Nov 27, 2021

Ex-vereador do litoral de SP envolvido com o PCC é condenado a mais de seis anos de prisão

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Ex-presidente Câmara de Itanhaém, Valdir Gonçalves Mendes, o Valdir do Açougue, foi condenado pela Justiça a seis anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, por fazer parte de uma organização criminosa. Ele já estava na cadeia desde de julho do ano passado, quando foi preso por policiais civis da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) da Cidade, responsáveis pela investigação.


Valdir do Açougue foi parlamentar por quatro mandatos, entre 1993 e 2000, e de 2004 a 2012, assumindo a presidência do Legislativo entre 2006 e 2008. O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o ex-vereador e outras nove pessoas por integrarem organização criminosa, “com emprego de armas de fogo, para o fim de cometerem infrações penais”. Além de Valdir, outros sete foram condenados à prisão (todos podem recorrer) e dois absolvidos.


A Operação Coche (que significa carro, em espanhol), da Polícia Civil, investigou células criminosas, vinculadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que estariam utilizando veículos (vans) destinados ao transporte clandestino de passageiros e para o envio de grandes quantidades de drogas, a fim de abastecer pontos de venda em Itanhaém.


Apurou-se, também, que o serviço de transporte coletivo se destinava à obtenção ilícita de recursos financeiros para sustentar os integrantes da organização, assim como para o transporte de armas, além de envolvimento em crimes de corrupção de agentes de trânsito.


Segundo a investigação, Valdir do Açougue era “elo político da organização”. “O réu possibilitaria o acesso com maior fluidez à políticos na Cidade para futuros conchavos com o crime organizado (PCC), além da ligação espúria com funcionários públicos do setor de trânsito da Cidade, visando a facilitação do transporte clandestino. Uma teia com ramificações profundas”, destaca o processo, cuja sentença é do juiz Paulo Alexandre Rodrigues Coutinho, da 1ª Vara Criminal de Itanhaém. Um carro e R$ 1,4 mil foram apreendidos pela Justiça.


Promotoria

O promotor de Justiça Romildo da Rocha Sousa afirma que a prova dos crimes foi muito bem feita, inclusive com dados do celular apreendido em poder de Valdir, além de interceptações telefônicas onde ele participava de reuniões juntamente com integrantes da facção criminosa.


“O que nos chamou a atenção foi justamente o vínculo do crime organizado com o poder público. O acusado Valdir, enquanto político conhecido na Cidade, dava a cobertura necessária para a atuação do crime organizado, sobretudo em relação ao transporte clandestino”.


Durante as investigações, foram encontrados indícios de que o ex-parlamentar estaria recebendo uma mesada, de R$ 4 mil, há pelo menos oito anos. Outros políticos são investigados.


Defesa

Em nota, a defesa de Valdir do Açougue disse que a sentença condenatória por envolvimento no crime de organização criminosa “se mostrou equivocada e distante das provas produzidas no processo”. Afirmou, ainda, que o juiz se baseou “em meras presunções, trazendo fatores que sequer foram comprovados”.


A defesa diz que trouxe provas convincentes de que Valdir “jamais participou de qualquer atividade com os demais réus ou originado da suposta organização criminosa” e irá recorrer da sentença, que considera injusta.


A Tribuna

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