Delegado: polícia já sabia que iriam “melar” apuração

 O delegado Mauro Marcelo de Lima, da Divisão de Portos e Aeroportos e Proteção ao Turista, disse nesta quarta-feira (22) que a invasão durante a apuração do Carnaval paulistano foi premeditada. Segundo ele, a polícia teve a informação dois dias antes do evento. “Tivemos a informação que iriam fazer algo para ‘melar’ a apuração”, afirmou. […]

Por Editoria Delegados

 O delegado Mauro Marcelo de Lima, da Divisão de Portos e Aeroportos e Proteção ao Turista, disse nesta quarta-feira (22) que a invasão durante a apuração do Carnaval paulistano foi premeditada. Segundo ele, a polícia teve a informação dois dias antes do evento. “Tivemos a informação que iriam fazer algo para ‘melar’ a apuração”, afirmou.

Por isso, segundo o delegado, foi montado um esquema de policiamento reforçado no local onde ficou a diretoria da Liga. “A polícia já esperava que algo acontecesse”, completou.

Além disso, Lima informou que minutos antes da invasão uma emissora de televisão flagrou um membro da escola de samba Império de Casa Verde, que, de acordo com ele, é Tiago Faria, outro da Gaviões da Fiel e mais um de uma escola que ele não conseguiu identificar, combinando o tumulto.

“Eram de três escolas diferentes. Estavam combinando, fazendo sinal com a cabeça de que ‘tem que ser agora'”, disse Lima. A imagem mostrava ainda os torcedores chegando até a grade e derrubando-a para que Tiago conseguisse roubar as notas.
Já Alexandre Gasparian, comandante do Batalhão de Choque da PM, informou que a ação de Tiago Ciro Tadeu Faria, 29 anos, surpreendeu os policiais, mas que o rapaz não invadiu o espaço da apuração. “A pessoa que invadiu estava autorizada a estar lá. Tem que ser revista como é feita a apuração. Os dirigentes ficam muito próximos do local, mas a Liga das Escolas de Samba já deve estar vendo isso”.

Sobre o posicionamento da Polícia Militar, o comandante afirmou nesta quarta-feira (22) que não houve falha na polícia. “Não registramos nenhuma pessoa ferida e a Polícia Militar agiu rapidamente para não haver confusão entre as torcidas”, disse.

Gasparian ainda confirmou que a quantidade de policiais é a mesma usada em jogos clássicos de futebol que comportam até 40 mil torcedores. “Para os clássicos, usamos cerca de 160 policiais para 40 mil torcedores, é mais que suficiente. No dia da apuração, o número de presentes era bem menor”. Além da tropa de choque, o Anhembi contava com o policiamento de 3500 PMs na área externa do sambódromo.

O policiamento para o desfile das campeãs já estava programado pela polícia militar, no entanto, segundo o major deve haver uma reestruturação. No total, seis pessoas foram presas, duas delas foram indiciadas e quatro ainda são investigadas. Segundo o delegado, a premeditação é uma qualificadora do crime que pode aumentar a pena dos envolvidos.
Mauro disse ainda que a polícia deve resolver o caso em duas semanas. Segundo ele, em depoimento Tiago afirmou que a mudança dos jurados e do sistema de avaliação – que a partir deste ano passou a ser feito em décimos – motivaram a invasão.

Entenda o caso

Uma confusão promovida por integrantes de escolas de samba interrompeu a apuração do Carnaval de São Paulo nesta terça-feira (21). Faltando apenas uma nota dez para assegurar o título para a Mocidade Alegre, Tiago Ciro Tadeu Faria, 29 anos, integrante da Império de Casa Verde, invadiu a área de apuração, tomou o último envelope das mãos do leitor e o rasgou.

O delegado Osvaldo Nico Gonçalves, da Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur), anunciou a detenção do principal responsável por todo o tumulto. Caue Santos Pereira, 20 anos, integrante da Gaviões da Fiel, também foi detido, este por atirar objetos. De acordo com o major da Polícia Militar de São Paulo, Alexandre Gaspariano, cinco integrantes de escolas de samba foram detidos.

Com isso, a confusão se tornou generalizada e a leitura das notas foi interrompida. Até este ponto, a Mocidade Alegre liderava a apuração com um total de 160 pontos. Solange Bichara, presidente da agremiação, evitou considerar a escola campeã do Carnaval de 2012. “Não posso me considerar campeã por algo que não aconteceu”, afirmou.
Uma reunião extraordinária entre a Liga das Escolas de Samba e os diretores das agremiações foi montada para decidir o desfecho do Carnaval 2012.

O tumulto se espalhou no entorno do Sambódromo. Torcedores foram vistos chutando os portões próximos à área da dispersão. Pouco depois, um carro alegórico da Pérola Negra foi incendiado por um grupo ainda não identificado. A alegoria tinha estrutura toda de palha, representando um índio gigante, e foi totalmente destruída pelo fogo.

 

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