Delegado-geral do Paraná deixa desabafo de lado e fala de amor

  O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Riad Braga Farhat, divulgou nesta quarta-feira (2) uma mensagem no site da instituição. Logo no começo do texto, o policial diz que pensou em fazer um discurso de desabafo, mas que não o fez porque “hoje é um dia para celebrar”.     Na mensagem à classe […]

Por Editoria Delegados

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O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Riad Braga Farhat, divulgou nesta quarta-feira (2) uma mensagem no site da instituição. Logo no começo do texto, o policial diz que pensou em fazer um discurso de desabafo, mas que não o fez porque “hoje é um dia para celebrar”.

 

 

Na mensagem à classe policial, o delegado fala “do amor” e do orgulho que se dee ter por pertencer à Polícia Judiciária.

 

Confira abaixo, na íntegra, a mensagem de Farhat

 

Pensei muito sobre o que falar para a classe Policial. Um discurso de desabafo, talvez, porque o que não nos faltam são razões para tal: a situação inaceitável dos presos sob nossa custódia, viaturas descaracterizadas com 1o ou 14 anos de uso, efetivo muito defasado, que faz com que trabalhemos 15 horas por dia e, no final, ainda ouçamos críticas, tais como : vocês são muito ruins..

 

Existem outras Instituições vendendo a alma para, ilegitimamente, investigar crimes. Insatisfeitos, por certo, com a função constitucional que lhes cabe. Maledicência externa e outras tantas mazelas.

 

Mas não, hoje é um dia para celebrar.

Hoje quero falar do amor, e que devemos ter orgulho de pertencer a Polícia Judiciária, porque justamente o que julgam ser os nossos pontos fracos é o que temos de melhor.

 

A Polícia Civil não é estratégica quando o assunto é brigar por espaços. Isso não é vergonha para ninguém, porque todas as nossas estratégias, toda a nossa energia, esta voltada contra os marginais. Nos concentramos somente no nosso trabalho por amor à população.

 

Nós não somos obcecados em cumprir normas, regras, regulamentos. E quer saber ? É necessário que sejamos assim. Mas isso com bom senso, é claro. Tivesse eu entrado nas investigações de sequestro com uma mentalidade cegamente legalista, com certeza não teria resgatado nem metade dos reféns que consegui. Assim, como as senhoras e os senhores, também têm inúmeras histórias, em que o nosso jogo de cintura, a nossa maleabilidade, voltados para o bem, acabaram por resolver a investigação.

 

E o que faz com que os Policiais Civis se exponham dessa maneira? O amor novamente à população.

 

A Policia Civil também resolve problemas afetos a outras Instituições. Por quê? Por que somos otários? Trouxas? Não, simplesmente pelo senso do dever. Lotamos nossas delegacias com carros apreendidos e presos que deveriam estar sob a custódia do Judiciário e da Secretaria de Justiça; apenas porque na falta de outra solução, prevalece o nosso amor a sociedade. É lógico, não está certo. Brigamos muito e sempre para mudar essa situação. E vamos conseguir.

Os Policiais Civis não tem nem cara de polícia. Ótimo, quem trabalha na Policia Judiciaria e tem cara de Policia está no lugar errado. Temos que ter cara de maconheiro, surfista, patricinhas, pedreiros, playboy, mano, estudante, empresários, enfim, de tudo e de todos, menos de Polícia. Nosso objetivo é justamente não ser notado. Lembro-me de um policial do Tigre, tinha um cabelo enorme e um dia me falou que estava indo cortá-lo. Não deixei, e por mais uns bons anos ficou cabeludo porque essa condição ajudava em muito nas investigações. Não por submissão, até porque ele no fundo, sabia que não tinha obrigação de me obedecer mas por amor ao seu trabalho, por amor a população, ficou alguns anos com um visual que não lhe agradava.

 

Não temos um sentimento e nem a cultura de colocar a nossa Instituição acima de tudo e de todos. Por muitos considerado o nosso principal defeito. Acreditem, é a nossa melhor qualidade. Vamos nos orgulhar disso! As Instituições não são eternas. O bem comum está, e sempre esteve, acima de tudo. Nós, Policiais Civis, não queremos chegar ao final de nossas vidas e, ao sermos questionados por nossos filhos e netos, se lutamos mais pela Instituição ou pela segurança pública, possamos responder, sem vergonha, que lutamos mais pela segurança. Seria muito pouco lutar tão somente pela Instituição.

 

Vemos, com tristeza, atitudes injustas e impensadas em nome do poder, envolvendo outras corporações. Vamos ficar de fora! Não somos assim. Não vamos cometer o mesmo erro. A nossa energia e o nosso amor estão voltados à proteção da população civil, porque dela fazemos parte.

 

Não temos defeitos então? Temos. Dezenas, centenas até. Contudo, nos empenharemos em melhorar e eliminá-los, um a um. Não pelo governo, a quem respeitamos e agradecemos a ajuda. Não pela Secretaria de Segurança da qual fazemos parte e também agradecemos. Faremos as mudanças pela população, a quem amamos. Tal como o amigo Gogola e tantos outros, oferecemos nossas vidas.

Policia Civil do Paraná, 160 anos servindo e protegendo. 160 anos de uma história de amor à população.

Obrigado,

Riad Braga Farhat,
Delegado Geral da Polícia Civil.

 

Redação Bem Paraná

 

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