Delegado diz que PF construiu ‘um dogma de investigar o humilde e o poderoso’

A sociedade brasileira espera muito da Polícia Federal O delegado Roberto Ciciliati Troncon Filho, superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, disse nesta segunda feira, 30, que a instituição construiu “uma cultura dogmática de que deve agir da mesma maneira na investigação criminal, não importa quão humilde ou poderoso seja o investigado”. […]

Por Editoria Delegados

A sociedade brasileira espera muito da Polícia Federal

 

O delegado Roberto Ciciliati Troncon Filho, superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, disse nesta segunda feira, 30, que a instituição construiu “uma cultura dogmática de que deve agir da mesma maneira na investigação criminal, não importa quão humilde ou poderoso seja o investigado”.

 

“A sociedade brasileira espera muito da Polícia Federal e a reconhece sobretudo pelos seus valores morais, especialmente em tempos de Operação Lava Jato”, disse o delegado, em alusão à investigação sobre esquema de corrupção e propinas na Petrobras que aponta para o envolvimento de 50 políticos, pelo menos, entre deputados, senadores e até governadores.

 

Ele mandou um alerta a organizações criminosas que miram o Tesouro. “A Polícia Federal irá cumprir com suas atribuições, ainda que contrariando interesses de pessoas ou grupos poderosos”, afirmou o chefe da PF.

 

Segundo Troncon, a PF adquiriu muitas atribuições na Constituição de 1988 e no âmbito de leis especiais. Mas ele fez uma ressalva.

 

“Indiscutivelmente, hoje somos uma das mais respeitadas instituições, e de maior credibilidade, perante a população brasileira. No entanto, permanecemos um órgão integrante do Poder Executivo. Até o diretor-geral ocupa um cargo de livre nomeação, ele pode ser substituído a qualquer tempo no interesse da administração.”

 

Durante evento pelo Dia da Polícia Federal, que completa 71 anos de existência, o superintendente destacou que a situação da cúpula da instituição é diferente, por exemplo, do Ministério Público Federal. “O Ministério Público, a partir de 1988, adquiriu uma blindagem constitucional para bem exercer suas atribuições. Uma blindagem retratada na sua autonomia financeira, administrativa e funcional que garante a independência na sua atuação e a principal delas é promover a acusação contra poderosos ou contra humildes da mesma maneira.”

 

“Nesse ponto é que eu chamo a atenção dos senhores”, prosseguiu Troncon, dirigindo-se a uma plateia de agentes e delegados federais. “A Polícia Federal não tem essas blindagens, não tem legalmente, somos um órgão do Poder Executivo. Ponto. Mas nós construímos, ao longo dessas duas últimas décadas, algo que ninguém nos tira. Nós construímos uma cultura, um dogma que está no sangue de cada policial federal, do mais novo ao mais antigo, independentemente da existência de leis que nos deem essa proteção, como dá a outros órgãos e poderes. Fazemos o que achamos justo, correto, ético e estritamente de acordo com a lei.”

 

“É assim que nós temos agido”, afirmou Roberto Troncon. “É por isso que a sociedade brasileira tanto nos reconhece. A falta de mecanismos legais para garantir a nossa atuação independente não impediu a Polícia Federal de atuar com independência. Ao contrário, conseguimos, nós todos que hoje estamos aqui, e alguns que já se foram, nas suas pequenas ações no dia a dia consolidar uma cultura que é impenetrável, que é imutável. E cabe a cada um de nós daqui para diante, para o futuro, fortalecer essa cultura.”

 

“Por isso eu acho que temos muito o que comemorar”, disse o chefe da PF em São Paulo. “Passada a comemoração temos que ter a percepção da responsabilidade que todos temos para com o futuro da instituição, do nosso país. A sociedade que tanto nos admira espera muito de nós, que continuemos a agir dessa maneira, com autonomia, com independência, ainda que não haja essas proteções a que me referi.”

 

Roberto Troncon conclamou seus pares a fortalecerem “essa cultura dogmática, enaltecendo-a e, sobretudo, praticando-a no dia a dia, porque aí a sociedade brasileira estará bem”.

 

Na avaliação do superintendente da PF “o objetivo (a ser alcançado) depende única e exclusivamente dos policiais federais”.

 

“Pelos que conheço, pelos (policiais) que estão aqui presentes, eu acho que a sociedade brasileira pode ficar tranquila”, concluiu Troncon.

 

Estadao Conteudo / Portal do Holanda

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