Diretor da PF diz que “interesses desconhecidos” estão por trás de agência antimáfia

Segundo Rodrigues, a ideia de uma nova estrutura é desnecessária, uma vez que a função já é cumprida pela instituição.

Por Editoria Delegados

Diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, declarou nesta quarta-feira (27/8) que “interesses desconhecidos” estariam ligados à proposta do governo federal de instituir uma agência antimáfia para enfrentar o crime organizado no Brasil.

A fala ocorreu durante a posse do novo Superintendente Regional da PF no Amapá, em meio à polêmica que levou o governo a desistir da criação do órgão após forte resistência da própria PF.

Segundo Rodrigues, a ideia de uma nova estrutura é desnecessária, uma vez que a função já é cumprida pela instituição.

“Enquanto alguns, por interesses desconhecidos, querem criar uma nova agência para combater o crime organizado, a minha resposta é muito direta: essa agência já existe. Ela é a Polícia Federal”, afirmou, sendo aplaudido.

Dados apresentados pela PF

Durante o discurso, o diretor destacou resultados recentes da corporação no combate a facções criminosas:

  • Aumento de 70% no valor de bens e recursos apreendidos em 2023;
  • Mais de R$ 6 bilhões retirados de organizações criminosas;
  • Aproximadamente 200 operações de grande porte, realizadas em parceria com forças estaduais nas 27 unidades federativas;
  • Mais de mil prisões decorrentes dessas ações integradas.

Independência institucional e críticas ao passado

Rodrigues também ressaltou que a PF atua hoje de maneira independente e alinhada à Constituição. Ele fez referência a figuras midiáticas como o “japonês da federal”, que ganharam notoriedade durante a Lava Jato, para contrastar com a atuação atual.

“A nossa Polícia Federal de hoje é uma polícia de Estado, que cumpre sua missão institucional atuando de forma independente, obediente à Constituição Federal e às leis, e focada em melhor servir ao nosso país. Desafio a todos a mencionar o nome de um policial federal que hoje esteja em destaque”, disse.

Para o diretor, a fase de operações espetaculosas e exposição midiática excessiva ficou para trás.

“O tempo de entrevistas espalhafatosas, de pré-condenações, de imprensa na porta de alvos e a criação de heróis já passou. O momento é de uma atuação estritamente técnica e responsável”, completou.

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