A Polícia Civil em tempos de Covid-19

Por Ruy Ferraz Pontes Por Ruy Ferraz Pontes Num momento delicado, longe de pretender mergulhar em debates acalorados de cunho corporativista, cumpre a presente manifestação orientar o povo bandeirante sobre a capacidade de prestação de serviço que é executada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo. Analisando a matéria “BO em tempo de Covid-19”, […]

Por Editoria Delegados

Por Ruy Ferraz Pontes

Por Ruy Ferraz Pontes

Num momento delicado, longe de pretender mergulhar em debates acalorados de cunho corporativista, cumpre a presente manifestação orientar o povo bandeirante sobre a capacidade de prestação de serviço que é executada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Analisando a matéria “BO em tempo de Covid-19”, que carrega em seu conteúdo equívocos capazes de emprestar caráter simplista ao conceito de registro de ocorrência, omitir a amplitude da atividade ofertada pela Polícia Civil às comunidades do Estado e ainda relaciona números que não encontram qualquer parâmetro em nossos sistemas estatísticos, impelem-me a esclarecer o que segue:

– a matéria não considerou o fato de o boletim de ocorrência ser registrado pela Polícia Civil com o objetivo de documentar elementos que interessem para a apuração de um ilícito penal. Qualquer um pode noticiar um fato criminoso à Polícia Civil, seja pessoalmente, seja por meio da Delegacia Eletrônica, porém o registro do fato demanda conhecimento técnico e jurídico, observando-se protocolo rigoroso para concluir o procedimento em pauta e serem iniciadas as investigações;

– a necessidade desse registro ser feito por nós é porque a partir dele poderão ser iniciadas investigações criminais, portanto, é natural que aquele que investiga saiba o que é relevante, o que é oportuno e o que é lícito. Exatamente por isso é que todos podem noticiar, mas apenas a Polícia Civil pode investigar;

– a comunicação do fato, com o seu consequente registro quando pertinente, irá desencadear uma série de ações imediatas da Polícia Civil;uma das primeiras e de enorme relevância é a preservação de vestígios no local de crime, assegurando que indícios e elementos irrepetíveis sejam coletados e documentados, servindo de prova em Juízo. De um local tecnicamente preservado, muitas vezes depende o esclarecimento do crime; portanto, de um local descuidado, no qual haja intromissão de leigos, muitos elementos se perdem;

– exaurida a questão relacionada ao conceito de registro, cumpre esclarecer que a Polícia Civil dispõe de recursos e meios de investigação que alimentam banco de dados de eficiência comprovada, com informações obtidas ou decorrentes do boletim de ocorrência. Essas investigações, na área da Delegacia Seccional de Polícia de São José do Rio Preto, têm alcançado índice diverso do apontado, como por exemplo, 100% das ocorrências de latrocínio e 90% das de homicídio foram elucidadas. Surpreendentemente esses índices foram ignorados no texto publicado;

– a matéria ignora que, atualmente, em regra, ninguém precisa dirigir-se a uma unidade policial para registrar uma ocorrência, podendo fazê-lo do local que lhe seja mais conveniente, por meio da internet, utilizando os recursos da Delegacia Eletrônica (atualmente, a grande maioria dos registros de ocorrência são iniciados por meio da internet);

Portanto, é falsa e equivocada a informação de que a atividade de polícia judiciária – atribuição constitucional da Polícia Civil – poderia ser delegada a outras instituições. A estas podem ser deferidas encaminhar a notícia, como toda a população pode fazer, mas registrá-las exige análise cujo conhecimento é específico dos Policiais Civis. As pessoas apenas têm de ir até uma unidade policial quando se tratar de ocorrência policial que demande a adoção de providências de polícia judiciária mais concretas, como são exemplos o auto de prisão em flagrante ou o termo circunstanciado (que, por definição legal, substitui o primeiro e, portanto, impõe análise jurídica a ser feita por profissional legalmente habilitado para tanto: o Delegado de Polícia).

É relevante destacar que a obra Polícia Judiciária no Brasil e no mundo (org. Clayton da Silva Bezerra e Giovane Celso Agnoletto, São Paulo: Editora Posteridade) relaciona estatísticas de diversos órgãos policiais pelo mundo e, na pág. 49, revela que as taxas de elucidação dos crimes patrimoniais são baixas, situando-se entre 8% e 16% em todos os países… nos homicídios os índices podem variar entre nações diversas e até mesmo dentro do país (em tabelas relaciona taxas referentes a elucidação de homicídios nos Estados Unidos e outros países que variam entre 50% e 85%).

A Polícia Civil de São Paulo, diferentemente do propalado na matéria, no ano de 2019, esclareceu 29% dos delitos de autoria desconhecida, patamar muito superior a países desenvolvidos, como Estados Unidos da América e França. Para que não restem dúvidas, em 2019, a Polícia Civil do Estado de São Paulo registrou 3.697.161 ocorrências. Deste total, 1.021.985 referiam-se aquelas de autoria desconhecida. Foram elucidados naquele ano 296.514 casos, cuja autoria não era conhecida no momento do registro, perfazendo o índice de 29% – e não 10% como foi mencionado na matéria em pauta (fonte Registro Digital de Ocorrência, Inquérito Policial Eletrônico e ferramentas informatizadas relacionadas ao Modelo 160 da SSP-SP).

Finalmente, a Polícia Civil permanece à disposição de todos aqueles que queiram conhecê-la ou que pretendam colaborar com sua atividade, observados os mandamentos constitucionais que regem sua atuação, dentro dos chamados órgãos da segurança pública.

Por Ruy Ferraz Pontes, Delegado-Geral da Polícia Civil de São Paulo

DELEGADOS.com.br
Revista da Defesa Social & Portal Nacional dos Delegados

 

 

Veja mais

Saudade, respeito e legado: 30 dias sem Steferson Nogueira

Reconhecido por sua atuação firme, estratégica e humana, ele deixou marcas profundas na Polícia Civil da Paraíba e no cenário nacional.

Red Pill: O Direito não pune sentimentos, mas condutas, sim

Raquel Gallinati: Já não estamos diante de liberdade. Estamos diante de risco.

Advogada é presa em flagrante após criticar delegado nas redes sociais e chamá-lo de “doente mental”

(GO) Advogada Áricka Cunha foi detida após publicar despacho policial e questionar, nas redes, a decisão que encerrou ocorrência registrada por ela

Governador do Tocantins autoriza concurso da Polícia Civil com 452 vagas

(TO) Certame prevê cargos de delegado, oficial investigador e perito, com salários que chegam a R$ 21,9 mil

Delegado detalha atuação de cardiologista preso por estupro de vulnerável no RS

(RS) Investigação identifica 14 possíveis vítimas; médico é suspeito de dopar pacientes para praticar abusos sistemáticos durante consultas na Região Metropolitana

Polícia Civil do PI registra queda de 40% nos roubos de veículos no primeiro trimestre de 2026

(PI) As ações do Departamento de Roubo e Furto de Veículos (DRFV) fazem parte do Pacto Pela Ordem para reduzir a criminalidade na capital e no interior do estado.

O Elo Invisível: Como a Inteligência Preditiva pode Antecipar o Feminicídio no Piauí

O "Pulo do Gato" na Prevenção do Feminicídio: Por que o Piauí precisa da Teoria do Elo?
Veja mais

Sétimo Dia: Delegado Steferson Nogueira deixa história que transcende a segurança pública

Steferson Nogueira, presidente da ADEPDEL/PB, Delegado de Polícia Civil da Paraíba
(PB) Trajetória do delegado é lembrada por avanços históricos, diálogo institucional e compromisso com a segurança pública

“IFood de Drogas”: Operação Madara prende funcionário do TJ que vendia drogas em Teresina

Yan Brayner, Diretor de Inteligência da SSP/PI
(PI) Yan Brayner, Diretor de Inteligência da SSP/PI apresenta resultado da operação

Brasil dá um passo decisivo no enfrentamento ao crime organizado com a nova Lei Antifacção

Chico Lucas, Secretário Nacional de Segurança Pública participa de entrevista e trata da nova legislação

Senador com CNH vencida, dirige carro sem placa, usa giroflex, dá “carteirada” e foge de abordagem policial em São Paulo

Senador Alexandre Luiz Giordano (Podemos-SP)
(SP) Parlamentar dirigia carro de luxo sem placa e com giroflex ilegal; na fuga, Giordano subiu em calçada e quase atropelou policiais militares

Comoção e reconhecimento marcam despedida do delegado Steferson Nogueira, que deixa um legado na segurança pública

Steferson Nogueira, Delegado de Polícia Civil da Paraíba e presidente da ADEPDEL - Associação dos Delegados de Polícia da Paraíba
Um grande pai, esposo, delegado, companheiro e exemplo de liderança

Vulnerabilidade Etária nos Crimes Contra a Dignidade Sexual de Acordo com a Lei 15.353/26

Por Eduardo Luiz Santos Cabette

Delegado Steferson Nogueira morre aos 44 anos

(PB) Seu reconhecimento ultrapassou fronteiras estaduais: nos anos de 2022, 2023, 2024 e 2025, foi apontado como um dos Melhores Delegados de Polícia do Brasil, consolidando seu prestígio entre colegas
Veja mais

Não é possível copiar este conteúdo.