Palace. Ele diz, na gravação, que as entradas eram destinadas a parentes e negou ter negócios na Suíça, onde tem escritório, segundo a investigação. E, embora confirme ter acesso aos estacionamentos dos estádios que sediaram os jogos com um adesivo da Fifa, negou ter envolvimento com a venda de ingressos ilegais.

Advogado representava um jogador

Os dois suspeitos de integrar a quadrilha presos em São Paulo desembarcaram, ontem à noite, no Aeroporto Santos Dumont. De lá, partiram para a 18ª DP.

Presidente da OAB de São Bernardo do Campo, interior paulista, Luis Davanzo, que representa o advogado José Massih, negou ligação do cliente com o grupo. “Ele tem condição financeira boa e não tem necessidade disso.”

Segundo ele, o único envolvimento de Massih com o futebol ocorreu quando ele representava o meia Elano, hoje no Flamengo. Além do advogado, o suspeito Alexandre da Silva Borges também desembarcou no Rio.

As curiosas garrafas de uísque em formato de chuteira oferecidas aos ex-jogadores da Seleção Brasileira durante um evento num restaurante às margens da Lagoa, na semana passada, foram adquiridas pelo argelino Lamine por mais de R$ 9 mil. Um vídeo feito pela polícia flagrou quando o homem acusado de chefiar a quadrilha internacional de venda ilegal de ingressos fez o pagamento das bebidas, no Aeroporto Santos Dumont.

O evento ocorreu no dia 25, às vésperas do jogo entre França e Equador, no Maracanã. Entre os ex-atletas, estavam Carlos Alberto Torres e Jairzinho, tricampeões mundiais na Copa de 1970. Mozer e Ricardo Gomes, zagueiros no Mundial de 1990, e os tetracampeões Dunga e Mazinho também estiveram no local.
Vídeo:  Acusado nega venda de ingressos da Copa do Mundo

Uma nova escuta, inclusive, teria flagrado uma ligação de Dunga para um dos investigados. Sem antecipar o assunto, o capitão do tetra teria marcado um encontro pessoalmente com o suspeito, que ainda não foi preso.

Máfia faturava alto nas Copas

Após três meses de investigação, a polícia prendeu 11 suspeitos por cambismo, associação criminosa e lavagem de dinheiro, e identificou três agências de turismo de Copacabana acusadas de integrar o esquema.A quadrilha pretendia vender ingressos para a final, no dia 13 de julho, no Maracanã, por R$ 35 mil. Há indícios de participação de integrantes da Fifa, CBF e de federações da Argentina e Espanha no esquema. Entre os ingressos apreendidos, havia entradas destinadas a CBF, jogadores e convidados. O ágio na venda chegava a 1.000%.

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