Nov 25, 2020

Falsos congressos chegavam a Câmaras de todo interior

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SERGIPE

Com exceção de Aracaju,  todas as Câmaras de Vereadores de Sergipe podem ter feito contrato com a Empresa Brasileira de Eventos e Serviços Ltda (Embraevs), que teria se especializado em promover “congressos” e “seminários” que serviam apenas para garantir viagens e pagamento de diárias. A informação foi passada na manhã de ontem, durante entrevista coletiva a imprensa, pela coordenadora do Departamento Especializado em Combate a Crimes de Ordem Tributária e Contra a Administração Pública (Deotap), delegada Danielle Garcia. Nas imagens feitas durante as investigações, vereadores, dentre eles de Nossa Senhora do Socorro, foram flagrados em bares e áreas de lazer de hotéis em pleno horário dos pseudos “congressos”, enquanto o auditório estava fechado.

O superintendente da Polícia Civil, delegado João Batista dos Santos Júnior, destacou a importância de se combater crimes contra administração pública. “É um crime que lesa toda a sociedade, todo o cidadão”, disse o delegado lembrado que a população pode ajudar a polícia passando informações através do telefone 181 (novo número do Disque Denúncia da Polícia Civil). A investigação que resultou nas prisões dos vereadores Moacir Silva Mota, que é presidente da Câmara de Maruim, e José Fernando Pereira Santos, da cidade de Nossa Senhora da Glória, e do empresário Roberto Almeida Santos Júnior, dono da Embraevs, começou em novembro do ano passado por solicitação do Ministério Público Estadual (MPE) da Comarca de Poço Redondo.

Pelo que foi apurado, a Embraevs atuava junto as câmaras e prefeituras do interior oferecendo seminários e congressos para vereadores e servidores. Segundo a delegada Danielle Garcia, o vereador Moacir Silva Mota era o contador da empresa, enquanto o colega José Fernando tinha como função arregimentar vereadores e servidores para participarem dos eventos fantasmas. A informação é de que a empresa fica com o valor das inscrições, que custavam mais de R$ 300, enquanto os vereadores e servidores públicos se aproveitavam da situação para receber diárias e os custos referentes a viagem e hospedagem.

Para não levantar dúvidas sobre os eventos, a empresa montava a estrutura em hotéis e pousadas das cidades de Paulo Afonso, Feira de Santana e Salvador, na Bahia, e em Cururipe e Maceió, em Alagoas. Em alguns casos, vereadores inscritos nos congressos sequer viajavam, mas mesmo assim recebiam os certificados, documento que servia para justificar o pagamento das diárias. A delegada Nádia Flausino, do Deotap, disse que a polícia apreendeu farto material que será analisado e servirá para identificar os envolvidos no esquema. A exemplo de notas fiscais e de um livro com o registro de todos os certificados emitidos.

As câmaras municipais já foram oficiadas para informar se mantiveram algum tipo de contrato com a Embraevs e em caso positivo informar os nomes dos vereadores que teriam participado dos eventos. “A solicitação é para dar mais celeridade à investigação, mas caso ocorra demora no envio das investigações temos as notas fiscais e outros documentos que servem para identificar os envolvidos”, explicou a delegada Danielle Garcia.

Jornal da Cidade

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