Dez 14, 2019

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Concurso para delegado em Goiás é suspenso após fraudes, diz polícia

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O delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, Álvaro Cássio dos Santos, confirmou que foi constatada fraude no concurso para delegado substituto no estado. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (13), ele declarou ainda que o processo seletivo está suspenso. Cinco pessoas estão presas por envolvimento no crime.


"Destacamos a Decarp [Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública] para fazer a investigação. Eles trabalharam essa semana diuturnamente no sentido de comprovar ou não essa fraude. E a fraude, infelizmente, foi comprovada. As demais fases do concurso estão suspensas até deliberação da Segplan [Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás]", afirmou Santos.


A assessoria de imprensa da Segplan informou ao G1 por meio de nota que "decidiu suspender o concurso público para Delegado de Polícia Civil, edital n° 007/2016".

 


A nota diz ainda que "segundo a resolução 001/2017, a suspensão visa garantir a todos os candidatos e à comunidade em geral a manutenção dos princípios constitucionais e é por prazo indeterminado, até que se conclua o processo de investigação".


O delegado-geral salientou que a decisão de anular ou não o certame ficará a cargo da Segplan ao final da investigação. Ele explicou como a investigação começou. "Recebemos por email uma denúncia de um candidato e determinamos uma rigorosa apuração dos fatos", revela.


A Polícia Civil não revelou nome de nenhum dos presos, mas o G1 apurou a identidade de todos eles: Magno Marra Mendes, ex-vereador de Palmeiras de Goiás; Armando Colodeto Júnior, barcharel em direito; Antônio Carlos da Silva Francisco, médico; Fábio Alves de Oliveira, contador; e Suzane Fonseca dos Santos.


Magno tirou 9,5 na primeira fase do concurso. A defesa dele não atendeu às ligações da TV Anhanguera e do G1. Já Armando conseguiu uma nota 9 na prova. Advogado do candidato Armando Colodeto Júnior, Raphael Barros Martins, disse que, por enquanto, não vai se pronunciar.


O G1 tenta contato com a defesa dos outros presos.


Já o Cebraspe, responsável por organizar e aplicar as provas, disse em nota ao G1 que "tem colaborado continuamente com a Polícia Civil e com o Ministério Público de maneira a garantir a lisura e a isonomia do concurso". Destaca ainda que as medidas de segurança adoradas no certame "demonstram o comprimisso das Instituições responsáveis pela seleação com esses princípios".


Afirma, por fim, que as penalidades cabíveis constantes no edital podem ser aplicadas a qualquer momento desde que identificada algumas irregularidade.

 

Fraude


As investigações apontaram que o grupo cobrava de R$ 120 mil a R$ 365 mil por vaga. Segundo a polícia, Antônio Carlos tinha o papel de aliciar pessoas para participarem da fraude em Goiânia.
O delegado Rômulo Figueiredo, titular da Dercap, disse que ele conseguia atrair pessoas de seu convívio pessoal e profissional oferecendo cargos públicos mesmo que estes não apresentassem todos os requisitos necessários.

 

"O contador pagou, antes do concurso, R$ 100 mil em duas parcelas e havia prometido repassar mais R$ 150 mil após assumir o cargo e fazer um empréstimo consignado. Ocorre que ele sequer possuía um diploma de direito, requisito básico para tomar posse e ficou entre os dez primeiros colocados. Para resolver o problema, o médico já estava com diploma falso confeccionado", destaca.


De acordo com a polícia, um dos presos informou que vendeu um carro e negociava uma casa para pagar a organização criminosa. O delegado disse que não pode revelar informações mais detalhadas sobre o modo de operação do grupo para não atrapalhar as investigações.


Médico cassado


Em nota, o Conselho Regional de Medicina (Cremego) informou que Antônio Carlos teve seu registro cassado em 2006 pelo órgão, decisão referendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) no ano seguinte. No entanto, ele recorreu à Justiça e conseguiu, em 2010, a anulação da decisão. O Cremego recorreu, mas como o recurso não foi julgado, ele tem situação regular e pode exercer regularmente a profissão.


O médico foi condenado pela Justiça pelo crime de aborto, cometido em 1985, em uma adolescente de 14 anos. A decisão foi do 1º Tribunal do Júri de Goiânia, em sessão presidida pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara. No entanto, como a decisão ocorreu somente em 2004, o magistrado decretou a extinção da pena por prescrição.


A ação do Ministério Público relatou que a gestante foi ao hospital, do qual o médico era proprietário, para um consulta. Porém, foi dominada por uma enfermeira e operada à força.
Concurso


A Segplan divulgou o edital do concurso em novembro de 2016. O processo conta com 36 vagas com salário de R$ 15.250,02.


O processo seletivo é composto por oito etapas: provas objetivas, provas discursivas, avaliação médica, avaliação de aptidão física, exame psicotécnico, avaliação de vida pregressa e investigação social, curso de formação profissional e avaliação de títulos.


Os concorrentes precisam ter diploma de curso superior de bacharel em direito. A jornada é de 40 horas semanais e exige disponibilidade para viagens.


O prazo de validade do concurso é de seis meses a partir da data de publicação da homologação do resultado final, podendo ser prorrogado por igual período.

 

G1

 

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