Nov 27, 2021

Delegada da Mulher vê crime em fantasia de goleiro Bruno; homem foi identificado

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A titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher, delegada Débora Mafra (imagem), vê crime de apologia ao feminicídio no caso do homem que se fantasiou de goleiro Bruno em Manaus. Ele participou de uma festa de Halloween na madrugada desta terça-feira (2) na casa noturna Porão do Alemão. A foto do traje foi postada no Instagram do próprio bar e depois apagada.

Na imagem, o homem aparece de costas com uma camisa do Flamengo. Na parte de trás, há um papel com o nome “Bruno” impresso. Ele também segura um saco de lixo preto com o nome “Eliza” escrito em um papel.

“Esse caso é totalmente repugnante. O homem fez apologia ao crime, comportamento que está tipificado no nosso Código Penal. A partir do momento em que ele [o homem] é identificado, o desdobramento pode ser via judicial e inclusive dá danos morais para a família da Eliza Samudio”, explica a delegada.

Mafra esclareceu que, por não ser um caso diretamente ligado à violência doméstica, não pode ser denunciado para a Delegacia da Mulher. Porém, tem amparo para ser registrado no 21° Distrito Integrado de Polícia, que atende o São Jorge, bairro onde está localizado o Porão do Alemão.

“Essa apologia ao crime é grave, pois esse homem está pisoteando a dor de uma família. O que aconteceu na época foi algo hediondo, por isso, aquela fantasia é uma agressão à sociedade, à vítima e às mulheres”, pontuou a delegada.

Família Samudio

A mãe de Eliza Samudio, Sônia Moura, diz ter chorado muito ao saber da fantasia de goleiro Bruno utilizada no Porão do Alemão.

"Tanto desrespeito com a vítima. Bruninho [filho de Eliza Samudio] ficou arrasado”, disse em entrevista ao jornal Extra.


Sônia destacou que irá tomar medidas na Justiça contra Rodrigo Fernandes, homem que usou a fantasia. Ele é tatuador e trabalhava no estúdio El Cartel Tatuaria, mas foi demitido após a repercussão do caso.

“Eu já acionei a advogada para tomar as providências. Eu não vou admitir mais fazerem esse tipo de coisa com a minha filha. Justo no dia de hoje, É tão difícil para mim”, relatou.

O que diz o Porão

Dona do Porão do Alemão, a empresária Juliana Lima classificou o comportamento do cliente como “brincadeira de mal gosto” e disse que como mulher entendia a gravidade do problema. “Tenho noção dos assédios, do sofrimento e luta de muitas mulheres que sequer tem a chance de pedir socorro”.

Sobre a foto postada no perfil da casa noturna no Instagram e depois apagada, a empresária disse que a publicação foi feita por um estagiário que não entendia do caso Samudio, por isso deixou passar a fantasia. Ele também foi afastado. O setor jurídico do Porão acompanha os desdobramentos do acontecido.

A crítica


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