‘Delegada-geral da pandemia’, Emília Ferraz faz balanço de um ano à frente da Polícia Civil do AM

AM: Emília Ferraz firma que seu maior triunfo foi ampliar consideravelmente o combate ao narcotráfico com a apreensão de mais de 12 toneladas de entorpecentes e destaca importância de concurso público AM: Emília Ferraz firma que seu maior triunfo foi ampliar consideravelmente o combate ao narcotráfico com a apreensão de mais de 12 toneladas de […]

Por Editoria Delegados

AM: Emília Ferraz firma que seu maior triunfo foi ampliar consideravelmente o combate ao narcotráfico com a apreensão de mais de 12 toneladas de entorpecentes e destaca importância de concurso público

AM: Emília Ferraz firma que seu maior triunfo foi ampliar consideravelmente o combate ao narcotráfico
com a apreensão de mais de 12 toneladas de entorpecentes e destaca importância de concurso público

Há um ano, a primeira mulher assumia a Delegacia Geral de Polícia Civil do Amazonas. Apesar das restrições e desafios impostos pela pandemia da Covid-19, Emília Ferraz, titular do cargo, afirma que seu maior triunfo foi ampliar consideravelmente o combate ao narcotráfico com a apreensão de mais de 12 toneladas de entorpecentes.

Em entrevista, a delegada-geral falou sobre esse primeiro ano de gestão. Fez um balanço do trabalho realizado. Ressaltou a importância do concurso público que será feito para suprir quadros no setor, e da sua maneira peculiar de administrar o órgão.

Quais ações foram otimizadas nesse primeiro ano da sua gestão à frente da Delegacia Geral?

Iniciei a minha carreira como delegada como titular no Novo Israel. Naquela época o meu trabalho mais forte era junto à comunidade para evitar a questão das drogas. Isso me credenciou desde um tempo a assumir a divisão de repressão ao crime organizado. À época era a única especializada que trabalhava com entorpecentes. Feito isso, e eu não acho que seja coincidência, mas seja realmente uma área que me interessa bastante, a minha assunção e o período que eu permaneci foi recorde total e absoluto em apreensão de entorpecentes. Durante essa minha gestão (como delegada-geral) nós fizemos a maior apreensão interna de ciclo completo contra o narcotráfico. Isso me causa muito orgulho e eu falo com cátedra. Nós apreendemos um total considerável de 1,2 mil armas e 12,2 toneladas de entorpecentes. É muita coisa.

Quais as estratégias estão sendo planejadas pelo Estado para o combate ao crime organizado?

Nesse período nós abrimos novas unidades. Entre elas, o núcleo de feminicídio e também a Delegacia de Combate à Corrupção. São estruturas novas dentro de um novo contexto. Para os próximos anos, além de continuarmos esse controle ostensivo e contundente contra o narcotráfico na nossa região, nós pretendemos criar o Departamento de Homicídios. Isto é, nós vamos fortalecer a delegacia a ponto de criar um departamento. O governador também fez o anuncio de concurso público para fortalecermos a nossa base e nossas polícias e um olhar com mais carinho para o interior. É isso que a gente pretende para o próximo período em que eu estiver na gestão.

O que está sendo feito para resolver o problema da superlotação nas delegacias no interior, principalmente nesse período de pandemia?

Hoje existe uma integração entre a Polícia Militar, a Secretaria de Segurança e a própria Secretaria Penitenciária. E é uma preocupação do governo do Estado e de todas as entidades que compõem o serviço de segurança pública a questão do interior. Estamos elaborando políticas para tentar minimizar a questão do interior no decorrer desse ano e no próximo ano. Obviamente que nessa pandemia houve uma pausa em tudo que tínhamos programado. Já éramos para estar bem mais adiantado nas políticas em relação às ações feitas mas infelizmente com a pandemia nós tivemos que focar, digamos assim, transmitir para outros locais os nossos recursos, tanto humanos quanto os financeiros.

A senhora assumiu o cargo um mês antes do primeiro caso de covid-19 no Amazonas. Como foi administrar esse setor da segurança durante esse meio à essa crise sanitária?

Sim, eu fui a delegada-geral da pandemia (risos). Eu entrei no dia 19 de fevereiro e em março nos começamos o lockdown. Foi muito difícil, mas como toda boa mulher nós conseguimos fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Então, foi possível ao passo que trabalhar em um momento pandêmico já era difícil, nós não só conseguimos trabalhar, como batemos diversos recordes. É uma capacidade realmente muito feminina essa de você conseguir se ater a muitas coisas ao mesmo tempo e graças a Deus nós podemos como Polícia Civil e como Sistema de Segurança mostrar a população que podemos dar segurança mesmo em um momento pandêmico.A pandemia afetou também o contingente da polícia que já estava reduzido.

Quais as propostas para aumentar a quantidade de profissionais da segurança pública?

Graças a Deus com esse olhar sensível o nosso governador se comprometeu em realizar concurso público exatamente para a gente tentar diminuir o quanto representa não somente essa perda de efetivos mas também um déficit que já era muito grande. Nós vamos tentar repor isso com o concurso público.A Delegacia-Geral adotou alguma medida para garantir a saúde dos policiais?Além da distribuição constante de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) nós criamos um centro de recuperação aqui que foi uma iniciativa para cuidar dos nossos policiais. Meu telefone é cheio de mensagem de agradecimento, porque realmente assim que a pandemia voltou com mais intensidade nós reunimos com todos os diretores e dissemos: o nosso público interno é a nossa prioridade. Vamos dar esse olhar carinhoso para quem está todo o dia na rua se expondo ao risco [de contaminação] e ao perigo por causa da população. Nós conseguimos oxigênio para vários colegas. Trabalhamos o pós-covid também aqui embaixo [do prédio da delegacia geral] com uma clínica de reabilitação.

A situação social fragilizada pela pandemia pode agravar a criminalidade?

É muito difícil porque lidar com relações humanas é impossível você ter uma perspectiva do que pode ou não acontecer. Nós trabalhamos com todas as hipóteses. O que nos cabe é uma medida preventiva. Então é aumentar essa fiscalização para evitar que isso aconteça. Como eu te falei antes, as forças de segurança trabalham integradas. Obviamente, passada essa fase crítica, a PM (Polícia Militar) deve aumentar o ostensividade nas ruas. Vamos aumentar também a apuração para que mais pessoas que tenham esse comportamento delitoso sejam afastadas das ruas. Enfim, é trabalhar! A única receita para isso é o trabalho.

Um dos feitos da sua gestão foi a criação do Núcleo de Combate ao Feminicídio. Como ele pode colaborar para solucionar a subnotifição desse tipo de crime?

Eu quero fazer um parêntese. Subnotificação em homicídio ela não existe muito porque vai ter um corpo. É um crime que deixa um vestígio muito contundente. É muito pouco provável que haja subnotificação em virtude da natureza do delito. O que há subnotificação é na questão da violência domestica. Aí sim é possível haver porque muitas pessoas dependem muito financeiramente de outras. É possível que ela seja vítima de violência mas que ela não nos procure por essa razão. A única forma de você conter isso é com campanhas mostrando que podem contar com o apoio da Polícia Civil e aumentar o que nós temos aumentado: o atendimento virtual. A vítima consegue, com o celular, notificar a violência. Só há duas saídas nesses casos de violência que é a conscientização através das campanhas e também a questão de melhorar o atendimento virtual.

Outra ação foi a repressão contra crimes cibérneticos. Como está o andamento deste departamento?

Nós criamos por lei a Delegacia de Apuração de Crimes Cibernéticos. Preparamos e fortalecemos o pessoal dessa delegacia porque é um processo de fake news que aumentou em virtude de muitas pessoas ficarem em casa. Nós colocamos um excelente delegado na delegacia interativa que é o doutor Heron [Ferreira] muito sensível e atento. E ele tem realizado um trabalho com maestria.

Tendo em vista que boa parte dos crimes registrados no Amazonas tem relação com o tráfico de drogas, quais medidas a PC tem desenvolvido para lidar com esse problema?

O combate ao tráfico foi a marca na nossa gestão. A quantidade de entorpecente que foi apreendida, a quantidade de pessoas que saíram das ruas foi considerável. A maior operação em terra de desarticulação de quadrilha foi feita nesse ano pela divisão de repressão ao crime organizado. Fora isso, nós temos policiais civis trabalhando na Base Arpão que estão fazendo abordagem para evitar que a droga desça (o Rio Solimões). O trabalho contra o narcotráfico tem sido muito eficiente. Nós temos resultados muito positivos em relação a isso. Agora ele é um problema multidisciplinar. O narcotráfico não depende apenas da segurança pública. Até a conscientização familiar com esse contato mais próximo dos filhos para evitar que eles tenham acesso a esse universo de entorpecentes. É um problema multifacetado, não é somente a segurança pública que pode resolver. É uma questão até doméstica porque na própria casa começa o problema e a gente pede auxílio da população. É até um slogan que a gente usa: é para você e com você também, porque só com ajuda da população até dentro da sua própria casa que é possível combater um tipo de crime desse, de uma natureza tão devastadora.

Sendo assim, quais outras bases precisamos desenvolver para resolver essa problema?

A base educacional, a base social. O problema do narcotráfico é um problema também de saúde pública e de saúde familiar. É convocar a população para trabalhar conosco essa que é a grande deixa.O que a senhora espera para os próximos anos da sua gestão?Eu espero que nós consigamos passar por esse período. Que consigamos voltar a normalidade, seja ela qual for. Com uma normalidade diferente, mas uma normalidade. Para que a gente possa voltar a circular, voltar a ver pessoas e voltar a poder defender pessoas porque essa é a nossa vocação.

A Crítica

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