A fidelidade partidária tem níveis: você sabia ? Por Rogério Antonio Lopes

    Quando vi no programa Roda Viva o vice-presidente Michel Temer, ao ser questionado sobre determinada orientação de voto do PMDB, argumentar que a fidelidade tinha “níveis”, em princípio confesso que fiquei chocado, depois nem tanto, cheguei à conclusão que o deputado tinha razão e não era só a fidelidade que tinha níveis, mas […]

Por Editoria Delegados

 

 

Quando vi no programa Roda Viva o vice-presidente Michel Temer, ao ser questionado sobre determinada orientação de voto do PMDB, argumentar que a fidelidade tinha “níveis”, em princípio confesso que fiquei chocado, depois nem tanto, cheguei à conclusão que o deputado tinha razão e não era só a fidelidade que tinha níveis, mas a mentira, a confiança, a verdade, a lealdade, a honra, a credibilidade e a responsabilidade.

 

Realmente, para explicar alguns posicionamentos diante de certas situações, só mesmo relativizando valores éticos e morais, caso contrário, fica difícil ou mesmo impossível argumentar acerca desses temas.

 

A política partidária é um dos terrenos mais férteis para se observar a depreciação desses valores e também o recrudescimento de alguns deles. Quando se aproximam as eleições e as “alianças” vão sendo alinhavadas, não raro, quedamos descrentes diante de alguns leviatãns que são criados e ficamos inconformados e incrédulos com tantos… tantos… níveis de fidelidade, como diria Michel Temer.

 

Casos famosos de políticos não menos famosos, nos dão uma idéia de onde podem chegar essas “relativizações”, desde os apoios atuais, até casos mais antigos e já esquecidos nas entrelinhas do tempo, se bem que antigo na política é termo relativo, pois de uma campanha para outra tudo muda e antigos aliados se transformam em ferrenhos inimigos, com a desconfortável condição, que esses inimigos conhecem bem seus antigos aliados e podem portanto, usar a amizade de outros tempos para destruir ou macular seu atual desafeto.

 

Uma das alianças mais esdrúxulas da história política brasileira, se deu no ano de 1950, quando o candidato ao Senado, Luiz Carlos Prestes, apoiou o candidato à Presidência Getulio Vargas, o fato teria passado ao largo, não tivesse Prestes sido preso por Getulio e permanecido no cárcere por nove longos anos, de onde saiu somente em 1945 anistiado pelo próprio Vargas, o qual foi obrigado a isso, em função do novo espectro que se desenhava na política mundial, já que o Brasil se alinhava com os Estados Unidos e a Alemanha nazista havia sido derrotada na guerra. Questionado sobre o apoio, o qual nitidamente o incomodava, Prestes respondia que os interesses do país se sobrepunham às questões pessoais.

Essa resposta é deveras confortável e até certo ponto “mandrake”, porque expressões como “interesses do país e vontade do povo” são tão subjetivas e genéricas como gostar de macarrão e não gostar de jiló. Talvez Carlos Drumond de Andrade explique melhor quando diz: “partido político é um agrupamento de cidadãos para defesa abstracta de princípios e elevação concreta de alguns deles”, Prestes e Getulio foram eleitos.

 

Depois do apoio de Prestres a Getulio e de Michel Temer falar que fidelidade tem níveis, não se sabe mais o que esperar das alianças políticas, ou melhor, deve-se esperar absolutamente tudo, afinal de contas ninguém pode ir contra a “vontade do povo e os interesses do país”.

 

Sobre o autor

Rogério Antonio Lopes
Delegado Chefe da 6ª SDP de Foz do Iguaçu-Pr
segurancaecidadania.com

 

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