Capitão da PM ridiculariza soldado que ameaçou suicídio. SSP de SP investiga

São Paulo — A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma estar analisando postagens feitas pelo capitão da Polícia Militar paulista Flavio Soares de Sousa, conhecido como Capitão Soares, ridicularizando um PM que ameaçou tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo na noite da última quarta-feira (17/7). Nas publicações, o capitão afirmou que o […]

Por Editoria Delegados

São Paulo — A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma estar analisando postagens feitas pelo capitão da Polícia Militar paulista Flavio Soares de Sousa, conhecido como Capitão Soares, ridicularizando um PM que ameaçou tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo na noite da última quarta-feira (17/7). Nas publicações, o capitão afirmou que o soldado Vinicius Laurentino não teve “dignidade” para se matar e classificou o episódio como “vergonha”.

“Sem dignidade até para tirar a própria vida! Quem escolhe um caminho assume as consequências”, disse Soares na noite dessa quinta (18/7). “Eu nunca vi algo selvagem ter pena de si mesmo, um pássaro cairá morto de um galho sem jamais ter sentido pena de si mesmo. Olhem que vergonha. Tenhamos pena”, complementou nos stories.

Horas depois, o capitão ainda publicou um vídeo de Vinicius apontando a arma para a própria cabeça e mensagens que ele teria enviado via WhatsApp antes de ameaçar suicídio.

As postagens receberam apoio de outros policiais militares nos comentários. “Fraco, adora um show e no final da novela muda todo o roteiro”, escreveu o sargento da PM Cezar Romano.

Questionada pelo Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que a publicação de Capitão Soares “será avaliada” nos termos da Diretriz PM3-006/02/21, de 27 de dezembro de 2021, que versa sobre o uso de mídias sociais e aplicativos de mensagens por policiais militares.

“A Polícia Militar reitera seu total respeito e acolhimento aos policiais que necessitam de apoio psicológico e não compactua com condutas que fujam desse objetivo”, afirma a SSP.

A reportagem tentou contato com o Capitão Soares para comentar o ocorrido, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

O policial é pré-candidato a vereador em São Bernardo do Campo e é seguido por membros da alta cúpula da Polícia Militar de São Paulo, como o comandante do Batalhão de Choque, Valmor Racorti, e pelo ex-comandante da Rota Ricardo Mello Araújo, candidato a vice-prefeito da capital na chapa de Ricardo Nunes (MDB).

Ameaça de suicídio

O soldado Vinicius Laurentino, conhecido no Instagram como Vinicius Galliatto, é influenciador digital e possui mais de 90 mil seguidores. Na plataforma, ele publica vídeos criticando as condições de trabalho e denunciando irregularidades.

Segundo colegas, ele respondia a um procedimento interno por suas postagens. Na última quarta-feira (17/7), ele teria ido à sede da 3ª Companhia do 34º Batalhão do Interior, em Atibaia, para uma audiência.

Horas depois, no mesmo local, ele se trancou na reserva de armas e deu início à transmissão em que ameaçou tirar a própria vida. A live durou mais de três horas e teve mais de dois mil espectadores simultâneos.

O Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Civil (Gate) foi acionado e, após horas de negociação, conseguiu fazer com que o soldado se entregasse. Ele foi encaminhado para atendimento psiquiátrico.

Crise de suicídios

Em 2023, 31 PMs da ativa cometeram suicídio, segundo dados do anuário do Fórum de Segurança Pública, publicado nessa quinta-feira (18/7). O número representa alta de 80% em relação a 2022, é o maior da série histórica e ultrapassa as mortes de PMs em confronto.

Para a pesquisadora Beatriz Borges Brambilla, doutora em psicologia social e professora da PUC-SP, o aumento no número dos suicídios entre policiais militares no estado de São Paulo está ligado à piora na condição de trabalho nos últimos anos.

“É também uma questão de infraestrutura, de baixos salários. Tem uma dimensão de que a atividade policial já é naturalmente estressante, mas tem uma questão de que a gente tá vivendo condições de trabalho muito ruins para os policiais. Hoje a rotina de um policial é trabalhar todos os dias praticamente 16h, 18h por dia”, disse a psicóloga.

Beatriz Borges Brambilla afirma que a estrutura hierárquica que rege o funcionamento da Polícia Militar também é, muitas vezes, violenta.

“Essa relação da hierarquia, do funcionamento interno das instituições, ela quase por si só produz relações de subordinação, assédio”, completou a pesquisadora.

Busque ajuda

Está passando por um período difícil? O Centro de Valorização da Vida (CVV) pode ajudar por meio do número 188. A organização atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio, atendendo, voluntária e gratuitamente, todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, podem buscar ajuda por telefone, e-mail, chat e Skype, 24 horas, todos os dias.

O Núcleo de Saúde Mental (Nusam) do Samu também é responsável por atender demandas relacionadas a transtornos psicológicos. O Núcleo atua tanto de forma presencial, em ambulância, como à distância, por telefone, na Central de Regulação Médica 192.

Na rede pública da saúde, a assistência psicológica pode ser encontrada nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), hospitais e unidades básicas de Saúde.

Metrópoles

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